8ª Lavagem do Bonfim proporciona momento de fé e alegria em Penedo

Bairro Oiteiro sediou a festa que traduz a cultura popular e espiritualidade brasileira

A 8ª Lavagem do Bonfim, que aconteceu nesse domingo (01) no bairro Oiteiro, em Penedo, celebrou a fé e a espiritualidade brasileiras. O ritual resgata o significado e raízes da região quilombola penedense, transformando as ruas da cidade durante o carnaval.

O cortejo até a imagem de Nosso Senhor do Bonfim saiu ao som de cânticos tradicionais, conduzidos pelas imagens vivas de Xangô, Oxum e Iemanjá. As baianas, com seus vasos de flores e aromas, saíram atrás, dançando e embalando a multidão.

 

O toque do atabaque tomou conta do lugar. As preces feitas no microfone trouxeram desejos de saúde, amor e prosperidade. Capoeiristas tocavam berimbau e jogavam nas ruas.

 

Ao chegar aos pés de Nosso Senhor do Bonfim, decorado com fitas azuis e brancas, as baianas começaram a varredura simbólica, significando a limpeza e purificação de energias negativas.

Foto: Kamylla Feitosa

O ritual promove um resgate histórico, visibilidade e atenção ao bairro. É o que explica o idealizador da festa, Isaías Ferreira.

“Eu já tinha ideia, porque tinha festa no nosso bairro aqui embaixo, Nossa Senhora de Fátima, conhecido como Coréia, tinha o BH, que é o Beco do Hospital, tinha lá embaixo a Raquel e no bairro Senhor do Bonfim, conhecido como Oiteiro, não tinha nada. Aí eu digo: não, isso aqui não pode ficar assim não, tem que surgir uma festa aqui. Hoje está nessa proporção, graças a Deus e a eles”, declarou.

Ele e um grupo de cinco amigos, composto por Josilene Xavier, Sônia e Alessandra, que ficaram a cargo de continuar a festa depois que Isaías perdeu a visão.

“Josilene chegou para mim. Ela disse: “diga o que é”. Eu digo: “vamos fazer uma festa aqui no bairro?” Faltava um mês e quinze dias para começar. Aí ela disse: “vamos, tem o que pronto?” Eu disse: “não tem nada, vamos começar do zero”. Hoje eu me encontro doente e elas seguraram a peteca aí, não deixou cair e graças a Deus todo ano está sendo realizado. Se não fosse a pandemia, seria nove anos, mas como teve a parada da pandemia, é o oitavo ano”, declara.

Estiveram presentes no ritual a secretária de cultura de Penedo, Teresa Machado, e o vice-prefeito Valdinho Monteiro, que representou Ronaldo Lopes na cerimônia. A secretária contou como o sincretismo religioso, ato brasileiro de unir vários credos em um só, se faz importante na história penedense.

 

“O sincretismo religioso vem como uma tradição muito forte aqui no nosso município, dando a abertura com a lavagem aqui do Nosso Senhor do Bonfim, nosso querido bairro, como a gente chama, Oiteiro de Penedo. É uma comunidade com remanescentes quilombolas e ver que a comunidade se junta mais um ano para celebrar a união e a fé no ritmo do carnaval é muito gostoso. Isso mostra que a nossa cultura vem cada vez mais forte e cada vez mais presente aqui no município”, destaca Teresa.

“Sentimento de dever cumprido, de trabalho realizado, de satisfação, de alegria em ver um evento tomando a magnitude que ele vem tomando, por ser um evento cultural, feito por moradores de uma comunidade quilombola, de um bairro que até então não era visto pela sociedade, que hoje a sociedade vê com outros olhos, um bairro de muitos artistas, de músicos, e que tem as melhores pessoas, e o sentimento é de gratidão e de realização”, conclui Josilene                                                                                                                                          Fonte Jornal de Alagoas  Por Ana Beatriz Elias *Estagiária sob supervisão

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