Em reunião com Silvio Almeida, Lula disse que não gostou de ministro usar estrutura do governo para se defender de acusações

Lula ofereceu ao ministro a opção de renunciar; ele negou e disse que irá mostrar que “está sendo injustiçado”

Na reunião em que selou a demissão de Silvio Almeida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não gostou de o ministro ter usado estrutura do governo para se defender de acusações de assédio sexual.

 

A conversa foi dura e Almeida chegou a ficar emotivo, segundo relatos de integrantes do governo a par da conversa. A postura, no entanto, não convenceu nem o presidente nem ministros presentes.

A Almeida foi sugerida a opção de renunciar. Ele negou e disse que irá mostrar que está sendo injustiçado, segundo pessoas próximas.

Durante o encontro, Almeida falou ao presidente que não confirma o relato feito pela ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, que disse ter sido assediada por ele. Presentes no encontro, as ministras Cida Gonçalves (Mulheres) e Esther Dweck (Gestão) defenderam Anielle.

A exoneração do ministro dos Direitos Humanos foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira.

O encontro durou cerca de 45 minutos e transcorreu de forma tensa. Ele ocorreu na presença ainda dos ministros Jorge Messias (Advocacia-geral da União), Ricardo Lewandowski (Justiça), Vinicius Carvalho (Controladoria-geral da União) e Laércio Portela (Secretaria de Comunicação). Antes de chamar Silvio ao Planalto, Lula já havia deliberado com o grupo por volta de uma hora e meia.

Os ministros chegaram a discutir se não seria o caso de fazerem juntos um pronunciamento à imprensa. Eles concluíram, porém, que uma nota por meio da Secom seria mais adequado. Ficou acertado que nenhum deles falará publicamente sobre o encontro nesta sexta.

Após selar o destino de Silvio Almeida, Lula chamou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ao Planalto. Como mostrou o GLOBO, ela confirmou mais cedo a ministros do governo ter sido assediada por Almeida. Em nota, publicada na rede social Blue Sky, Anielle disse que “não é aceitável relativizar ou diminuir episódios de violência”, que “agir imediatamente é o procedimento correto” e que “contribuirá com as apurações, sempre que acionada”.

A crise começou na noite de ontem, quando reportagem do jornal Metrópoles trouxe relatos de supostos casos de assédio cometidos por Silvio Almeida. Messias e Carvalho foram escalados pelo presidente e, tão logo a matéria saiu, foram ao Palácio do Planalto. A pedido de Lula, que estava em viagem, reuniram-se com o então ministro dos Direitos Humanos. O encontro foi tenso. Almeida negou os fatos e disse que iria “se defender com vigor”.

Fonte o Globo 100  Foto: Cristiano Mariz

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