Incêndio causado por fogos de artifício gera pânico e revolta em moradores próximos ao campo do Sport Club Penedense

Um incêndio atingiu um terreno com vegetação na noite do último jogo do Sport Club Penedense, após a soltura de fogos de artifício por torcedores nas proximidades do estádio. O local fica em uma área residencial, em uma rua pacata, onde vivem idosos, famílias com crianças, bebês, pessoas com Alzheimer, pessoas neurodivergentes e muitos animais de casa e de rua. O terreno também servia de moradia e abrigo para animais comunitários.
Eliana Cavalcanti, conhecida por sua atuação em defesa do meio ambiente e da causa animal, relatou a gravidade da situação, a recorrência do problema e cobrou providências.
“Vivem aqui idosos, pessoas com Alzheimer, pessoas neurodivergentes, crianças, bebês e muitos animais. Mesmo assim, em praticamente todo jogo, fogos são soltos com estrondos que parecem explodir dentro das casas, causando pânico e sofrimento nas pessoas e nos animais”, afirmou.
Segundo Eliana, desta vez a situação foi ainda mais grave, pois os fogos provocaram um incêndio em um terreno que era refúgio de vida.
“Não bastasse o barulho violento, os fogos causaram fogo em uma área com vegetação que servia de moradia para animais comunitários, abrigava gatos, outros animais de rua e ainda fornecia alimento para cavalos. A vegetação também ajuda a amenizar o calor e a proteger o equilíbrio ambiental.”
Ela explicou que os gatinhos que viviam no local eram filhotes, recém-abandonados, e utilizavam aquela área como único refúgio.
“Esses gatinhos dormiam ali, se alimentavam nessa parte do terreno e também brincavam, corriam, pulavam e se escondiam entre a vegetação. Eu ia diariamente até esse local para levar alimento e acompanhar esses animais. Era o único espaço de proteção que tinham.”
Eliana contou que não estava presente no início do incêndio, mas que, ao chegar, ainda encontrou o fogo ativo.
“Eu não estava no local no início nem durante as chamas maiores. Quando cheguei, ainda havia vários focos de incêndio. Entrei em contato com o diretor do clube, que informou ter solicitado o Corpo de Bombeiros. Diante da situação, eu mesma apaguei os últimos focos, para evitar que o fogo se alastrasse novamente.”
Após o ocorrido, um dos filhotes está desaparecido.
“Um dos gatinhos aparece no vídeo, mas o irmão dele ainda não foi encontrado. Estou orando para que ele tenha apenas se assustado e corrido para se esconder. Até hoje, domingo, ele ainda não apareceu, e isso nos causa muita angústia.”
Ela reforçou que os episódios com fogos são recorrentes.
“Todas as vezes fazemos registro de reclamação junto ao clube por causa da soltura de fogos. Mas nada se resolve. O problema se repete jogo após jogo.”
Eliana fez um apelo direto ao poder público.
“Peço que as autoridades identifiquem quem está praticando esses atos e que os responsáveis sejam punidos conforme a lei. Em Alagoas, já existe lei estadual que proíbe a soltura de fogos com estampido, justamente para proteger idosos, crianças, bebês, pessoas com Alzheimer, pessoas neurodivergentes e os animais.”
Ela lembrou ainda que o caso infringe a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998), por provocar incêndio e destruir vegetação, colocando em risco o equilíbrio ambiental, e a legislação de proteção aos animais, que considera maus-tratos qualquer ato que cause dor, estresse extremo, pânico ou risco de morte.
Eliana também fez um alerta sobre o abandono de animais:
“Abandono é crime. A lei brasileira prevê pena de até cinco anos de prisão para quem abandona ou maltrata animais. Já temos registros de câmeras de segurança que flagraram abandonos nesta região e estamos tomando as devidas providências. Quem pensar em abandonar animais aqui precisa ter ciência de que será identificado e responsabilizado.”
E concluiu com uma mensagem de fé e consciência:
“Como nos ensina Jesus: ‘Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância’ (João 10:10). E também: ‘Tudo o que vocês querem que os outros lhes façam, façam também a eles’ (Mateus 7:12). Que esse amor e esse respeito se estendam a todas as criaturas.
Digamos SIM à Vida, SIM a Penedo, SIM às pessoas, SIM aos animais e SIM a um Brasil mais sustentável.”
Eliana Cavalcanti
Penedense, empresária da Fort3 Solar, presidente da Associação Penedense de Proteção Animal e líder de diversos movimentos em prol de um país mais sustentável.