O que influencia a alta no preço dos alimentos? Economista explica e fala sobre impactos para famílias

Nos últimos meses, a família de Joana Lins, 34 anos, precisou cortar alguns alimentos na hora de fazer a feira do mês. A carne foi substituída por uma opção mais em conta e os itens que são considerados ‘menos essenciais’ já não entram na lista de compras. Segundo Joana, essa é a primeira vez que ela sente a situação financeira apertar.

Ela contou ao Cada Minuto que ultimamente precisa escolher o que entra na feira. “Infelizmente, eu preciso optar por itens mais baratos ou cortar alguns. Carne mesmo? Nós tivemos que reduzir e estamos optando por enlatados, frango, ovos. É uma tristeza saber que estamos passando por isso”.

 

Joana trabalha como atendente em uma loja de Maceió e ganha um salário mínimo. A renda dela e do esposo é o que sustenta a casa que tem quatro pessoas. “Sou eu, meus dois filhos e meu esposo”, disse

 

“Nós estamos assando e comendo. Sinceramente, não sei porque as pessoas não estão revoltadas, sabe? Eu estou indignada com essa situação, com essa alta”, contou.

 

A auxiliar jurídica, Viviane Rosa Soares, 39 anos, também precisou fazer mudanças na hora da feira e, dentre outros itens, deixou de comprar carne bovina, tendo em vista o aumento.

Ela afirma que percebeu um aumento em vários produtos e, durante a pandemia, como muitas pessoas reduziram o trabalho ou perdeu o emprego, dificultou ainda mais. “Carne bovina, frango, ovos, feijão, Hortifruti, tiveram aumentos absurdos”.

 

Viviane conta que sua família, composta por três adultos e uma criança, tinha um custo mensal, em média, de R$ 800 a R$ 1.000. “Hoje em dia não conseguimos reduzir para menos de R$ 1.500”.

 

Para a auxiliar, em razão da pandemia e dos aumentos de combustíveis e de itens como farinha de trigo, gás, energia, a forma de consumo foi modificada. “Bem como o repasse dos próprios fornecedores também, que devido a demanda ter reduzido, foi uma das formas de poderem rever de alguma forma os prejuízos financeiros”.

 

Maior impacto sobre desempregados e baixa renda.

 

O que influencia a alta no preço dos alimentos? Economista explica e fala sobre impactos para famílias

Raíssa França e Maria Luiza Lúcio*

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29/08/2021 07:55

Supermercado

Supermercado / Raíssa França/CM

Nos últimos meses, a família de Joana Lins, 34 anos, precisou cortar alguns alimentos na hora de fazer a feira do mês. A carne foi substituída por uma opção mais em conta e os itens que são considerados ‘menos essenciais’ já não entram na lista de compras. Segundo Joana, essa é a primeira vez que ela sente a situação financeira apertar.

 

 

Ela contou ao Cada Minuto que ultimamente precisa escolher o que entra na feira. “Infelizmente, eu preciso optar por itens mais baratos ou cortar alguns. Carne mesmo? Nós tivemos que reduzir e estamos optando por enlatados, frango, ovos. É uma tristeza saber que estamos passando por isso”.

 

Joana trabalha como atendente em uma loja de Maceió e ganha um salário mínimo. A renda dela e do esposo é o que sustenta a casa que tem quatro pessoas. “Sou eu, meus dois filhos e meu esposo”, disse

 

“Nós estamos assando e comendo. Sinceramente, não sei porque as pessoas não estão revoltadas, sabe? Eu estou indignada com essa situação, com essa alta”, contou.

 

A auxiliar jurídica, Viviane Rosa Soares, 39 anos, também precisou fazer mudanças na hora da feira e, dentre outros itens, deixou de comprar carne bovina, tendo em vista o aumento.

 

 

Ela afirma que percebeu um aumento em vários produtos e, durante a pandemia, como muitas pessoas reduziram o trabalho ou perdeu o emprego, dificultou ainda mais. “Carne bovina, frango, ovos, feijão, Hortifruti, tiveram aumentos absurdos”.

 

Viviane conta que sua família, composta por três adultos e uma criança, tinha um custo mensal, em média, de R$ 800 a R$ 1.000. “Hoje em dia não conseguimos reduzir para menos de R$ 1.500”.

 

Para a auxiliar, em razão da pandemia e dos aumentos de combustíveis e de itens como farinha de trigo, gás, energia, a forma de consumo foi modificada. “Bem como o repasse dos próprios fornecedores também, que devido a demanda ter reduzido, foi uma das formas de poderem rever de alguma forma os prejuízos financeiros”.

 

Maior impacto sobre desempregados e baixa renda

 

 

A economista e professora, Luciana Caetano, afirma que o aumento nos preços dos alimentos exerce maior impacto sobre desempregados e trabalhadores com baixa renda. “A insegurança alimentar coloca o indivíduo na fronteira entre a vida e a morte. Muitas famílias ficaram desempregadas durante a pandemia e não recuperaram o emprego”.

 

Segundo ela, o maior impacto ocorreu entre empregadas domésticas, dentre todas as categorias profissionais. “No primeiro trimestre de 2019, Alagoas registrou 76 mil empregadas domésticas e, no mesmo trimestre de 2021, esse número havia caído para 65 mil, portanto, uma redução de 11 mil trabalhadoras (14,5%). Do universo que permaneceu empregada, 81,5% não possui carteira assinada”.

Luciana explica que uma das causas para o aumento é a elevação dos preços da água, combustíveis e energia elétrica, que atingem toda a cadeia produtiva. “Os alimentos chegam aos supermercados e feiras livres transportados por veículos automotores. O segundo item é a desvalorização cambial que elevou o preço dos fertilizantes”.

Além disso, a economista destaca que os produtos ofertados pelo agronegócio são influenciados pelas cotações do mercado internacional e, sendo fornecidos por grupos cartelizados, tendem a ser utilizados para testar o bolso do consumidor.

 

“Se o preço sobe e as pessoas continuam consumindo, significa que há margem para mais aumento. Com essa estratégia, o setor se apropria de parte importante da renda do consumidor. Um capitalista não oferta carne por estar preocupado com a saúde ou o almoço do consumidor, mas pela possibilidade de maximizar seus lucros”, ressalta.

 

Para Luciana, se os salários fossem reajustados mês a mês com base na inflação que deprecia cada salário, não haveria nenhum impacto.

 

“Todavia, a elevação da taxa de desemprego associada à depreciação dos salários, em parte, corroídos pela inflação e, em parte, achatados pelos efeitos da reforma trabalhista, produzem um brutal empobrecimento das camadas de menor renda que comprometem mais de 60% da renda com alimentação”, destaca.

Ela também salienta que, além da elevação dos preços dos alimentos, é necessário considerar o aumento do preço do gás, sem o qual alguns alimentos não podem ser consumidos, posto que dependem de cozimento.

 

“Do ponto de vista econômico, a elevação dos preços sem o devido reajuste dos salários, a elevação da taxa de desemprego sem um auxílio que compense a redução ou ausência da renda familiar, leva inevitavelmente à queda do consumo que tende a frear novos investimentos e impede o país de galgar o caminho da recuperação da atividade econômica com efetividade”, conclui Luciana.

Fonte : Cada minuto

 

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