“Não há certeza se estamos vivendo a segunda onda de Covid ou ainda a primeira”, dizem infectologistas

Alagoas já ultrapassou a marca de 2 mil mortes pela Covid-19 , doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). De acordo com os dados do Ministério da Saúde, Maceió faz parte das nove capitais do Brasil que registraram avanço no número de infecções. Esse aumento, segundo especialistas, pode levar à chegada de uma segunda onda da pandemia no país.
Ao CadaMinuto, o infectologista André Constant explica que ainda faltam informações concretas para afirmar a possibilidade de uma segunda onda de Covid-19 na capital. “Existem muitas informações, extraoficiais, de um aumento de número de casos aqui no nosso estado, porém os boletins diários divulgados pela SESAU ainda não mostram esses números, embora saibamos que esses boletins apresentam um certo delay natural. Desta forma faltam informações seguras para poder afirmar ou afastar a possibilidade de uma segunda onda de Covid-19”, afirma.
Questionado sobre a reinfecção por Covid-19 influenciar a segunda, o infectologista ressalta que existem muitas questões que ainda não foram respondidas com relação ao comportamento do novo Coronavírus, bem como das respostas imune dos pacientes por ele infectados. “Hoje o critério adotado pelo Ministério da Saúde para considerar o indivíduo suspeito de reinfecção pelo SAR-COV-2 é que este tenha dois exames de RT-PCR positivos com um intervalo igual ou maior que 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória e desta forma comprovar se existe variação genética do vírus. Desta forma buscar responder, em caso de isolamento do vírus nas duas amostras de RT-PCR, se existe ou não variação genética viral entre os dois quadros. Se confirmada essa variação genética a possibilidade de uma nova infecção é plausível”, explica.
Ele ressalta ainda que os estudos para determinar o tipo de imunidade e o tempo de permanência nos indivíduos pós-infecção ainda estão em andamento, não sendo ainda possível determinar, portanto, o período de proteção natural de um indivíduo pós uma infecção pelo SAR-COV-2.
Já para o infectologista Fernando Maia, ainda restam dúvidas se já estamos vivendo a segunda onda ou a primeira. “A gente não sabe exatamente se essa é a segunda onda ou se ainda é o final da primeira onda, mas o fato é que os casos têm aumentado bastante, inclusive essa semana dois hospitais fecharam a emergência porque já estavam com as UTIs cheias”, diz
Para Fernando mesmo que a vacina chegue ao Brasil, ainda será necessário que a população respeite as medidas de proteção durante um longo período de tempo. “Estamos aguardando ansiosamente que a vacina chegue, essa vai ser a única maneira que vai ter, se ela funcionar bem, da gente conseguir segurar um pouco essa onda do vírus. A Covid-19 é altamente contagiosa, então é preciso esperar a vacina para controlar o vírus e aos poucos voltar a nossa vida normal. Eu espero que 2022 a gente esteja com a nossa vida normal, mas até lá ainda teremos algumas restrições”, alerta o infectologista.
Ele explica ainda que a realização de comícios e demais eventos de campanha eleitoral por todo o estado durante o período eleitoral gerou aglomeração de pessoas. “A gente tem observado que a população não tem respeitado as medidas sanitárias de manter distanciamento, usar máscara e lavar as mãos. O período eleitoral contribuiu muito porque as pessoas saíram para passeata, carreata, comício, todo mundo sem máscara, todo mundo se confraternizando, realmente fica difícil a gente conter um vírus dessa maneira”, finaliza.
Relatos de reinfecção
A técnica de enfermagem Nara Lopes, contou a reportagem que foi surpreendida com uma possível reinfecção. “Sim! Já fui reinfectada. A primeira vez aconteceu em maio dia 09. Passei 14 dias isolada, fazendo uso das medicações e sem apresentar sintoma algum. No décimo quinto dia retornei ao trabalho (no mesmo setor de covid que já havia sido infectada). Trabalhei o mês todo sem sentir absolutamente nada! Em junho, comecei a apresentar sintomas fortes de dores no corpo todo, não sentia mais gosto nem cheiro, febre de 39 persistente, vômitos sempre que fazia uso da Azitromicina e fraqueza. Dei entrada novamente na emergência do hospital que trabalho e todo mundo ficou surpreso pelo fato de já existir antes uma infecção pela covid”, relatou.
Vale destacar que apesar da paciente e profissional da saúde fazer uso de medicações como Azitromicina, não há comprovação cientifica de que esse tipo de remédio venha trazer qualquer tipo de resultado no corpo humano.
A profissional da saúde, que atuava na linha de frente no combate ao Covid-19, contou ainda que realizou um novo exame e para a surpresa de todos acabou testando positivo novamente.
“Fiz uso de todas as medicações de novo, isolada mais 14 dias e com uma tomografia computadorizada apresentando até 50% dos pulmões comprometidos mesmo sem apresentar nenhum sinal de cansaço. Após finalizar o segundo isolamento de 15 dias, na consulta com um pneumologista, o mesmo afirmou que sim, foi uma reinfecção. Porém da segunda vez, mais pesada do que na primeira”, finalizou;
A empresária Ray Ferreira também contou à reportagem que testou positivo duas vezes. Conforme o relato da jovem, ela teve sua primeira infecção em março e agora acabou se contaminando novamente. “Fiz o PCR e deu positivo só́ que mais forte. Foi terrível. Quando eu melhorar vou investigar isso, e não quero pegar outra vez”, contou Ray.
O que diz a Sesau?
Conforme informações repassadas pela assessoria de comunicação do órgão, não há nenhum registro oficial de reinfecção em Alagoas e explicou ainda que esse informe de possível caso de reinfecção deve partir dos hospitais para que a pasta tome ciência do fato.
Ainda segundo a Sesau, é preciso que o paciente suspeito de reinfecção comprove sua primeira infecção e informe ao hospital onde está sendo atendido para que a comunicação interna possa ser realizada com muita clareza e transparência.
*Sob supervisão da editoria
Fonte:cadaminuto