Lula da início à campanha para reeleição no ABC paulista, ‘onde tudo começou’

Presidente inicia a busca pela segunda reeleição no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre sua campanha à reeleição neste domingo (16) em um evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, local dos primeiros comícios do presidente na década de 1970. Ele está ao lado de Fernando Haddad (PT), que tenta derrotar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo governo do estado de São Paulo.

Lula subiu ao palco após uma contagem regressiva de 13 minutos, em referência ao número de urna do PT. Ele assistiu a depoimentos de colegas do movimento sindical, com relatos sobre a repressão da greve na ditadura. Na sequência, recebeu o grupo presencialmente com uma versão instrumental do jingle “Lula Lá”, de 1989.

Em seguida, foram chamados o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), novamente companheiro de chapa de Lula na tentativa de reeleição, ao lado da esposa, Lu Alckmin, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), acompanhado da esposa Ana Estela. Fafá de Belém, anunciada como a “voz das Diretas Já”, cantou o hino brasileiro.

Segundo a discursar, Haddad comparou Lula ao governo Bolsonaro e criticou o rival.

— Eu poderia falar dos últimos feitos: da retomada do crescimento, do emprego, de como pela segunda vez Lula coloca a inflação de joelhos. Poderia falar apoio a universidades, educação, ao SUS, depois do completo descalabro do governo anterior. O presidente Lula herdou aquilo que ninguém imaginava ser possível corrigir em 3 anos. E deu condições de retomarmos o nosso sonho de uma nação soberana, democrática e justa.

Ao final, exaltou o presidente:

— Essa estrela chamada Lula. Essa estrela que nasceu na Vila Euclides, uma estrela que muita gente anseia apagar, o sonho de muita gente no Brasil é ver essa estrela apagar. Mas essas imagens estão correndo o mundo e eles vão saber que nossa estrela vai ficar acesa pra subir o Palácio do Planalto e mostrar que quem manda no Brasil não é o dinheiro, mas o suor de cada trabalhador e trabalhadora — afirmou Haddad.

O primeiro discurso ficou por conta de Benedita da Silva, candidata do PT ao senado pelo Rio de Janeiro. Na sequência, a primeira dama Janja da Silva começou a discursar e reclamou do som — fez uma brincadeira com ser “Tim Maia”. Janja fez um discurso direcionado às mulheres e homenageou Marisa Letícia, ex-esposa de Lula morta em 2017 após um AVC. “Foi ela quem bordou a primeira do PT, e a ela dedico toda a minha admiração”, disse. Recentemente, Janja declarou numa entrevista que o Brasil nunca teve uma primeira-dama tão ativa. Ela convidou o cantor gospel Kleber Lucas para uma das músicas de campanha.

Primeiro ato da campanha da reeleição do presidente Lula no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — Foto: Edilson Dantas / O Globo

O campo e as arquibancadas do Estádio 1° de Maio começaram a ser preenchidos a partir das primeiras horas da manhã, com caravanas de militantes. A área principal, com paletes no gramado, era dividida em dois setores. Candidatos ficaram perto do telão, no setor VIP, onde o esquenta do evento teve entrevistas.

Foram colocados bandeirões nas arquibancadas, que eram retirados à medida que o público extrapolava o espaço disponível. Fotos históricas e backdrops com pôsteres de eventos antigos incentivavam selfies e barulho nas redes sociais.

Um enorme telão foi montado ao fundo para transmitir os discursos e filmes preparados para o evento. Dele se estendia uma passarela de vários metros, com o chão revestido de vermelho, que tinha na extremidade uma pequena mesa com seis cadeiras e dois guarda-sóis.

Antes do palco principal, o evento começou com discursos de aliados de vários estados, como Santa Catarina e Paraná. As candidatas da chapa da esquerda ao Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também empunharam o microfone e falaram nos primeiros momentos do ato. Outros que discursaram foram representantes de movimentos sindicais de trabalhadores.

O encontro foi divulgado pelo PT como o mote “Onde tudo começou”, em referência às greves lideradas por Lula no ABC quando era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, em 1979, antes da fundação do partido. A ideia é destacar a “biografia” do petista e a conexão com os trabalhadores. A assessoria de Lula, estima o público esperado em 20 mil pessoas.

Geraldo Alckimin, Lula e Haddad em evento em São Bernardo — Foto: Reprodução/PT/YouTube

Pesquisa

Lula começa oficialmente a campanha pressionado pela piora no cenário de intenção de voto em um eventual segundo turno e a consolidação de um empate com Flávio Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira — a primeira contratada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO — mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 40%.

Na prática, o resultado faz com que se volte ao patamar anterior ao caso “Dark Horse”, quando, em meados de maio, soube-se do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master. Depois dali, Lula chegou a abrir oito pontos de distância para o adversário no segundo turno, mas a vantagem caiu. Hoje, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o placar configura empate.

Se comparada ao levantamento divulgado no início da campanha de 2022, a sondagem de ontem mostra Lula em situação mais desconfortável agora. Há quatro anos, ele tinha 51% de intenções de voto na projeção de segundo turno contra Jair Bolsonaro, que recebia 38%. No primeiro turno, 45% a 33%.

Rejeição

Outro desafio para o petista é que a nova pesquisa Quaest mostrou que a desaprovação ao governo voltou a ultrapassar numericamente a aprovação. De acordo com o instituto, 48% desaprovam a gestão do petista, enquanto 46% aprovam. Além disso, 6% não sabem ou não responderam.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Na última rodada realizada pelo instituto, no começo de agosto, essas taxas foram de 48% de aprovação e 47% de reprovação. Há um ano, a desaprovação era de 51% e, no mês passado, de 47%. Já a aprovação foi de 46% para 48% entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Início da campanha

A campanha de Lula avalia que o início oficial da disputa abrirá espaço para explorar os pontos fracos do candidato do PL. Petistas apostam que a exposição permitirá desgastar a imagem do adversário. O cenário de estabilidade em relação à pesquisa anterior e a liderança de Lula também são citados, bem como as possíveis vantagens do enfrentamento direto entre as duas candidaturas.

— As pesquisas refletem neste momento a instabilidade do eleitor. Vamos começar ainda a campanha de rádio e TV. É quando vamos poder debater proposta, projeto e o que a candidatura do presidente Lula representa — afirma o presidente do PT, Edinho Silva.

O PT prepara uma artilharia para atacar o adversário, com destaque para o caso “Dark Horse”. A campanha de Lula pretende ainda investir na comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, resgatando imagens e declarações do ex-presidente sobre temas como a pandemia da Covid-19.

Fonte o Globo

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo