A diferença do Lulinha para um lobista comum

“Além do óbvio impacto político, com potencial de atrapalhar a campanha do presidente Lula à reeleição, as revelações sobre o modus operandi do grupo de lobistas reunido ao redor de seu filho Fabio Luís, o Lulinha, merecem ser vistas também sob a ótica do prejuízo à democracia.
Mais uma vez, o Brasil se depara com um escândalo envolvendo figuras com acesso privilegiado a integrantes do governo federal, facilitando reuniões e pressionando por políticas públicas destinadas a atender a interesses privados.
Desde a presidência de Fernando Collor (1990-1992), quando seu fiel escudeiro PC Farias faturava com a venda de favorecimentos e de influência, as áreas de Relações Governamentais de empresas e associações setoriais, além de agências especializadas, lutam para desvincular a palavra ‘lobby’ de ‘corrupção’.
Existem diferenças muito claras entre o lobby legítimo e a atuação do grupo que, segundo investigação da Polícia Federal, se valia de Lulinha para abrir portas. A primeira é a natureza da influência exercida.
No lobby que se atém às melhores práticas éticas, a influência é exercida por meio de argumentos técnicos. Para formular políticas, os agentes públicos precisam de dados e análises que o governo nem sempre produz e possui.
O lobby se faz essencialmente pelo fluxo de informação entre agentes sociais e públicos. Assim, uma associação industrial traz informações sobre o impacto de determinada decisão nos investimentos, um sindicato apresenta o efeito sobre os empregos, uma ONG mostra os prejuízos ou benefícios para o meio ambiente, etc.
Ou seja, o lobby leva as opiniões e os interesses diversos que caracterizam um dos pilares da nossa democracia — o pluralismo — ao conhecimento dos tomadores de decisão, que terão o desafio de ‘harmonizá-los’.
Já o tipo de influência descrito nos inquéritos da PF a respeito de Lulinha e seus amigos é de outra natureza: ele usa a proximidade familiar com o presidente como ativo de negócio.
Fonte TNH1 C/ Coluna Contextualizando P/ Flávio Gomes de Barros



