Ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), impuseram derrota histórica à família Calheiros em Alagoas neste domingo. Lira derrotou o senador Renan Calheiros (MDB), que buscava o quinto mandato consecutivo no Senado, enquanto JHC derrotou Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo do estado.
Com 97,77% das urnas apuradas, JHC tinha 52,04 dos votos, ante 47,53% de Renan Filho. No Senado, Lira tinha 28,84%, seguido de Marina JHC (PSDB), casada com JHC, com 28,15%. Renan Calheiros marcava 22,33%.
Calheiros buscava seu quinto mandato consecutivo — ele foi eleito pela primeira vez ao Senado em 1994, tomando posse no ano seguinte. Foi presidente do Senado por três vezes.
A eleição deste ano em Alagoas foi marcada por ser o primeiro embate direto nas urnas entre dois adversários políticos —Lira e Renan— e por um vaivém às vésperas do prazo limite para registro das candidaturas que envolveu até mesmo acordos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula apoiava a família Calheiros no estado. Renan Filho foi ministro dos Transportes do presidente e era considerado um dos auxiliares mais bem avaliados pelo petista. Renan Filho foi eleito duas vezes ao governo de Alagoas e hoje está no meio de mandato de senador pelo estado.
O ex-ministro tinha como principal adversário JHC. O ex-prefeito de Maceió deu sinais trocados no último ano, buscando acordos tanto com o PT quanto com a oposição de Lula, e deixou para as últimas horas do prazo da Justiça Eleitoral para esclarecer qual posição buscaria nas eleições.
Segundo pessoas que acompanharam as conversas, o candidato do PSDB fez um acordo com o presidente da República de que não disputaria o governo e seguiria na prefeitura e, em troca, o petista nomearia a procuradora de Justiça Maria Marluce Caldas Bezerra, tia dele, a uma vaga ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Marluce foi indicada a uma vaga na Corte, mas o ex-prefeito não cumpriu o acerto e deixou a prefeitura no prazo de desincompatibilização, em abril.
Depois disso, chegou a sinalizar a interlocutores dos Calheiros e integrantes do PT e do Palácio do Planalto que disputaria uma vaga ao Senado, dificultando a vida de Lira no estado. Lira e JHC são do mesmo campo político, e o ex-presidente da Câmara criticou duramente o movimento do aliado, falando em traição, além de cobrá-lo para que não entrasse na disputa ao Senado. No meio desse processo, Lira costurou com o PL para tirar Alfredo Gaspar da disputa ao Senado. O deputado federal acabou sendo indicado para a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, abrindo caminho para Lira não disputar com outro nome competitivo do campo da direita.
Poucas horas para o fim do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para registro de candidaturas, JHC —que vinha fazendo mistério sobre qual cargo disputaria— anunciou que seria candidato ao governo e lançou a esposa para a outra vaga ao Senado.
Lula também buscou um acordo para lançar Lira e Renan na mesma chapa, mas essa tese foi rechaçada e não saiu do papel. Oficialmente, o petista apoia Renan e o deputado estadual Dr. Wanderley (MDB) para as duas vagas ao Senado. Apesar disso, Lula se aproximou do ex-presidente da Câmara e não considera ele como um adversário.
Inicialmente, a equipe de campanha de Lula tinha recomendado que ele não fizesse atos políticos em estados onde ele tem apoio de mais de um grupo político, como o caso de Alagoas. Mas após pesquisas eleitorais mostrarem cenário acirrado para eleição e apelo da família Calheiros, o presidente viajou a Maceió no fim de setembro e participou de ato ao lado dos aliados. De acordo com relatos, aliados de Lula buscaram Lira para comunicar da viagem e afirmar que não haveria nenhum ataque contra o ex-presidente da Câmara, justamente para evitar qualquer ruído com o parlamentar.
Fonte O globo foto reprodução
