As eleições já produziram dois zumbis políticos, um Executivo sem condições de governar e um STF sem condições de operar. Uma vitória de Lula no segundo turno (improvável, mas não impossível) prolongaria duas agonias.
A principal causa da perda de governabilidade do Executivo é o fim do lulopetismo, claramente expressado nas eleições. Há movimentos populistas que sobreviveram a quem lhes deu o nome (o peronismo é o melhor exemplo), mas o ciclo de Lula se fechou. Sem que esteja muito claro o que virá depois – antipetismo apenas não formará governo algum.
No distorcido sistema de governo brasileiro, um presidente emparedado por esmagadora maioria de oposição no Congresso e pelo uso de emendas parlamentares será um personagem pior que a Rainha da Inglaterra. Essa, pelo menos, é uma figura que sempre comandou respeito.
A ala de força no STF perdeu as eleições nas quais apostou boa parte da própria sobrevivência. Nos seus termos mais amplos, o repúdio que as urnas demonstraram em relação ao Supremo tem a ver com um poderoso símbolo. A Corte não é mais vista como guardiã de democracia ou da luta contra a corrupção. Ao contrário, e isso é gravíssimo (se é injusto ou não, pode-se debater.)
Essa ala tentou algo muito difícil, lutar contra o que se poderia chamar de ‘memória coletiva da Lava Jato’. Ela persiste no sentido de que os poderosos no Brasil nunca são punidos (a Lata Jato trazia essa esperança) e que os privilegiados da alta burocracia estatal sempre sairão vencedores, ampliando seus privilégios e ferramentas de poder.
De fato, ela não entendeu que o antagonismo na questão das investigações do Master não era simplesmente qual facção do STF favorece qual grupo político, como se fossem dois grupos equivalentes. Trata-se de um tipo de embate no qual uma imensa parcela do público cobra condutas em linha com um ‘senso comum de moralidade e ética, que não se vê no comportamento de alguns integrantes da corte.
Não está claro para onde vamos.”
Fonte TNH1 C/ Coluna Contextualizando
