Foi num noite dessas, de grande insônia, em que os tambores da noite não me permitiam dormir, que eu fui para a varanda e escutar qualquer música que a mim viesse.
Então chegou, através do celular a musica Vilarejo, dos Tribalhistas.
A letra fala de um pequeno vilarejo, onde há frutas em qualquer quintal, pão em todas mesas, terra de heróis, onde o horizonte deita no chão, flores enfeitando os caminhos, lá o tempo espera, lá é primavera, lá o verdadeiro amor…
Então, fechei meus olhos e me transportei para minha ruazinha, na velha Penedo, rua do Amparo. Sentei-me num pequeno degrau , em frente ao portão da entrada da casa onde vivi minha infância.
Era noite alta, as estrelinhas no céu cantavam como os grilos, o vento dormindo nas calçadas e a ruazinha dormia a meia luz!
De repente comecei a ouvir e ver o que eu tinha me distanciado há muito tempo. Olhei para o beco do carvão e vi meu saudoso pai “Som” chegando com um balde de leite. Veio na minha direção e eu me espremi no pequeno degrau para ele passar. Cantarolando, abriu o portão e entrou “todo contente. Fechou o portão e eu fiquei o olhando por um pequeno furo na madeira.
De repente , na janela ao alto, minha mãe apareceu dizendo: Francisco, suba, venha tomar café!
A rua então tinha acordado. Seu Milton e dona Ana , pais do meu amigo Cosme, já saiam para o trabalho, dona Rosina com seu Fernando me olhavam tentando lembrar de mim, as Lopes conversavam no quintal da casa delas, os pais de outro velho amigo Biel , passaram na minha frente.
Chegaram então dois homens com jumentinhos carregados de carvão e começaram a vender. Era Seu Manoel e seu filho Antônio do Carvão.
Lá também estavam dona Olga, dona. Pureza, América, dona Laura , Carlinhos rola bosta, Toti, Lulão, Wilson Pimenteira, Ivanildo e Irineuzinho, Tonho Goes, o sapateiro Totó, dona Zefa e seu Dudu …tanta gente.
Sim, eu estava na minha pequena rua, eternamente minha, lembrando da grande história de amor, minha feliz infância!
Com o coração ardente, elevei minhas preces ao céu, agradecendo por cada um daqueles moradores que agora habitam na rua do Amparo celestial!
