Durante cerca de 45 dias, vamos assistir a promessas mirabolantes, lavagem de roupa suja em público, alianças surpreendentes e a muito cinismo em comícios, guia eleitoral, debates, entrevistas e redes sociais.
Além, naturamente, a promessas que não serão cumpridas.
É do que trata o texto a seguir, de Nuno Vasconcellos:
“Quem se habituou a olhar a política brasileira como um poço de defeitos terá, a partir de hoje, motivos para se sentir ainda mais desanimado. Embora as candidaturas já estejam nas ruas desde o ano passado, foi dada a largada oficial da campanha para as eleições deste ano. De agora em diante, os candidatos poderão deixar de lado a linguagem cifrada que utilizaram até aqui e se dirigir sem subterfúgios ao eleitor para pedir o voto.
Antes de prosseguir, é preciso deixar claro um aspecto fundamental. A campanha eleitoral é extremamente importante e, por essa razão, deve ser acompanhada com lupa. Não existe democracia sem eleição, da mesma forma que não existe eleição sem campanha. Esta é, portanto, uma hora decisiva, em que os políticos fazem de tudo para conquistar a confiança e o voto do eleitor. O momento em que precisam deixar claro não apenas o que têm a oferecer à sociedade, mas, também, aquilo que os diferencia dos adversários. Até aqui, tudo bem.
O problema é que, a cada campanha, o debate no Brasil tem se reduzido a uma troca de acusações permanente — em que as narrativas se mostram mais importantes do que os fatos. As campanhas no Brasil têm sido marcadas por situações em que as propostas políticas muitas vezes são mantidas ocultas atrás das estratégias de marketing. E, muitas vezes, adotam estratégias que, ao invés de ressaltar as propostas do candidato, se concentram em criar embaraços e a ‘desconstruir’ a imagem do adversário.
Fonte TNH1 Coluna Contextualizando P/ Flávio Gomes de Barros
