Neabi fortalece debate antirracista com minicurso no Ifal Penedo
Atividade conduzida por liderança do Oiteiro reuniu estudantes em reflexões sobre preconceito, racismo recreativo e propostas para ampliar ações no campus

Na última sexta-feira (15), o combate ao racismo e a construção de uma educação mais inclusiva no Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo estiveram no centro das discussões promovidas pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi). O minicurso “Desenvolvendo uma educação antirracista e combatendo todo tipo de preconceito”, realizado nos turnos da manhã e da tarde, reuniu cerca de 70 estudantes da unidade de ensino interessados na pauta.
A atividade foi conduzida pelo educador Lucimar da Purificação Angelo, presidente da Associação Cultural Quilombola do Oiteiro-AL (Acquio) e articulador da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), no município de Penedo.
Segundo o coordenador do Neabi, Juliano Mota, a proposta inicial do minicurso era oferecer embasamento teórico para as produções dos alunos voluntários do núcleo, como artigos, infográficos e registros fotográficos. “No entanto, devido à procura, a ação foi ampliada para todos os nossos estudantes, com adesão bem significativa”, destacou o docente.
Reflexões, escuta e protagonismo estudantil
Durante o encontro, o educador Lucimar apresentou aspectos históricos e culturais da comunidade quilombola do Oiteiro, além de discutir diferentes formas de manifestação do racismo no cotidiano, incluindo práticas veladas e o chamado racismo recreativo. A metodologia adotada combinou exposição dialogada, análise de vídeos e músicas, além da construção coletiva de propostas voltadas ao fortalecimento da educação antirracista no ambiente escolar.
A estudante Nathalia Larissa de Santana Lima, bolsista do Neabi, ressaltou que o minicurso também estimulou reflexões sobre identidade, diversidade e respeito às diferenças. Entre as atividades, os participantes refletiram sobre a letra da música “Canto para o Senegal”, grande sucesso afro-brasileiro lançado originalmente em 1987 pela banda baiana Reflexu’s.
“Compreender o que é o preconceito, como ele se manifesta e de que forma o racismo está presente na sociedade, foi muito importante e colaborativo para quem participou. A formação também contribuiu para entendermos o papel do Neabi e os trabalhos desenvolvidos pelo núcleo em relação à valorização da diversidade, respeito e inclusão”, ressaltou Nathalia, que cursa o 2º ano do técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio.
Além do aprofundamento teórico, o momento incentivou o protagonismo dos estudantes, que apresentaram ideias sobre ações que podem ser implementadas pelo Ifal Penedo para fortalecer práticas antirracistas e ampliar o enfrentamento a diferentes formas de preconceito. “Para além do debate teórico, foi um momento de escuta dos discentes e confecção de um produto para, em breve, ser divulgado”, adiantou o professor Juliano.
Lucimar enfatizou que o minicurso é mais uma ação resultante da parceria construída entre a associação cultural e o Neabi, desde o ano passado. Para o educador e líder comunitário, o intercâmbio tem contribuído tanto para ampliar o debate sobre educação antirracista entre os estudantes quanto para estreitar os vínculos entre o Ifal Penedo e a comunidade do Oiteiro. “Neste ano, já realizamos atividades no dia 13 de maio, além de outros diálogos, e agora promovemos este minicurso como forma de reforçar ainda mais esses laços”, concluiu.
Fonte IFAL
Reflexões, escuta e protagonismo estudantil


