A incontestável atuação do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), que culminou na condenação de Janadaris Sfredo, acusada de ser a mandante da morte do advogado Marcos André de Deus Félix, resultando em sentença de 28 anos de prisão, foi repudiada por seus defensores, que ingressaram com recurso de apelação visando à redução da pena. Nesta quarta-feira (11), o procurador de Justiça Luiz Vasconcelos fez sustentação no Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), para que fosse mantido o resultado do julgamento, ocorrido há oito meses, o que foi acatado pela Corte. Na ocasião, o MP/AL contou com a atuação do assistente de acusação Roberto Moura.
Para o membro ministerial, não havia fundamentação que pudesse modificar a condenação, visto que as provas anexadas aos autos foram mais do que suficientes para valorar o crime cometido por Janadaris. A sustentação verbal, afirma, e o indeferimento da apelação dos advogados serviram para confirmar a justiça feita em 15 de agosto de 2025.
“O caso da Janadaris foi um entre os tantos em que fizemos a sustentação hoje. Já havia parecer nos autos, bem esclarecedor, que não deixava dúvida sobre a autoria intelectual. Foram reforçados vários pontos, entre eles o menosprezo pela vítima, mostrando, inclusive, saques feitos por ela no mesmo dia para pagar os executores. E, por unanimidade, o recurso de apelação da defesa foi indeferido”, explica o procurador de Justiça Luiz Vasconcelos.
Já o assistente de acusação, Roberto Moura, enalteceu a decisão técnica da Câmara Criminal do TJ/AL e disse acreditar que, nesta quarta-feira, definitivamente foi feita a justiça.
“Hoje é um dia de justiça. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, de forma unânime, manteve a condenação de Janadaris Sfredo a 28 anos de reclusão pela morte de Marcos André de Deus Félix. Foi uma decisão técnica, fundamentada e corajosa, que reafirma que nenhum crime fica impune quando o sistema de justiça funciona como deve. Marcos André era advogado. Foi assassinado por exercer o seu ofício — por ter representado bem um cliente e vencido uma causa. Isso é inaceitável em qualquer sociedade que se pretenda democrática. A manutenção da pena é uma mensagem clara: a advocacia não pode ser alvo de quem não aceita perder dentro das regras do direito. Expressamos nossa satisfação em nome de Manoela Alessandra de Deus Félix, irmã da vítima, e de toda a família Félix. Foram quase doze anos de luta. Hoje, a memória de Marcos André é honrada. Sua morte não foi em vão, e seu nome não será esquecido. Janadaris Sfredo permanece presa no Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió, onde cumprirá sua pena. A Justiça chegou — e chegou de forma definitiva, acreditamos”, ressalta.
O caso
A vítima, Marcos André, era advogado do proprietário da pousada arrendada por Janadaris (à época também advogada) e por seu esposo, Sérgio Sfredo. As insatisfações do casal teriam começado porque o dono do estabelecimento ingressou com ação de despejo contra eles, em razão de atrasos no pagamento do aluguel.
O advogado foi emboscado por dois homens contratados por Janadaris e, nas proximidades do hotel, logo após sair da praia do Francês — onde já vinha sendo seguido — foi atingido por três tiros à queima-roupa. A vítima ainda sobreviveu alguns dias e, durante o período de internação, confidenciou, por meio de escrita, a um amigo advogado, a intenção de Janadaris de matá-lo, afirmando ter sido ela a responsável por tudo.
Marcos André foi baleado no dia 14 de março de 2014 e morreu no dia 27 do mesmo mês, no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA). O advogado deu entrada na UTI com lesões graves no tórax e no abdome.
