Política

Rodrigo Cunha: apoio a Randolfe Rodrigues nas críticas ao ministro Ricardo Vélez

O senador alagoano Rodrigo Cunha (PSDB) voltou a apoiar o também senador Rodolfe Rodrigues (REDE) nas críticas feitas ao ministro Ricardo Vélez após a solicitação (e não obritatoriedade) para se cantar o Hino Nacional nas escolas.

Inicialmente, Vélez havia colocado em um texto a ser lido no ambiente escolar o slogan usado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL): “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Em minha visão, um erro. Mas tirando isso, a ação da execução do Hino não tem polêmica alguma.

O problema em si não é o Hino Nacional, cuja execução já é prevista em lei desde o governo petista. É um símbolo nacional e pode muito bem ser usado em escolas, tanto para buscar despertar o sentimento cívico, como para que os alunos conheçam efetivamente a História do país e o que faz parte dela.

A polêmica se dá em relação ao uso do slogan e das filmagens dos alunos. Todavia, o ministro Ricardo Vélez reconheceu o equívoco e a filmagem, se feita, deve ser com autorização dos pais. Quanto ao slogan, foi retirado.

Mas, o opositor Randolfe Rodrigues – ex-PSOL – criticou o ministro e sugeriu que fosse conhecida a realidade das escolas. O ministro conhece e já descreveu esta diversas vezes em entrevistas. Pesquisa, senador. Pesquisa que acha. Insinuar que sugerir o Hino porque o governo não tem conhecimento do resto é uma piada.

De fato, a situação da Educação em todo o país atravessa sérios problemas que não consiste apenas em doutrinação, ou o uso político-partidário, mas também de estrutura, valorização dos professores, centralizações, disciplina, enfim: um show de precariedades.

No entanto, é um problema de décadas – passando pelos governos petistas que foram apoiados pela esquerda, incluido Rodrigues – e resulta nos índices que vemos, com o Brasil sempre ocupando lugares tenembrosos nos rankings de avaliação.

Mas, somente agora, de forma conveniente, se sugere que se filme as estruturas das escolas para enviar ao ministro, em um governo que tem dois meses no poder. Esse governo herda o estrago. Não foi ele que criou. E agora, assume a missão de melhorar como pode. Espero que consiga.

Onde estava toda essa indignação de Rodrigues no passado?

Quanto à Cunha, é verdade que, na Assembleia Legislativa, travou discussões sobre Educação cobrando ações em relação ao governo estadual. Que o senador alagoano não embarque nessa de “oposição pela oposição”, mas que mantenha  a independência que tinha no parlamento estadual.

Afinal, há sim que se cobrar do atual governo federal e criticar o que deve ser criticado. Só que Randofe Rodrigues cumpre um papel específico nessas críticas de hoje, pois lhe faltava a mesma garra no passado, sobretudo em épocas do PSOL.

Que Cunha não esqueça que Vélez já apontou para a preocupação com a alfabetização, a descentralização na tentativa de fazer com que os recursos cheguem na ponta sem tanta burocracia, e a meta de priorizar o ensino fundamental e básico. Isto está no site do Ministério da Educação (MEC).

Que isso seja cobrado e acompanhado. Porém, que não ache que por conta de sugerir a execução do Hino Nacional na escola, o ministro estaria eliminando o resto ou querendo deixar de enfrentar os problemas que herda. São coisas diferentes.

A sugestão do Hino Nacional é somente uma ação e o Ministério não se resume a isso. Filmar a situação das escolas é casuísmo puro, pois é uma realidade conhecida. Serve apenas para inflamar a oposição e colocar Vélez na berlinda mesmo sem ter sido o gerador do problema, mas sim um governo novo que ainda precisa desenvolver sua gestão.

Agora querem a solução em dois meses?

Olhem para a lista de prioridades de Vélez, que foi publicada pelo MEC ainda em 2 de janeiro de 2019: o ministro fala em investimentos na educação básica, combate ao analfabetismo, fortalecimento de creches e escolas, educação de jovens e adultos e foco em projetos que atendam aos que possuem deficiências.

Eis uma das falas visa a educação superior:

“Daremos atenção especial, também, aos fundos de investimento em educação e ao ensino privado, para fortalecer a qualidade dos cursos oferecidos. Nas universidades, vamos melhorar a gestão dos recursos para que haja estímulo às linhas de pesquisa científica e tecnológica que irão fomentar políticas públicas de educação com qualidade. Há um compromisso assumido com o Brasil e a educação de todos”.

E aí, o ministro pode sim (e deve!) ser cobrado pelo que diz. Porém, fazer transparecer que a questão do Hino Nacional está acima disso ou que é o ponto principal de uma ação do MEC, sendo o resto excludente, é de uma bobagem extrema. Coisa de quem quer – no popular – “lacrar”.

Há formas sérias de se fazer oposição. Por exemplo: quem discutiu sobre o slogan – como fez até o movimento Escola Sem Partido – pedindo a retirada dele, fez uma discussão produtiva. Mostrou ao Ministério o erro. O MEC voltou atrás. Ponto final.

Agora, estimular que se “filmem a condição das escolas, a situação das salas de aula e os contracheques de todos os trabalhadores da Educação e enviem para o ministro da Educação” como protesto orgânico é algo sem efetividade alguma. Isso já é filmado, mostrado, alardeado por jornais, revistas, televisões. É algo que já existe e deve continuar existindo, pois a imprensa séria também tem seu papel de cobrar.

É claro que esses males devem ser denunciados e cobradas ações efetivas. São males dos quais qualquer governo tem ciência e a obrigação de buscar resolver.

Ricardo Vélez tocou em muitos deles em suas entrevistas, inclusive falando de planejamento para aplicação correta de recursos financeiros para formação e valorização de professores. É só pesquisar que acha. Porém, são problemas que não se resolvem do dia para a noite.

Se Cunha quer tomar uma ação interessante e produtiva nesse sentido, sugiro que ao invés de pegar a onda de Randolfe Rodrigues, solicite – na condição de senador da República – detalhes do planjamento do MEC, com o apontamento das prioridades, saber o que já tem sido feito para além das polêmicas midiáticas, como anda a estruturação da política de alfabetização e tudo aquilo que corresponde à fala do ministro para saber se os encaminhamentos práticos estão sendo dados.

A área é muito sensível e é preciso sim acompanhar de perto. Já que Rodrigo Cunha entende isso e tem essa preocupação honesta, ele pode ir além das baboseiras de um Randofe e contribuir de fato com o país, exercendo um crítica para qual é preparado, haja vista os posicionamentos que teve em Alagoas e que resutou em sua votação com méritos.

Pois é de solução efetiva que alunos, alunas, pais e mães precisam. Com isso em mãos, o senador tucano poderá ser mais cirúrgico nas cobranças, críticas e sugestões. Papel que cumpriu muito bem quando deputado estadual. Essa independência e/ou oposição séria é produtiva. A outra é carnavalesca. Cunha é competente e melhor que Randolfo Rodrigues. Tem mais competência para ser independente e até para ser oposição caso deseje.
cadaminuto

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