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Renan Filho atrasa envio de sementes e 100 mil produtores são prejudicados em AL

Entidades afirmam que ano agrícola está perdido e que fome e miséria devem atingir produtores pelo Estado; governo abre cadastro para inscrição

O tempo chuvoso nesta segunda-feira (8), inclusive em municípios do Sertão, mostra que o momento é ideal para arar a terra e plantar. Mas essa realidade parece distante para milhares de pequenos produtores rurais, que dependem de sementes doadas pelo Estado para o cultivo de alimentos como milho, feijão e arroz. Para ter acesso às doações, os produtores ainda terão que fazer inscrição na Emater, por decisão de Renan Filho (MDB), até o dia 31 de julho. A medida deve prejudicar aproximadamente 100 mil agricultores familiares em todo o Estado, segundo previsão da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Alagoas (Fetag Alagoas).

“A orientação da Fetag Alagoas é para que os agricultores familiares não realizarem o cadastro na Emater. O governo está equivocado e estas sementes só vão servir para serem plantadas o ano que vem. Agosto é mês de colheita e não de plantação. O ano agrícola já acabou e estamos bastante preocupados com a situação de fome e miséria que deve ocorrer pelo Estado”, posicionou-se Givaldo Teles, presidente da Fetag Alagoas.

De acordo com ele, pelo edital publicado pelo governo, cada pequeno agricultor deve receber entre 10 e no máximo 20 quilos de sementes e, no caso dos produtores ribeirinhos, até 150 quilos.

Como a distribuição das sementes deveria ter ocorrido entre os meses de abril e maio, como nos anos anteriores e agora deve ficar ainda mais distante, o governo de Renan Filho tem dito que os produtos devem ser utilizados pelos agricultores que usam tecnologia na lavoura, o que inclui áreas irrigadas. Para Givaldo, outro erro cometido, pelo fato de sequer os agricultores que existem ás margens do Canal do Sertão, por exemplo, terem essas condições para o plantio.

“O governo não dialogou com os agricultores e depois, como resposta, veio com recursos de R$ 5,8 milhões do Fecoep (Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza) para a compra das sementes. O governo não libera sequer a outorga para uso da água aos pequenos agricultores que vivem às margens do Canal do Sertão e que não têm condições nem mesmo de comprar canos para irrigar suas terras”, acrescentou o presidente da Fetag.

Mesmo diante deste situação lamentável, somente após o cadastro na Emater é que a Secretaria Estadual de Agricultura deverá formalizar todo o processo e então iniciar a entrega das sementes. Mesmo assim, conforme representantes dos trabalhadores rurais, os pequenos produtores já não terão mais condições de seguir com as plantações. Eles sabem que o tempo e o clima, importantes e decisivos para o cultivo das lavouras, já não mais contarão a seu favor.

Como resultado desta política equivocada do governo, aproximadamente 300 famílias de agricultores familiares, somente em Arapiraca, terão que se virar sem a ajuda governamental, caso queiram produzir este ano. No Sertão, conforme Givaldo, a situação é muito pior devido ao clima seco e a falta de condições econômicas dos agricultores.

Situação inviável

Sem concordar com a atual situação imposta pelo governo, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arapiraca também decidiu sequer participar do cadastro dos agricultores, para evitar maiores desgastes com seus associados. Em 2018, após verificar e registrar a necessidade de cada pequeno produtor, a entidade chegou a encaminhar pedido de 14.600 quilos de sementes para distribuição e recebeu do governo menos que a metade desta quantia, pouco mais que 5 mil quilos, segundo informou o presidente do sindicato, Geraldo Balbino. Este ano, para ele, a situação se tornou inviável.

“Este ano se tornou um desgaste muito grande para a gente. Se a gente decidisse fazer o cadastro, geraria uma expectativa nos agricultores, sem que a gente saiba o que vem pela frente. Receber semente em agosto, servirá para que? Não vamos fazer papel de bobos. O que governo, se quiser, que o faça”, pontuou o sindicalista.

Balbino reforçou ainda que, em reunião com representantes da Agricultura e Emater, chegou a sugerir que verificassem a data de validade das sementes que serão compradas, armazenassem e distribuíssem ano que vem, dentro do tempo correto para a plantação, entre os meses de março e abril.

“Eles disseram que as sementes a serem distribuídas este ano, devem ser utilizadas por quem usa tecnologia, que inclui ter áreas irrigadas. Mas quantos pequenos agricultores temos que trabalham com tecnologia? E quem tem não é pequeno, é um produtor com maior poder aquisitivo, um agricultor que não necessita da doação de sementes”, lamentou Geraldo Balbino.

Agricultura sem respostas

Na Secretaria Estadual de Agricultura, a informação sobre a questão é de que o secretário adjunto da pasta, Henrique Soares, é quem estaria por dentro do assunto e com quem deveria se tratada a situação. Vários contatos foram feitos para ele, mas sem sucesso no retorno. Recentemente, o então titular da secretaria, o ex-governador Ronaldo Lessa, decidiu deixar a função, após ver as ações da pasta inviabilizadas pela gestão estadual, comandada pelo governador Renan Filho (MDB).

Na Emater, a gerente de Operações Técnicas, Rita Ferreira, comunicou que as inscrições aos pequenos agricultores prossegue até 31 de julho e podem ser feitas em qualquer escritório do órgão pelo Estado. “Nas comunidades mais distantes, extensionistas da Emater estão se dirigindo até os locais, para realizar as inscrições de forma manual, onde não há internet”, acrescentou.
gazetaweb.globo.com

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