Polícia Civil conclui inquérito do caso Roberta Dias

Na última sexta-feira (1), a comissão de delegados responsável pela investigação do caso Roberta Dias – que estava gestante e foi vista pela última vez em 2012, na cidade de Penedo -, foi finalmente concluído e remetido à Justiça. E apesar de ter dado o caso como encerrado, a Polícia Judiciária não revelou se pediu a prisão de suspeitos de envolvimento na morte da estudante, alegando que o inquérito tramita em segredo de Justiça.

Com mais de mil páginas, a investigação – que se arrastou por seis anos – foi concluída um mês após o vazamento de laudo da Polícia Federal (PF) que descrevia diálogo entre o então namorado da vítima e um amigo do suspeito, que teria cometido o crime por não aceitar a gravidez da jovem. Pressionados, os delegados convocaram a imprensa para assegurar que o caso não havia caído no esquecimento.

De acordo com o documento da PF, o ex-companheiro de Roberta fala sobre o crime, relatando, com frieza de detalhes, como teria sequestrado, assassinado e ocultado o cadáver da estudante. O material, inclusive, teria sido entregue à Polícia Civil no dia 03 de outubro de 2017. Porém, mesmo com o forte indício, os responsáveis pela investigação não solicitaram a prisão de Saulo Araújo.

O diálogo periciado pela PF contradiz o que o inquérito da Polícia Civil de Alagoas concluiu à época, elucidando questionamentos que seguiam sem resposta, entre eles, a localização do corpo de Roberta, que sumiu no dia 11 de abril de 2012, e de que forma a jovem foi assassinada.

Agentes da Polícia Civil chegaram a ser presos em abril de 2014, quando apontados como os responsáveis pela execução da jovem. Suspeita de ser a mandante do crime, a mãe de Saulo, Mary Jane Araújo, também foi detida, sendo libertada dois meses depois, quando expirado o prazo da prisão temporária.

Mês passado, após o vazamento do conteúdo do laudo da PF, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) criticou a morosidade da investigação e cobrou o afastamento dos delegados, com o Ministério Público Estadual (MPE) abrindo um procedimento para exigir explicações da Polícia Civil.

Indignação

A solicitação de apoio da Polícia Federal no caso teria sido enviada pelo delegado Cícero Lima, presidente do inquérito, ao setor técnico-científico da Superintendência da PF em Alagoas ainda no ano de 2016. Para a mãe da vítima, Mônica Dias, não há uma explicação plausível para o fato de o principal suspeito continuar solto.

“O que mais a polícia precisa para efetuar a prisão? Minha filha foi morta por estar grávida. Vocês têm filho e, por isso, peço que se sensibilizem para que os criminosos sejam presos. Não quero a morte de ninguém. Só quero que a Justiça seja feita. Perdi minha filha por nada. E todo o crime está relatado em uma gravação telefônica, mas ninguém foi preso”, desabafou.

Já em nota, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), Ricardo Nazário, informou nesta segunda-feira que os policiais civis alvos da investigação não foram indiciados no inquérito. No comunicado à imprensa, o Sindpol diz considerar uma vitória a confirmação da inocência dos agentes.

Gazetaweb

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