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História da igreja protagonista dos Festejos de Bom Jesus dos Navegantes de Penedo.

             IGREJA DA SANTA CRUZ DO CORTUME

            No início do século XVIII, no terreno que a atual Igreja está edificada, existia um “Terreiro Africano”, onde os freqüentadores (maioria negra), para manter vivas suas tradições, exibiam inclusive, danças diabólicas.

Uma versão lendária nos leva a idealizar o que na época ocorreu: “Certo dia, no período noturno, algumas pessoas realizavam um Culto Africano naquele Terreiro, porém, um garoto que assistia o evento (dança) notou que um Forasteiro que ali se apresentou pra dançar, tinha os Pés de Cabra. Houve pânico com a descoberta daquele garoto e passado alguns dias, o Terreiro foi destruído e a estória daquele homem (Forasteiro) passou a ser divulgada em toda região. Isso fez com que, em 1818, para exorcizar o local, um irmão pardo edificou uma primitiva Capela (simples e pobre), em honra da Santa Cruz.

          Em janeiro de 1884, foi realizada a primeira procissão do Senhor dos Navegantes, tendo a população ribeirinha carregou a imagem do Cristo Crucificado (estilo Jacenista), pertencente a Ordem Terceira de São Francisco e guardada na Sacristia da Igreja (Conventual) de Santa Maria dos Anjos.

          A reconstrução da atual Igreja da Santa Cruz do Cortume se deu no ano de 1893, conforme se verifica em seu Frontispício. Conhecida popularmente por “Igreja do Bom Jesus dos Navegantes” e/ou simplesmente “Igreja da Santa Cruz”, o ambiente religioso foi ampliado, em 1907, permanecendo com a denominação de Igreja da Santa Cruz do Cortume, cuja benção foi celebrada pelo Padre MANUEL RIBEIRO VIEIRA e contou ainda com as presenças: Padre JOSÉ SOARES DE ALBUQUERQUE e FRANCISCO SOARES LUNA. Após a benção houve missa solene celebra por Frei CRISTOVÃO O.F.M. e pregando ao evangelho Frei JOSÉ O.F.M.

Imagem Bom Jesus dos Navegantes - Igreja da Stª Cruz do Cortume

Imagem de Bom Jesus dos Navegantes – Igreja da Stª Cruz do Cortume (Edificação: 1818) – R. Dr. Joaquim Nabuco, s/nº – Penedo-AL (Brasil)

    Por razões de desentendimento entre a Irmandade e o Superior do Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos, ao final das festividades em 1913, ficou decidido que não mais seria possível utilizar a imagem de Cristo Crucificado nas festa, em substituíção ao Bom Jesus dos Navegantes. Diante de tal decisão, um dos membros da Irmandade e líder da Comissão de Festa, conhecido por ANTONIO PEIXE-BOI, procurou o Mestre CESÁRIO PROCÓPIO DOS MÁRTYRES (escultor), o qual assumiu o compromisso de esculpir a Imagem do Bom Jesus dos Navegantes. Como era Mestre muito versado nas Sagradas Escrituras, um asceta, CESÁRIO PROCÓPIO, tomando por motivação o Senhor Jesus na barca sobre o Lago de Genesaré, criou o tipo da imagem que muitos dos fieis da região do Baixo São Francisco e de outros Estados Brasileiros conhecemos. O esforço e a dedicação do Mestre CESÁRIO fez com que em 15 de janeiro de 1914, fosse realizada a primeira procissão com a atual imagem do Bom Jesus dos Navegantes, a qual passou a pertencer a Igreja da Santa Cruz do Cortume, substituindo, definitivamente, a imagem de Cristo Crucificado.

          Hoje em toda a margem do Rio São Francisco (Velho Chico) e em outras Cidades Brasileiras existem cópias feitas por ele e pelo seu discípulo maior, o Mestre ANTONIO PEDRO DOS SANTOS (escultor). As primeiras esculturas existem em Penedo e no Bairro de Jaraguá (Maceió-AL).

          O atual Templo possui fachada simples, na frente três portas e três janelas, Nave única e Capela-Móro. O destaque no Altar-Mor é da milagrosa imagem do glorioso Bom Jesus dos Navegantes, uma primorosa escultura, da lavra do Mestre CESÁRIO PROCÓPIO DOS MÁRTYRES (escultor).

Festa de Bom Jesus dos Navegantes - 2011 - Penedo-AL

Festa de Bom Jesus dos Navegantes – 2011 – “Fé, Tradição e Paz” – Cais do Porto – Penedo-AL (Brasil)

       Historicamente, desde 1884, anualmente, líderes religiosos organizam e propiciam a população uma das maiores festa (celebração) religiosa, profana e folclórica da região do Baixo São Francisco, a qual nos últimos anos acontece no segundo domingo do mês de janeiro, onde, a população após percorrer algumas ruas da região em “Procissão” (terrestre),  participa da 2ª etapa, considerada o ponto alto dos festejos, a “Magnífica Procissão Fluvial”, com o apoio de inúmeras embarcações (Balsas, Catamarã, Lanchas, Canoas, Jet Skis, etc) nas águas do “Velho Chico”, numa demonstração de fé e religiosidade. Dois ou três dias em que antecedem o domingo festivo, são promovidos Shows Musicais, competições (Esportivas e Recreativas) e apresentações de Grupos Folclóricos (Guerreiro, Banda de Pífano, Reisado, Pastoril, Chegança, etc) e Grupos de Teatros, da Região.

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