Alagoas

Baronesas ocupam a região da foz do São Francisco

As ações de monitoramento conhecidas (realizadas pela CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco sendo a mais recente de agosto de 2018) apesar de apresentarem em seus documentos a cartografia da região fisiográfica do Baixo São Francisco (trecho entre Paulo Afonso, BA e a foz do rio, no oceano Atlântico), contemplam apenas a região de Paulo Afonso: é a configuração do São Francisco oficial, distante da realidade cotidiana das populações do Baixo.

A extensão da ocupação do rio pelos  bancos de baronesas é cada vez maior, criando situações de bloqueios de canais, portos, vias navegáveis, comprometendo de forma significativa a navegação (sobretudo as travessias entre Brejo Grande e Piaçabuçu, além das linhas entre Neópolis e Penedo). Os bancos, por vezes, são tão grandes e pesados que arrastam tudo o que se encontra em seu caminho, a começar pelas embarcações.

Embarcação, em Brejo Grande, sendo arrastada por banco de baronesas. Foto | Doca Pescador | Rede InfoSãoFrancisco

Há que se considerar que as baronesas são bio indicadores de presença de matéria orgânica nas águas (entenda-se por isso, lançamentos de efluentes de toda ordem). Observando-se que com a redução das vazões regularizadas (abaixo dos 1.300 m³/s estabelecidos pelo Plano de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco) a partir de 2013, sem que tenham ocorrido revisões e adequações das outorgas de captação e lançamentos no rio São Francisco na mesma proporção (os efluentes lançados no São Francisco, mesmo com a redução de vazão, que chegou a 550 m³/s em 2017, obedecem exatamente ao mesmo padrão outorgado anterior ao início da redução da vazão) fica claro que a relação entre material lançado no rio e a água disponível para sua diluição só fez piorar. Proporcionalmente a matéria orgânica ficou em vantagem favorecendo o crescimento de inúmeros organismos invasores, dentre eles, as baronesas que ainda contam com grande resistência quanto à presença de salinidade na água: o caso da foz, com o avanço da chamada cunha salina.

A ausência de iniciativas dos municípios e estados afetados tanto reativas para providências em mudanças no sistema operacional dos barramentos, como para o controle e erradicação de organismos invasores e impactantes, é mais um sinal do grau da pouca importância do São Francisco no plano das atribuições dos entes públicos para um patrimônio natural essencial para a vida. Vida das populações e todos os inúmeros ecossistemas aquáticos (fluviais e costeiros) e terrestres da bacia.

por Via Rede InfoSãoFrancisco

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Fechar