Teria Luciano Barbosa se vingado de Renan Filho?

Em Arapiraca, o sentimento predominante é o de que o prefeito Luciano Barbosa (MDB), que dirige o segundo maior município de Alagoas pela quarta vez, vingou-se nesta eleição do senador Renan Calheiros Filho (MDB), seu correligionário de partido.

A longa história começa quando Luciano era vice-governador de Renanzinho e surpreendeu ao renunciar ao cargo, em 2020, magoado pela exoneração de uma irmã da Secretaria de Educação, sob o pretexto de concorrer pela terceira vez à prefeitura arapiraquense.

O ressentimento foi recíproco, tanto que próprio partido ambos lhe negou legenda para ser candidato e ele teve de recorrer à justiça, obtendo decisão favorável já às vésperas da eleição.

Desde então Luciano manteve distância de Renan Filho, preservando, no entanto, o relacionamento com Renan Calheiros pai, a quem declarou apoio no início deste ano para a reeleição ao Senado.

Quanto a Renanzinho, somente a poucos dias atrás o prefeito declarou apoio, depois de emplacar seu fiel escudeiro Yale Fernandes como vice do seu até então algoz, ao mesmo tempo em que assistia à sua antiga aliada Célia Rocha ser anunciada vice do também candidato a governador JHC (PSDB).

Luciano Barbosa ficou então com dois pés em cada canoa, até a festa de comemoração pela vitória dos seus filhos Daniel, reeleito deputado federal pelo PP, mas engajado na campanha de Renan Filho, e Lucas, eleito deputado estadual pelo PSDB do concorrente JHC – seus correligionários de MDB foram derrotados ao governo e ao Senado.

Nesse evento, Luciano, que é de pouco falar e de muito agir, fez pronunciamento enigmático, declarando, sorridente, dentre outras afirmações:

“Não contaram com a nossa astúcia. Do lado de cá, a gente também não é bobo.”

Essa frase está sendo interpretada como sendo uma confissão indireta de Luciano de que no frigir dos ovos – ou na hora do voto, como queiram – ele não esteve do lado de Renan Filho, como havia anunciado.

A astúcia declarada por ele se traduziria como sinônimo de vingança, o que faz lembrar um dizer popular regional: “Vingança é um prato que se come pelas beiradas”.

Fonte TNH1  C/ coluna contextualizando  P/ Flávio Gomes de Barros

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