Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT) com 51,1% a 48,9% dos votos válidos, segundo pesquisa Meio/Ideia realizada entre os dias 15 e 19 de outubro, apresentando vantagem de 2,2 pontos do líder. Quando considerados os votos totais, a vantagem se mantém, mas com números mais baixos: 48% contra 46% de Lula.
Brancos e nulos somam 3,4%, e 2,6% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar.
A disputa está tecnicamente apertada dentro da margem de erro, mas o resultado marca uma inversão em relação a medições anteriores da série, nas quais Lula aparecia à frente ou empatado em alguns momentos.
Eleitorado dividido e voto definido
A pesquisa indica um cenário de alta definição: 83,7% dos entrevistados afirmam que o voto já está decidido, enquanto apenas 16,3% dizem que ainda podem mudar. Entre os que votariam em Lula, 72,1% o fazem porque são a favor do petista e 23,6% porque são contra Flávio. No caso de Flávio, 67,1% são a favor do candidato do PL e 31,2% são contra Lula.
As clivagens sociais e culturais são nítidas. Quem associa “melhorar de vida” a ter o próprio negócio ou trabalhar por conta própria (43,3% da amostra) vota majoritariamente em Flávio (62,3%). Já quem prefere carteira assinada e direitos trabalhistas (32%) se inclina fortemente para Lula (65,4%).
Na religião, o padrão se repete com força: entre os evangélicos (401 entrevistados), Flávio chega a 69,6% e Lula a 25,9%. Entre os católicos (853), Lula lidera com 55% contra 39,6% de Flávio.
Perfil do eleitorado e transferências
Flávio tem vantagem entre homens (49,2% a 44,3%), jovens de 16 a 24 anos (56,2% a 39,5%) e faixas de renda média e alta. Lula lidera entre os mais pobres (até 1 salário mínimo: 61%), no Nordeste (58,3% a 37,3%) e entre os maiores de 60 anos (51% a 37,3%). No Sudeste, região de maior peso eleitoral, Flávio chega a 55% contra 40,7% de Lula. No Sul, a diferença é menor (49,5% a 43,6%).
A pesquisa também mediu a intenção de voto no segundo turno de quem votou em candidatos da chamada terceira via no primeiro turno. Somados, os eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos (148 casos) transferem 58,1% para Flávio e 31,8% para Lula. O movimento é especialmente forte entre apoiadores de Zema (77,8% para Flávio) e Renan Santos (90,9%).
Avaliação do governo e contexto
A vantagem de Flávio ocorre em um ambiente de avaliação negativa do governo Lula. A aprovação do presidente está em 46,4%, contra 48,2% de reprovação. Quando perguntados se Lula merece outro mandato, 48,5% dizem que não e 46% que sim. Avaliações específicas de economia, segurança pública, saúde e educação mostram maioria de notas “péssimo” ou “ruim”, com o governo avaliado de forma especialmente crítica no Sudeste e no Centro-Oeste.
A pesquisa Meio/Ideia reforça um segundo turno polarizado, no qual Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno já capturando parte relevante do eleitorado antipetista e de terceira via, enquanto Lula mantém bases sólidas no Nordeste, entre os mais pobres e católicos, mas enfrenta resistência em segmentos médios e evangélicos. Com 83,7% do eleitorado já decidido, o espaço para virada depende, sobretudo, da capacidade de cada campanha de mobilizar seus respectivos redutos e de eventuais eventos de última hora capazes de influenciar os 16,3% que ainda se dizem abertos a mudar de voto.
