O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontra nos Estados Unidos, divulgou Nota Pública em que se declara como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, denuncia o que classifica de fraude eleitoral no segundo turno, realizado no domingo (25), e afirma que permanecerá no exterior para liderar a oposição e “libertar o povo brasileiro”. Depois, ele corrigiu o texto original, substituindo “presidente eleito” por “líder do Brasil”.
A nota de três páginas, ilustrada pelo brasão da República, contém agradecimento ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente americano Donald Trump e ao povo americano pelo acolhimento, destacando os Estados Unidos como “terra de liberdades” e Trump como “grande defensor da liberdade de expressão”.
Principais pontos da Nota Pública
Flávio inicia o texto, divulgado primeiro pelo jornalista Paulo Figueiredo, dirigindo-se “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Sobre o resultado eleitoral, afirma ter visto “estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar” na noite de domingo. Acusa a “atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula” de permitir o que chama de “impossibilidade matemática”, com Lula acrescentando “mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”. Critica uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, extrapolou a competência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estendeu a votação “no apagar das luzes” e só chegou depois do encerramento legal das urnas. Destaca ainda abusos de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição, fatos que, na sua visão, justificariam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
O texto descreve a reação do “regime” como imediata: sete minutos após o que chama de “repugnante fraude”, um juiz “implicado em um imenso escândalo de corrupção” e “diretamente citado no inquérito” teria usado a situação para tentar sequestrar seus passaportes. Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele, pois não cometeu crime, e classifica a ação como “caça às bruxas politicamente motivada” para usá-lo como refém e proteger juízes da Suprema Corte de um eventual impeachment. Enumera o que considera o “roteiro da perseguição”: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e condenação política.
Justifica a ida aos Estados Unidos como decisão de não submeter a família a esse processo e de sair de um “regime de exceção” para poder liderar. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreve. Compara sua situação a figuras históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, que lutaram de fora de seus países.
