A proibição das casas de apostas abriu um buraco de aproximadamente R$ 910 milhões somente nos contratos de patrocínio máster dos clubes da Série A. O valor pode ser ainda maior quando entram na conta bônus esportivos, ações publicitárias, placas nos estádios e outros espaços comerciais.
Dos 20 participantes da elite nacional, 14 exibem uma bet no espaço mais valioso do uniforme. Flamengo, Corinthians e Palmeiras concentram quase metade de todo o dinheiro colocado pelas empresas no futebol brasileiro.
A perda nominal, entretanto, não conta toda a história. Flamengo e Palmeiras possuem receitas bilionárias e maior capacidade de encontrar substitutos. Para clubes como Vitória, Remo e Chapecoense, contratos menores representam uma fatia mais importante do orçamento.
Os maiores contratos
O Flamengo aparece no topo. O acordo com a Betano garante cerca de R$ 220 milhões fixos por temporada e pode superar R$ 260 milhões com outras propriedades e metas. O clube já havia comprometido parte dessa receita em seu planejamento.
Na sequência aparecem Corinthians e Palmeiras. O acordo corintiano com a Esportes da Sorte gira em torno de R$ 150 milhões por ano. Já o Palmeiras recebe R$ 100 milhões fixos da Sportingbet, mas os bônus podem elevar o valor anual a R$ 170 milhões.
O São Paulo tem aproximadamente R$ 90 milhões fixos por temporada com a Superbet, com possibilidade de superar R$ 110 milhões mediante metas. A parceria havia sido renovada até 2030.
Quem perde mais?
Em números absolutos, nenhum clube será tão atingido quanto o Flamengo. O valor fixo pago pela Betano equivale a aproximadamente R$ 18,3 milhões por mês. Considerando todo o pacote comercial, o impacto pode ultrapassar R$ 22 milhões mensais.
O presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, já admitiu que o clube precisará reavaliar despesas e projetos caso a receita desapareça definitivamente. O contrato foi utilizado no planejamento de compromissos assumidos para as próximas temporadas.
Corinthians e São Paulo enfrentam um problema adicional: dívidas elevadas e dificuldade de caixa. Mesmo com torcidas gigantescas e maior potencial de mercado, os dois clubes dependem da entrada recorrente dos patrocinadores para honrar compromissos cotidianos.
O Atlético-MG também aparece entre os mais vulneráveis. Além de perder cerca de R$ 60 milhões por ano, o clube convive com um endividamento bilionário e uma estrutura financeira pressionada.
Quem pode sofrer proporcionalmente mais
Vitória, Remo e Chapecoense recebem menos dinheiro, mas isso não significa que enfrentarão prejuízos menores. Em estruturas mais enxutas, R$ 10 milhões ou R$ 20 milhões podem representar contratações, salários e parte considerável da operação de uma temporada.
A Chapecoense perderia aproximadamente R$ 833 mil por mês. No Remo, a redução alcançaria R$ 1 milhão mensal. O Vitória deixaria de receber cerca de R$ 1,6 milhão por mês.
São valores distantes dos contratos de Flamengo e Corinthians, mas muito mais difíceis de substituir para clubes com exposição nacional e capacidade comercial inferiores.
Camisas viram prejuízo
O problema não termina com a retirada das marcas. Flamengo, Fluminense, São Paulo e outros clubes possuem estoques de uniformes já produzidos com os logotipos das empresas.
O Flamengo teria entre 100 mil e 150 mil camisas com a marca da Betano. O Fluminense possui estoque suficiente para aproximadamente seis meses. Essas peças terão de ser adaptadas, recolhidas ou comercializadas dentro das limitações legais.
Também existe o impacto sobre as placas de publicidade e contratos administrados por intermediárias. Mesmo quando o acordo não é assinado diretamente com uma bet, boa parte do dinheiro usado para comprar essas propriedades vem das empresas de apostas.
Contratos podem ser congelados
Alguns clubes tentam evitar o rompimento definitivo. Flamengo e Santos discutem a possibilidade de congelar seus contratos enquanto o Congresso e o Supremo Tribunal Federal analisam a medida.
A estratégia preservaria a relação comercial caso a proibição seja derrubada ou perca a validade. A medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar em vigor.
Até que haja uma decisão, os clubes terão de retirar as marcas, reorganizar campanhas e buscar alternativas em um mercado que receberá simultaneamente até 14 camisas disponíveis. Essa oferta gigantesca tende a reduzir o preço pago pelos novos patrocinadores.
O Flamengo perderá mais dinheiro. Corinthians, São Paulo e Atlético-MG sentirão a queda em meio a dívidas pesadas. Mas o golpe proporcionalmente mais perigoso poderá atingir quem tem menos recursos para resistir.
Fonte Futebol do Interior
