Uma candidatura imposta de cima para baixo

E se ao invés de Flávio Bolsonaro o candidato de oposição a Lula (PT) fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas?

Seria uma melhor opção, no entender de alguns dos principais aliados contrários ao governo.

Mas o ex-presidente Jair Bolsonaro impôs o nome do filho, como explica o jornalista Leonardo Sakamoto, no UOL:

“Quando Flávio Bolsonaro (PL) fez a Daniel Vorcaro a célebre promessa ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre’, em 16 de novembro de 2025, já era amplamente sabido que o dono do Banco Master era investigado por uma fraude financeira de grandes proporções. Mesmo assim, ele continuava pedindo dinheiro ao banqueiro. E muquiando a relação inclusive para quem cuidava do futuro político do senador.
Do ponto de vista da estratégia eleitoral, compreende-se que ele tenha escondido isso da população brasileira. Contudo, o fato de ele não ter dito nada a aliados próximos e aos membros da sua pré-campanha não foi em respeito à confidencialidade do contrato do filme, como ele alegou em entrevista à GloboNews. Foi estratégia política.
Imagine se, no momento em que a sua candidatura começava a virar realidade, ele dissesse em uma reunião interna: ‘olha, tem só uma coisinha…’ Haveria grande chance de, no final, os presentes ligarem para o governador Tarcísio de Freitas e soltarem um ‘oi, sumido!’.
Talvez isso não fosse motivo suficiente para subir a plaquinha de substituição, mas muita gente ficaria balançada a optar por um nome que não está rachadinho com tantos BOs.
Vamos lembrar que a escolha de Flávio não foi algo construído coletivamente na direita ou mesmo no bolsonarismo, mas imposto de cima para baixo por Jair Bolsonaro, que havia sido convencido pelos filhos. Tanto que isso desagradou uma série de pessoas próximas e aliados, como o próprio Tarcísio, a diretora do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, o deputado federal Nikolas Ferreira, entre outros, que defendiam que o nome dele não era o melhor para derrotar Lula.
Agora, ele se consolidou como o principal adversário do petista, aparecendo como representante de seu pai na disputa, o que vem sendo confirmado pesquisa após pesquisa. Para seus apoiadores, virou fato consumado.
Mas caso as relações promíscuas com o banqueiro viessem a público lá atrás, seria um argumento master para os críticos da candidatura. Passado o 4 de abril, data de desincompatibilização, Tarcísio é carta fora do baralho. E, não à toa, aliados de Flávio estão tendo que repetir que a ex-primeira-dama não é uma opção, pois ela continua sendo uma opção.
O problema de ele ter bloqueado essa informação para a sua própria campanha, que, como vem relatando a imprensa, foi surpreendida pelas informações, é que isso também impediu o desenvolvimento de uma ação de contingência quando a bomba surgisse.
Como surgiu, com a reportagem do Intercept Brasil. Caso isso já fosse sabido internamente, haveria um plano, detalhando como ele deveria se manifestar, como os produtores do filme deveriam se manifestar, com material pronto para ser entregue à imprensa e às redes.
No afã de eliminar a concorrência dentro do próprio campo político, o senador não apenas ficou nu, como deixou seus aliados pelados em público. E agora todos correm para colocar ao menos um tapa-sexo que cubra as vergonhas.”

Fonte TNH1 C/ Flávio Gomes de Barros  ( Contextualizando)

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