Os dados são de apenas cinco meses atrás, apurados pela Serasa Experian, e por serem tão recentes refletem a realidade do país: a inadimplência entre as empresas brasileiras bateu novo recorde em novembro de 2025, atingindo 8,9 milhões de CNPJs, maior número desde o início da série histórica – juntas, somam mais de R$ 210,8 bilhões em dívidas negativadas.
Isso é entendido como resultado de juros elevados e crédito mais restritivo, aumentando a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações, pelo pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita.
De acordo com o economista Lucas Sorgato, o endividamento por si só não é ruim, já que as empresas se endividam para poder buscar um crescimento para o seu negócio, mas a situação fica complicada quando a questão chega à inadimplência.
Suas observações a respeito da situação econôimca atual:
“o Brasil hoje tem uma taxa de juros muito alta, então em casos de falta de pagamento essa dívida cresce mais ainda, o que é muito ruim para a continuidade dos negócios. Por isso o número é considerado alto. Além disso, a maioria das endividadas são micro e pequenas empresas, ou seja, o pujante de CNPJs da economia nacional”
“são empresas que tem mais dificuldade de crédito, as que têm taxas mais altas do que os outros e as que não têm garantias para dar de contrapartida. Por isso tantas se encontram nessa situação”;
“pode ser que exista alguma coisa, pois temos um período eleitoral se aproximando e há interesse em se aumentar a arrecadação. Além disso, há também a reforma tributária entrando em vigor na prática para o ano que vem, o que pode ser uma saída para esse empresário”;
O economista lembra que a situação criou um aumento no petróleo, que incide numa alta dos combustíveis:
“São materiais imprescindíveis para levar produtos até a população. Logo, também temos um aumento de frete e de inflação, que é combatido pelo Banco Central com variações nos juros. Assim, isso pode indicar que a redução cogitada no início do ano para até o final de 2026 não aconteça”.
A maior parte das empresas negativadas eram do setor de “Serviços” (55,2%), em seguida ficaram as do “Comércio” (32,7%), e “Indústria” (8,1%).
Fonte TNH1 C/ coluna contextualizando
