O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, trocou de advogados no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter sua prisão. As mudanças indicam o início de conversas para uma proposta de delação premiada.
Entrou no caso o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, e saíram Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, e Roberto Podval. Sérgio Leonardo permanece.
Partiu de Vorcaro a decisão de substituir os criminalistas. Uma delação premiada poderia respingar em outros clientes de Pierpaolo e de Podval.
Juca é considerado um advogado mais agressivo e, na Lava Jato, fechou acordo de delação premiada.
Vorcaro chegou à penitenciária de segurança máxima na última sexta-feira, após nova prisão no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura supostos crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a atuação de uma estrutura descrita pelos investigadores como uma “milícia privada” que monitorava autoridades e jornalistas.
Votação no Supremo
O estado de saúde do banqueiro foi avaliado justamente na véspera do início do julgamento no STF que discute a manutenção de sua prisão.
A Segunda Turma da Corte formou maioria para manter Vorcaro preso. Além do relator do caso, ministro André Mendonça, também votaram pelo referendo da prisão os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Um dos fundamentos apontados pelos magistrados é o “risco concreto de interferência nas investigações”.
O julgamento ocorre em plenário virtual e segue aberto até o dia 20 de março, período em que os ministros podem registrar seus votos.
Bobbie Goods na prisão
Enquanto aguarda os desdobramentos do caso no Supremo, Vorcaro tem tentado ocupar o tempo dentro da unidade de segurança máxima.
Para ajudar a passar as horas no cárcere, ele recebeu giz de cera e desenhos para colorir no estilo Bobbie Goods, tendência que viralizou nas redes sociais como atividade relaxante.
Além dos desenhos, o banqueiro também recebeu livros, revistas e uma Bíblia, materiais permitidos para leitura e atividades individuais dentro do presídio.
Entre as obras entregues estão “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva; “Tempestade de Ônix”, de Rebecca Yarros; e “Stairway to Heaven: Led Zeppelin Sem Censura”, de Richard Cole.
Rotina na cela de inclusão
Nos primeiros dias no sistema penitenciário federal, Vorcaro permanece em uma cela de inclusão, espaço destinado à adaptação inicial dos presos que chegam à unidade. O período costuma durar cerca de 20 dias.
Durante essa fase, o custodiado recebe orientações sobre as regras do presídio, além de passar por avaliações médicas completas, que incluem exames laboratoriais, triagem clínica e acompanhamento psiquiátrico.
A cela de inclusão tem aproximadamente nove metros quadrados. Após esse período inicial, o preso pode ser transferido para uma cela individual menor, de cerca de seis metros quadrados, equipada apenas com cama, sanitário, pia, chuveiro e uma pequena mesa.
Transferência para Brasília
Antes de chegar ao sistema penitenciário federal, Vorcaro estava custodiado na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo.
Ele voltou a ser preso no início de março durante nova etapa da investigação que apura supostos esquemas financeiros fraudulentos ligados ao Banco Master.
O empresário já havia sido detido em novembro de 2025, mas acabou liberado posteriormente mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Com o avanço das apurações, a Justiça determinou nova prisão e a transferência para a penitenciária federal de Brasília.
