A janela partidária para as Eleições 2026 começou oficialmente nesta quinta‑feira (5) e vale também para deputados federais, estaduais e distritais alagoanos. Até 3 de abril, parlamentares podem mudar de legenda sem perder o mandato, um movimento que pode alterar profundamente as configurações das chapas antes do 1º turno, marcado para 4 de outubro.

O que é a janela partidária?

Prevista na legislação eleitoral, a janela partidária permite que deputados eleitos pelo sistema proporcional migrem para outra sigla sem precisar justificar a saída. Fora desse período, a migração só é permitida em casos de justa causa previstos em lei — como desvio de programa partidário ou consenso com a legenda.

Em Alagoas, a expectativa é que a janela reforce negociações entre partidos e influencie diretamente alianças para a disputa majoritária e proporcional.

Principais datas do calendário eleitoral 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou na última segunda-feira (2) o calendário oficial, definindo as datas que eleitoras, eleitores, partidos e candidatas e candidatos devem observar:

  • 5 de março a 3 de abril – Janela partidária.
  • 3 a 5 de agosto – Convenções partidárias para oficializar candidaturas e alianças.
  • 6 de maio – Último dia para regularizar o título eleitoral ou atualizar dados.
  • 4 de outubro – 1º turno das Eleições Gerais.
  • 25 de outubro – 2º turno (quando houver disputa majoritária).

Regras sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas

Uma das novidades mais discutidas para o pleito deste ano é a regulamentação específica sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais — parte das resoluções aprovadas pelo TSE para orientar as condutas de candidaturas, partidos e plataformas digitais.

As normas incluem:

  • Identificação de conteúdo gerado ou modificado por IA: material criado ou alterado com IA deve ser claramente rotulado para que eleitoras e eleitores saibam quando estão consumindo esse tipo de conteúdo;
  • Proibição de conteúdos sintéticos que violem normas eleitorais: propagandas ou posts criados por IA que fujam às regras ou tentem enganar o eleitorado não serão permitidos;
  • Restrição nos dias mais críticos da eleição: a circulação de novos conteúdos manipulados por IA será proibida a partir de 72 horas antes até 24 horas depois da votação, para evitar surpresas indesejadas no período mais sensível do pleito;
  • Limites à interferência algorítmica: sistemas de IA não poderão oferecer recomendações automáticas de candidaturas para usuárias e usuários, coibindo influências indevidas no processo decisório de voto; Responsabilização das plataformas: provedores de redes sociais e aplicativos terão responsabilidade solidária caso deixem de retirar conteúdos que violem as regras eleitorais após decisão da Justiça Eleitoral;
  • Combate a perfis falsos e violência política: práticas como a criação de perfis automatizados repetidos ou a disseminação de imagens manipuladas com teor sexual ou de ataque político — especialmente contra mulheres — são vedadas no contexto da IA.

Essas diretrizes visam preservar a integridade do debate público, coibir desinformação e proteger o ambiente democrático durante o período eleitoral.

Organização e novas regras

Além das diretrizes sobre IA, o TSE consolidou normas sobre propaganda eleitoral, registro de candidaturas, fiscalização do sistema eleitoral e outras etapas do pleito. A ideia é dar mais segurança jurídica, transparência e previsibilidade ao processo, beneficiando partidos, candidatas, candidatos e a sociedade.

Para o eleitorado de Alagoas, a antecipação e divulgação dessas regras permitem acompanhar e se preparar para cada fase da disputa até outubro, quando serão escolhidos os novos representantes nos níveis federal, estadual e distrital.