O cenário da incerteza na política de Alagoas

Por enquanto, o que há em Alagoas é silêncio barulhento.

Até 4 de abril, prazo final para desincompatibilizações e movimentos formais de quem pretende disputar cargos majoritários, pode acontecer tudo. Inclusive nada. E é justamente essa possibilidade do “nada” que mais inquieta a política local.

A bolha está tensionada. Deputados fazem contas. Prefeitos testam lealdades. Senadores medem o tamanho do próprio fôlego. Lideranças que se acostumaram a controlar o tempo agora parecem reféns dele. A ansiedade não é pública, mas é visível nos bastidores.

Alagoas terá duas vagas ao Senado em disputa em 2026. Isso, por si só, altera a lógica do jogo. Não é uma corrida simples. É uma corrida dupla. E, em corridas duplas, alianças são mais frágeis, acordos mais complexos e traições mais prováveis.

O que torna o momento atual mais delicado é a sobreposição de variáveis: cenário nacional polarizado, redes sociais como arena permanente de confronto, desgaste de figuras tradicionais e emergência de lideranças que dialogam com um eleitorado mais digital, menos fiel a estruturas partidárias e mais sensível a narrativas.

Até 4 de abril, cada gesto será interpretado como movimento estratégico. Uma exoneração pode significar candidatura. Uma permanência no cargo pode indicar recuo. Uma aliança silenciosa pode reconfigurar o tabuleiro.

E, no entanto, é possível que nada de definitivo aconteça até lá.

A política alagoana já mostrou que sabe conviver com o suspense. Muitos aguardam para decidir no último minuto. Outros preferem testar o ambiente até que o custo da indecisão se torne maior que o risco da escolha.

Enquanto isso, a bolha política vive dias de respiração curta.

A disputa não será apenas por cadeiras. Será por narrativa. Quem representa continuidade? Quem encarna mudança? Quem tem estrutura? Quem tem conexão popular? Quem carrega rejeição? Quem consegue sobreviver a uma campanha marcada por redes, investigações, polarização e memória eleitoral?

A ansiedade não é gratuita. Ela é o sintoma de um sistema que sente que pode estar diante de uma inflexão.

Em Alagoas, o calendário é curto, mas a tensão é longa.

Até 4 de abril, tudo pode acontecer. Inclusive nada.

E, às vezes, na política, o “nada” é apenas o prenúncio de uma mudança que já começou, mas ainda não se revelou por completo.

Fonte  cadaminuto C/ Coluna  do Lininho

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