O CM Cast, podcast dedicado à análise dos bastidores da política local e nacional, lançou nesta quarta-feira (11) um episódio em que os jornalistas Carlos Melo, diretor do Grupo CadaMinuto, e Ricardo Mota debatem o favoritismo do deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil) na corrida pelo Senado nas eleições de 2026.

Durante o programa, Ricardo Mota foi direto ao ponto ao avaliar o cenário atual da disputa. “Hoje, nesse cenário, é difícil imaginar o Alfredo Gaspar fora de uma das vagas”, afirmou. Para ele, o deputado deixou de ser apenas um nome local e passou a ocupar um espaço nacional, especialmente pela atuação em comissões e CPIs no Congresso.

Na análise do jornalista, Alfredo consolidou um eleitorado próprio, de perfil mais ideológico e de voto espontâneo. Diferentemente de outros concorrentes, ele não depende exclusivamente da estrutura municipal.

“Ele escapou do ambiente local. Tornou-se um nome nacional da direita e da extrema-direita, e isso amplia o campo de articulação partidária”, destacou Mota, ao observar que o parlamentar tem portas abertas em diferentes siglas desse espectro político.

Ao mesmo tempo, os jornalistas apontam que a disputa está longe de ser simples. Renan Calheiros (MDB) segue competitivo, sobretudo pelo apoio de prefeitos e pela força da máquina estadual, caso o grupo governista permaneça no comando do Palácio República dos Palmares.

Ricardo lembrou que, em eleições majoritárias em Alagoas, a capilaridade municipal costuma fazer diferença decisiva. Arthur Lira (PP) também aparece como nome forte, mas divide um eleitorado semelhante ao de Renan, o que pode fragmentar forças.

Segundo o jornalista, se ambos disputarem o mesmo campo político, podem enfraquecer suas chances individuais. Em tese, uma composição ampliaria as possibilidades de vitória, mas o ambiente atual não indica esse caminho.

Outro nome citado no episódio foi o do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que declarou no episódio anterior do CM Cast, que pode disputar o Senado por Alagoas. Na análise dos jornalistas, Lessa representa uma variável importante na equação eleitoral. Além disso, o pedetista ocupa um espaço ideológico claro com densidade política construída ao longo da trajetória como ex-governador e atual vice.

Mota avaliou que, embora o momento nacional favoreça candidaturas alinhadas à direita, Lessa pode crescer ao longo da campanha. Ele lembrou que, historicamente, o chamado “segundo voto” ao Senado em Alagoas já foi decisivo em eleições anteriores, abrindo espaço para surpresas no resultado final.

O papel do prefeito de Maceió, JHC (PL), também entrou na análise. Embora caminhe politicamente próximo de Arthur Lira, a relação entre ambos é marcada por aproximações e distanciamentos. Além disso, Alfredo Gaspar teria deixado claro que sua candidatura “é um caminho sem volta”, independentemente de aval ou articulação do prefeito.

Ao final do debate, os jornalistas afirmaram que o cenário segue aberto, mas com Alfredo Gaspar em posição de favoritismo. A segunda vaga permanece indefinida, entre nomes tradicionais da política alagoana e o possível avanço do vice-governador. Uma derrota de Renan Calheiros ou Arthur Lira, ressaltaram, teria repercussão nacional.

Os episódios do CM Cast vão ao ar às segundas e quintas-feiras, sempre a partir das 12h.

Fonte Cadaminuto C/ Blog Ricardo Mota