Manipulação na Série B: depósitos bancários mostram caminho do dinheiro de apostador até Romário

De acordo com comprovantes presentes nos autos do processo, aliciador transferiu R$ 10 mil a Gabriel Domingos, que repassou ao ex-meia do Vila em três parcelas: R$ 5 mil, 3,4 mil e 1,6 mil.

Comprovantes bancários presentes nos autos do processo da operação “Penalidade Máxima”, aos quais o ge teve acesso com exclusividade, mostram o caminho do dinheiro pago pelo apostador Bruno Lopez de Moura ao meia Romário, ex- jogador do Vila Nova.

Tais transações seriam a prova da tentativa de manipulação de resultados em jogos da Série B de 2022, esquema que é investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).

O primeiro depósito é de R$ 10 mil e foi feito no dia 5 de novembro, véspera do jogo Vila Nova x Sport, pela empresa BC Sports Management, de Bruno, para o volante Gabriel Domingos, também jogador do Vila.

Romário teria pedido a conta do colega de time emprestada alegando que a sua estava bloqueada. Segundo a defesa de Gabriel, ele realmente emprestou, mas desconhecia o esquema e não se beneficiou dele.

Os três depósitos seguintes são de Gabriel Domingos para Romário. Ele repassou toda a quantia recebida, mas em três parcelas – de R$ 5 mil, 3,4 mil e R$ 1,6 mil -, totalizando os R$ 10 mil pagos por Bruno.

Esse valor de R$ 10 mil corresponde ao sinal pago por Bruno para que Romário cometesse pênalti no primeiro tempo do jogo entre Vila e Sport, no dia 6 de novembro de 2022, pela última rodada da Série B.

Após a partida, o atleta receberia mais R$ 140 mil, totalizando R$ 150 mil. No entanto, ele sequer foi relacionado para o jogo e não pôde cumprir o combinado com o suposto aliciador. Romário teria tentado convencer outros colegas de Vila a cometer o pênalti, mas não teve sucesso.

Como a “operação” envolvia três jogos – incluindo Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina -, Bruno Lopes de Moura não alcançou o objetivo, que seria lucrar até R$ 2 milhões em apostas.
O MP-GO isenta os clubes, mas também investiga os jogadores Joseph (Tombense) e Matheusinho (do Sampaio Corrêa, atualmente no Cuiabá).

Alegando prejuízo, o suposto aliciador cobrou de Romário a devolução dos R$ 10 mil e, inclusive, pediu ajuda ao presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, para reaver a quantia. Bruno está preso em São Paulo desde terça-feira, dia em que a operação “Penalidade Máxima” foi deflagrada.

Entenda o caso

O Ministério Público de Goiás fez na terça-feira (14) uma operação para investigar um grupo especializado em fraudar resultados de jogos da Série B do Brasileiro. O objetivo era influenciar apostas esportivas de altos valores. Um dos jogadores investigados é Romário, ex-Vila Nova.

Segundo o MP, há indícios de que o grupo atuou em pelo menos três jogos da Série B no final de 2022: Vila Nova x Sport, Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina, todos pela rodada final da competição. Os investigados teriam movimentando mais de R$ 600 mil.

A investigação apontou que o grupo convencia atletas a manipular resultados nas partidas por meio de ações, como fazer pênalti no primeiro tempo dos jogos, entre outras táticas. Em troca, os jogadores receberiam parte dos prêmios de apostas feitas. A estimativa é que cada envolvido tenha recebido R$ 150 mil por aposta.

DP C/ GazetaWeb, P/ Arivaldo Maia, Guilherme Gonçalves, Karla Izumi e Victoria Leite — Goiânia

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