Debate expõe motivos de insatisfação de professores em Alagoas

Pelo menos metade dos professores do País não recomenda a própria profissão para os mais jovens. O dado alarmante faz parte de uma pesquisa feita pelo Instituto Todos Pela Educação em parceria com o Itaú Social que ouviu cerca de 2.160 profissionais em todo o território nacional, dos quais apenas 21% afirmam estar plenamente satisfeitos com a carreira e pelo menos 33% demonstram insatisfação. Um dos motivos apresentados pela categoria é a desvalorização da profissão.

Durante mesa-redonda, nesta terça-feira (7), na Rádio Gazeta, as professoras Maria Consuelo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal); Maria Fernanda, coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Estácio de Sá de Maceió; e Edna Prado, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), reiteraram o resultado do levantamento e lembraram do esvaziamento das universidades nos cursos de formação de professores.

Segundo Maria Fernanda, o esvaziamento se dá, principalmente, no decorrer dos cursos e, quando isto não acontece, muitos dos profissionais formados sequer chegam a exercer a profissão.

“Muito disso se deve à disparidade entre o que é visto nos cursos e a realidade do mercado de trabalho, que é, na maioria das vezes, bastante cruel. Eu, enquanto professora, capacito meus alunos para o cenário ideal, para como as coisas deveriam funcionar, mas a realidade, em larga medida, pode comprometer tudo o que é aprendido durante a formação dos profissionais”, afirmou.

Para as professoras, outro ponto que pesa na falta de procura para o exercício da profissão diz respeito ao desmantelamento da figura do professor, o que se dá, segundo elas, pelo próprio desmantelamento da educação pública no País. A presidente do Sinteal Maria Consuelo defendeu ainda que a valorização aos professores se dá apenas no discurso e que “na prática, a teoria é outra”.

“A categoria vive lutando por valorização financeira e quando exigimos o que é nosso por direito, temos nossa voz calada porque acham que vamos ficar ricos. Na maioria das vezes não temos condições adequadas de capacitação, o ambiente escolar não contribui nenhum pouco também. Estamos na linha de frente para a formação de todas as profissões, mas somos uma das categorias mais desvalorizadas em todos os sentidos. Tudo isso contribui para esse medo de ser professor”, complementou.

Outro ponto levantado na discussão foi o aumento da violência e a destituição da autoridade do professor dentro da sala de aula. Edna Prado sustentou que a escola não é um ambiente à parte ao que acontece no mundo e, por isso mesmo, reflete a violência que chega da sociedade. Todas elas concordaram, no entanto, que modelos antigos como a instituição do professor como disciplinador, quando se utilizavam, por exemplo, de palmatórias, não são soluções viáveis para esta situação.

GazetaWeb

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