Apelo para Ronaldo Lessa ser candidato: desespero, ausência de identidade de grupo e projeto

Nos bastidores da política alagoana surgem – como foi postado pela Coluna Labafero aqui no CadaMinuto – as conversas sobre uma candidatura de Ronaldo Lessa (PDT) ao governo do Estado de Alagoas.

Palavras minhas: acho a possibilidade remota, mas como em política até o remoto pode acontecer…

Agora, independente da origem dessas informações e do seus interesses, isso mostra algo em relação à oposição que deveria estar sendo liderada pelos tucanos por força das circunstâncias; afinal, é o partido do prefeito Rui Palmeira.

E o que mostra?

Que não há mais bloco de oposição, mas apenas a confluência de interesses eleitorais e partidários. É bem verdade que o deputado federal Ronaldo Lessa, que até então trabalha pela sua reeleição, tem uma densidade eleitoral considerável e, na atual conjuntura, abriria as portas para um palanque para o presidenciável Ciro Gomes (PDT).

Mas e quanto a um projeto que se diferencie do bloco da situação liderado pelo governador Renan Filho (MDB)? Era isso que em um primeiro momento a oposição deveria ter. Não há – portanto – em Alagoas oposição pragmática ou programática por parte do PSDB, que há muito perdeu o bonde do atual processo eleitoral. Há o desespero.

Ronaldo Lessa é o político que de 2014 para cá já fez mudanças bruscas determinando os rumos dos partidos. Em 2014, quando Renan Filho se elegeu governador do Estado de Alagoas, lá estava Lessa se elegendo deputado federal ao lado deste grupo. Antes disso, foi candidato ao governo do Estado com o apoio do senador Renan Calheiros (MDB).

Naquele momento, era a reeleição de Calheiros ao Senado Federal que – espertamente – construiu o xadrez para fazer Lessa disputar o governo e eliminar um possível adversário, ainda no tapetão. Calheiros é um mestre nessas jogadas.

Depois de 2014, Lessa passou para o lado do prefeito Rui Palmeira (PSDB) e compôs com a administração municipal. Neste exato momento, se encontra na base do governador Renan Filho, mas ao mesmo tempo é cogitado como a cabeça de um bloco de oposição que tem os tucanos inseridos nele.

Ronaldo Lessa promoveu um verdadeiro ping-pong com o seu partido. O que é o PDT no final das contas se não a extensão de Ronaldo Lessa?

Isso por si só mostra uma ausência de identidade no grupo que se faz ao redor de Rui Palmeira, que já foi o timoneiro do processo. Agora, o que se somam ali são os interesses de cada legenda.

No PSDB, fazer deputados estaduais, federais (como é o caso de Pedro Vilela) e ajudar o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) a ser senador da República. O detalhe em relação a Cunha é que ele depende muito mais dele do que do partido.

No Democratas, os focos são as candidaturas de José Thomaz Nonô – ex-secretário de Saúde do governo de Rui Palmeira – à Câmara de Deputados e a do ex-superintendente de Limpeza Urbana de Maceió, Davi Maia, a uma das cadeiras da Assembleia Legislativa. No PP, estão as candidaturas do deputado federal Arthur Lira e do senador Benedito de Lira. Ambos buscam a reeleição.

No PROS, Bruno Toledo almeja a candidatura de deputado estadual (ou federal) e há outros nomes nos quais o partido busca investir, como o empresário Leonardo Dias e o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna.

Um dia este grupo já teve unidade e projeto. Hoje, é cada vez mais difícil manter isso. Não será Lessa o salvador da pátria, caso as informações de bastidores se confirmem, apesar de passar a ter uma referência na cabeça da chapa ser muito importante.

Lessa tem condições de disputa? Claro que tem. Tem densidade eleitoral que não pode ser desprezada. Porém, uma democracia sadia precisa de espectros políticos e são poucos – dentro do bloco de oposição – que são oposição de verdade, como o PP fez desde 2014 e como o PROS vem fazendo na Assembleia Legislativa.

No grosso, é apenas uma divisão do mesmo estamento da política alagoana numa disputa por poder em que se passou a buscar um nome – seja ele qual for – que tenha condições de dividir a fatia de eleitores com o governador Renan Filho (MDB), que corre solto. Triste Alagoas que fica condenada ao revezamento.

Ronaldo Lessa renasceria como a possibilidade do palanque de Ciro Gomes, que não quer seu partido junto com Renan Calheiros. Depois como o que restou à oposição: ir buscar seu próprio candidato nos corredores do Palácio República dos Palmares. Por fim, se isto se concretiza, explicar a população a recente trajetória de Lessa e suas mudanças. É – como disse no título desse artigo – um misto de desespero, ausência de identidade e projeto. Entra em cena agora para o grupo de Rui Palmeira apenas os cálculos matemáticos de uma eleição…

cadaminuto

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