“Crime foi profissional”, diz polícia sobre desaparecimento de Roberta Dias

O caso Roberta Dias, que voltou a chamar a atenção da polícia após o vazamento de um áudio que detalha o sumiço da jovem, ocorrido ainda em abril de 2012, virou tema de uma entrevista coletiva realizada no início da tarde desta sexta-feira (4), na Delegacia-Geral de Polícia Civil, em Maceió. Na oportunidade, o delegado Cícero Lima, titular do inquérito policial, explicou que o crime “foi praticado por profissionais” e garantiu que a polícia vai investigar o conteúdo da gravação.

Nessa quinta (3), a Polícia Federal informou, por meio de nota, que ofertou ajuda técnica à Polícia Civil de Alagoas, a fim de periciar o aparelho de telefone celular, já apreendido, utilizado pelo suspeito.

No diálogo, um homem relata que cometeu o crime para ajudar o amigo, que seria o pai da criança que Roberta Dias esperava. Este – que temia a reação de seu pai ao descobrir que o mesmo seria avô – confessou o crime em meio à conversa e garantiu que, caso a polícia descobrisse a trama assassina, assumiria tudo sozinho, sem responsabilizar terceiros.

E foi exatamente o conteúdo deste áudio que levou a Polícia Civil a se pronunciar oficialmente nesta sexta. Segundo o delegado Cícero Lima, o inquérito tem duas mil laudas e deve ser concluído dentro de um mês. À imprensa, ele confirmou que já solicitou a transcrição do áudio, acrescentando que o vazamento de seu conteúdo será devidamente investigado.

“As novas informações só reforçam aquilo que já vínhamos investigando. Este crime foi bem planejado e praticado por profissionais. É um desafio para a Polícia Judiciária. Inclusive, já fizemos diligências em Feliz Deserto [município da região Sul de Alagoas], mas só achamos ossos de equinos”, disse o delegado, destacando, porém, que o conteúdo vazado “não é o bastante” para a elucidação do caso.

Também presente à coletiva, a delegada Maria Angelita afirmou que o inquérito nunca foi paralisado e que a polícia segue trabalhando com base numa “forte linha de investigação”, cujos detalhes não podem ser divulgados porque a polícia, neste caso, tem trabalhado de forma sigilosa.

“Existem indiciados, mas não podemos passar nomes, nem confirmar mais nada. Fizemos várias diligências que também não podem ser divulgadas. Sabemos que o anseio da sociedade é ver este caso resolvido, apesar de nem sempre dispormos de todas as condições para a elucidação. Mas este é o nosso desejo, e estamos empreendendo todos os esforços nesse sentido”, destacou Maria Angelita.

Apesar de a polícia não citar nenhum nome, documentos comprovam que o diálogo seria entre um jovem conhecido como Bruno Tavares e um homem ainda não identificado. No áudio, Bruno descreve como teria matado Roberta, tendo agido com o aval de Saulo Araújo, namorado de Roberta.

Roberta Dias foi raptada ao sair de casa para realizar um exame em Penedo

FOTO: DIVULGAÇÃO

 

O diálogo em questão tem quase 20 minutos. Com riqueza de detalhes, o suposto assassino diz que enforcou Roberta com um fio dentro do veículo em que se encontravam. Ele confirma, ainda, que foi convencido a cometer o crime pelo pai do bebê.

RELEMBRE

Moradores da cidade de Penedo, terra natal de Roberta Dias, foram surpreendidos, no último final de semana, com a divulgação do diálogo que envolveria o suposto executor do crime.

Roberta Costa Dias segue desaparecida desde abril de 2012, quando tinha 18 anos. Uma testemunha do rapto da jovem, inclusive, foi morta meses após o crime. Passados seis anos, a suspeita é a de que Roberta foi mesmo assassinada após se recusar a abortar a gravidez de três meses.

Em 2013, três pessoas foram presas preventivamente: a mãe do então namorado de Roberta Dias e dois policiais civis. Os policiais investigados foram Gledson Oliveira da Silva, 33, e Carlos Bráulio Idalino, 38. Já a mulher apontada como avó da criança, Mary Jane Araújo dos Santos, chegou a ser apontada como a mandante do crime, que teria custado R$ 30 mil.

A mãe de Roberta, por sua vez, segue a cobrar a conclusão do inquérito. Para Mônica Dias, não haveria justificativa para o fato de os suspeitos continuarem em liberdade.

gazetaweb.globo

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