Collor propõe nova abertura e reforma contra crise de governabilidade do Brasil

presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL) defendeu, em entrevista à TV Senado, uma nova abertura comercial e também diversas reformas, a exemplo da política. A ideia é o fim da crise de governabilidade que o país vem enfrentando ao longo dos anos. Collor vê com otimismo o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, além de acreditar que muito em breve o BRICS vai superar a “maré baixa”, tendo um maior destaque nas discussões mundiais.

Collor enfatizou que sua pré-candidatura à Presidência da República tem como objetivo concluir o trabalho iniciado por ele na década de 90, quando foi eleito o primeiro presidente após o regime militar. O parlamentar lembrou que muitas mudanças iniciadas na sua gestão impactaram de forma positiva a população. Contudo, não tiveram continuidade nos governos posteriores. “Quero concluir aquilo que não foi me dado o direito de fazer como presidente da República”.

“Com dois anos e meio de governo, o Brasil mudou radicalmente em comparação com o momento que eu assumi. Quando cheguei, por exemplo, não havia celular, computadores para atender os trabalhos mais exigentes do mercado, além de a indústria automobilística ser de terceira categoria. Enfrentamos interesses e conseguimos realizar a abertura comercial e promover diversas mudanças”.

Collor demonstrou preocupação com os trabalhadores desta geração que estão órfãos da globalização. Para enfrentar este cenário, ele defende que haja investimento na educação com olhar no futuro, em razão de estudos apontarem que cerca 70% das profissões que existem hoje deixarão de fazer parte da realidade do mercado.

“Os órfãos da globalização não estão conseguindo acompanhar a evolução tecnológica. Desassistidos, estão com ressentimentos, frustrações, com alguns desembarcando em áreas do radicalismo. Ou nós conseguimos com educação e investimentos preparar uma geração para aquilo que ela verá pela frente, ou do contrário, ficaremos no fracasso. A inovação tecnológica acontece de forma muito rápida. É preciso fazer com que estes trabalhadores sejam inseridos no processo de globalização”.

Collor defendeu que haja investimento na área da educação

FOTO: Agência Senado

 

Collor demonstrou otimismo com o acordo final entre Mercosul e a União Europeia. Ele ressaltou que estas discussões, em regra, demoram para ser concluídas, mas a proposta já está fechada em alguns pontos e caminhando para um resultado positivo para ambos os blocos. “Acredito que os dois lados vão convergir em seus pontos para um denominador comum. Será um acordo benéfico para todos”.

Ainda durante a entrevista, Collor avaliou que o presidente Donald Trump segue remando contra a maré, já que diversas nações do mundo trabalham no sentido de expandir a globalização como um processo natural. O senador lembrou que cada ação de Trump provoca diversas reações pelo mundo, o que cria instabilidade.

Collor disse acreditar que o próximo presidente do Brasil deve trabalhar na construção de uma melhor relação com os EUA. “A relação entre os países sofreu uma deterioração em razão da política externa”. Ele destacou que a parceria necessita ser retomada, apesar de os EUA serem o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, perdendo para China e União Europeia, 1º e 2º, respectivamente.

Collor defendeu que o Brasil siga exercendo o papel de soft power na busca de consenso por meio do diálogo entre as nações. “É o poder sendo exercido sem cara feia, sem enfrentamento e sem conflitos. É a tradição da política externa brasileira”.

gazetaweb

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