Caso Roberta Dias: Sindpol afirma que “rixa” entre delegados teria motivado a prisão dos policiais

Em coletiva realizada na sede do Sindicato de Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), durante a manhã desta segunda-feira (07), o presidente do órgão, Ricardo Nazário, informou à imprensa que uma possível “rixa” entre os delegados envolvidos no caso Roberta Dias teria motivado a prisão dos três policiais acusados do assassinato. Além disto, o sindicato cobrou uma nova comissão de delegados para investigar o caso.

“Os três policiais são vítimas de um inquérito mal feito, e o que nos preocupa é qual a motivação que está por trás da falta de investigação do áudio descoberto em 2016. O Sindpol tem conhecimento de vários casos de rixas entre os delegados, e possivelmente um problema pessoal motivou essa falsa acusação” afirmou Nazário.

Os policiais Carlos Freire Cardoso, Cledson Oliveira da Silva e Carlos Bráulio Lopes Idalino foram presos em abril de 2014. De acordo com investigações, Idalino foi apontado como o homem que forçou Roberta Dias a entrar em um veículo, com uma arma apontada para a cabeça.

O caso voltou à tona após o vazamento de áudios com detalhes sobre o desaparecimento da jovem, que foi vista pela última vez em 2012. Nele, que tem quase 20 minutos de duração, o suposto assassino diz que enforcou Roberta com um fio dentro de um veículo, e confirma que foi convencido a cometer o crime pelo pai do bebê.

Segundo o advogado do Sindpol, Welton Roberto, após ter acesso ao áudio, o delegado responsável pelo caso, Cícero Lima, não o investigou. Ainda de acordo com Welton, em 2016 um laudo da PF teria afirmado que o áudio era inimputável, e sem edições, e que mesmo assim as informações contidas nele não foram averiguadas.

“A pergunta que fazemos é o que está por trás do ato de esconder um assassino quase confesso. Apesar do conhecimento do áudio desde 2016, ele só veio à tona em detrimento das redes sociais. Então nos perguntamos por que ele nunca foi investigado, e o que de fato aconteceu com o inquérito” afirmou o advogado.

O presidente do Sindicato disse ainda que o Sindpol não vai mais se calar diante dos próximos casos de conflito, para que os policiais de menor patente não sofram as consequências. “Como os delegados estão no mesmo nível de hierarquia, acaba sobrando para os outros policiais e escrivães. Por isso, não vamos mais nos calar diante dos próximos conflitos” esclareceu.

Ele disse ainda que aguarda uma posição do Ministério Público sobre o caso, e que se preocupa com a imagem da polícia civil perante a população alagoana.

“Se três funcionários públicos foram acusados sem provas cabíveis, o que será do cidadão comum? Nossa imagem diante da população alagoana também nos preocupa, pois se há um problema com um inquérito, pode haver com outros. A sociedade está se colocando em uma posição de dúvida com relação às investigações, e um exemplo disso é o caso Boiadeiro” afirmou.

“Também cobramos um posicionamento do Ministério Público, uma vez que ele foi omisso, pois está em posse do inquérito há cerca de seis anos. O Sindpol lutará com todas as suas forças para resolver este caso” finalizou o presidente.

Na última sexta-feira (04), em nota, o Sindicato afirmou que iria pedir o afastamento dos delegados e toda a comissão responsável pelo caso, tendo em vista os transtornos e prejuízos causados aos três policiais civis, que estiveram presos, apontados como autores do desaparecimento da jovem Roberta Costa Dias em 2012.

O caso

 

Roberta foi vista pela última vez em Penedo no dia 11 de abril de 2012 quando saiu de casa para realizar um exame pré-natal. A família contou que antes de desaparecer, ela foi vista na casa do namorado e depois na companhia de uma amiga que a acompanhou na consulta. Depois disso, ela nunca mais foi vista.

O namorado de Roberta, pai do filho que ela esperava, chegou a ser apontado como suspeito pela polícia, mas ele negou qualquer pressão e afirmou que não sabia da gravidez da namorada.

O celular da jovem foi encontrado dois meses depois de seu desaparecimento em um terreno baldio próximo a uma unidade de saúde. O aparelho foi revendido e recuperado tempo depois. A Polícia Civil em Penedo chegou a interrogar o namorado, uma amiga e familiares de Roberta, mas em nenhum dos depoimentos foi encontrado algum detalhe que ajudasse a solucionar o caso.

O computador e o telefone da jovem também chegaram a ser periciados. O caso voltou à tona após a desembargadora Elisabeth Carvalho cobrar a elucidação do caso durante uma sessão do Pleno do Tribunal de Justiça em abril de 2013.

A investigação do caso, coordenada pelo titular da Delegacia Regional de Penedo, Rubens Natário, foi entregue à Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic).

cadaminuto

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