Religiosos de matriz africana relatam ataques contra terreiro em Maceió

Um caso de intolerância religiosa foi registrado no último sábado (03), no Conjunto Margarida Procópio, no bairro da Forene, na parte alta de Maceió. De acordo com informações da yalorixá Nailza Araújo, a Mãe Nailza, coordenadora da Comunidade Tradicional de Matriz Africana Ilê Nife Omo Nije Ogba, a casa onde as ações religiosas são realizadas foi alvo de vândalos, que depredaram a residência no momento em que era iniciada uma cerimônia religiosa no local.

Segundo ela, a polícia foi acionada, mas não esteve no local. “Entrei em contato com o 190 e o Disque Denúncia 181, informei a situação, mas nenhuma viatura policial foi deslocada até a casa. Sofremos durante toda a noite com os ataques. O Boletim de Ocorrência foi registrado apenas domingo, no 10º Distrito Policial, no bairro Eustáquio Gomes”, informou.

A ação dos criminosos teve início por volta das 18 horas. Em pouco tempo de ritual, os participantes foram surpreendidos com um ataque de pedras, pedaços de cerâmicas e de madeiras, que foram arremessadas sobre o telhado da residência. Cerca de 25 pessoas estavam no local, entre elas, crianças, que ficaram assustadas.

(Crédito: Cortesia ao TNH1)

Nickson Deyvis, integrante do grupo religioso, informou que não foi a primeira vez que houve ataque contra os rituais da comunidade. “Desde quando reabrimos o terreiro, em 2015, sofremos com a intolerância na vizinhança. Já fomos atacados com bombas juninas, ovos, pedaços de ossos de animais, pois a casa é próxima de uma mata, onde provavelmente estes vândalos pegam esses ossos”, destacou.

Ainda de acordo com o homem, oito telhas foram quebradas e vários buracos foram encontrados na parte de cima da casa. Algumas das pedras atravessaram o telhado e quase atingiram os participantes do grupo. “Eles passaram do limite, foram pedras enormes que poderiam ter atingido uma pessoa, uma criança. Nós tivemos que encerrar o ritual mais cedo. Mesmo assim, eles voltaram a nos atacar no início da madrugada. Foi aí que a nossa mãe Nailza saiu pela rua do conjunto, sinalizando a importância da garantia de direitos, contra a intolerância”, acrescentou.

(Crédito: Cortesia ao TNH1)

Nesta segunda-feira (05), mãe Nailza se encontrou com outros líderes religiosos, além de se reunir com a Secretaria da Mulher, Cidadania e dos Direitos Humanos, com a OAB, e com órgãos municipais e estaduais para buscar soluções para o ocorrido. Ela informou ao Portal TNH1 que vai registrar o caso no 10º Distrito Policial (10º DP) na manhã desta terça-feira (06).

tnh1

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com