Encontro de Haddad com Ciro incomoda PT

As movimentações políticas do ex-prefeito Fernando Haddad têm provocado mal-estar no comando do PT. Em reunião da Executiva do partido nesta quinta-feira, em São Paulo, a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, disse ter alertado Haddad em relação a seus encontros com adversários políticos, como o que ele teve com o presidenciável Ciro Gomes, do PDT.

Diante do imbróglio jurídico que envolve o ex-presidente Lula, Gleisi deixou claro que tais encontros passariam a impressão de que o partido cogita uma alternativa ao petista na corrida pela sucessão de Michel temer.

O ex-prefeito, por sua vez, afirmou, que tem aval de Lula para conversar com outras lideranças políticas. Nas últimas semanas, Haddad, coordenador do programa de governo da candidatura de Lula, também se reuniu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB).

“O ex-prefeito Fernando Haddad relatou na tarde de hoje (quinta-feira) ao ex-presidente Lula o teor dos seus encontros recentes com o vice-governador Márcio França e com o ex-governador Ciro Gomes. Recebeu de Lula o aval para continuar conversando com todos os setores políticos”, afirmou, em nota, a assessoria do prefeito, após ser confrontado com a fala de Gleisi.

A ordem no comando do PT é propagar que o partido não tem um plano B para a disputa presidencial, apesar da condenação em segunda instância do ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá, o que o torna ficha-suja.

Na avaliação de petistas, a ideia do plano B é “passada de fora para dentro da legenda”, com intuito de enfraquecer a candidatura do ex-presidente. Também avaliam que propostas de união de partidos de centro-esquerda, como a feita por Ciro a Haddad no jantar, teriam o objetivo de tentar marcar posição para herdar os votos de Lula, caso o petista seja tirado da disputa.

Além do jantar com Ciro, petistas de São Paulo também ficaram incomodados com um artigo publicado na última quarta-feira no jornal “Folha de S. Paulo” assinado pelo antropólogo Ricardo Teperman, pelo engenheiro Luiz Reinghantz e pelo economista André Kwak. No texto, eles defendem a candidatura de Haddad a presidente com o argumento de que ele representa a renovação entre os partidos de oposição ao governo Michel Temer. E destacam a sua relação com diferentes lideranças políticas.

Os caciques paulistas da legenda acreditam que o ex-prefeito teve participação na elaboração do texto porque Kwak, um dos autores, trabalhou na prefeitura de São Paulo em cargo comissionado durante a gestão Haddad (2013-2016). O economista fazia parte de um grupo de jovens assessores com grande acesso ao prefeito, apelidado de “Pokemons do Haddad”. Haddad nega ter dado aval ao artigo. No texto, os autores também frisam que a ideia lançada ali não tem vínculo com o ex-prefeito.

MSN

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