Você vota em alguém para que ele possa roubar ou matar e não ser preso?

Há algo de muito podre na República do Brasil.

As vísceras da injustiça ficaram expostas em praça pública, ontem, no Rio de Janeiro, depois que Assembleia Legislativa local decidiu tirar da prisão o presidente da Casa, Jorge Picciani, e dois coleguinhas dele envolvidos em tenebrosas transações.

Era caso de sexo explícito, ainda que o prazer tenha sido apenas de um dos lados.

Está escrito na Constituição Federal, disseram os Supremos ministros do STF: detentores de foro privilegiado e a consequente imunidade processual podem matar, roubar, estuprar, espancar mulher, cometer todas as atrocidades já imaginadas – ou não – que nada lhes acontecerá.

Se a Justiça decretar a prisão de qualquer um deles que praticar uma das ações acima, a medida só se confirmará se os coleguinhas do malvado concordarem. Fora disso é liberdade absoluta para as almas criminosas que tivem o benefício de um mandato.

É um salvo conduto que tem a duração, no mínimo, de um mandato eletivo – seja para o que for –, a que têm direito apenas e tão somente os supercidadãos de uma Pátria de humilhados (nós).

São eles, e somente eles, que criminalizam a atividade política, que usam como meio de vida ou de morte alheia. Ainda que minoria, eles fazem um mal imenso à população brasileira, e só praticam os crimes em série com a nossa inestimável e insubstituível colaboração.

Somo nós que lhe damos o foro privilegiado e a imunidade processual. Certamente, não com a intenção – nossa, racional, na maioria – de autorizar que eles façam do mandato uma arma poderosa do crime.

Está claro: de nada adianta a Justiça – quando ela funciona – nos casos em que os bandidos estão protegidos pelo espírito de corpo e pela blindagem da “última” jurisprudência do STF (cada dia com sua cria).

Não gosto da judicialização da política; gosto muito menos, no entanto, da legalização do crime pela via eleitoral.

É abrir o olho: na hora de votar não esqueça que você está dando uma licença para o eleito matar e/ou para roubar – se assim ele decidir ou indicar a sua história pretérita.

Talvez seja melhor conceder tal licença a quem dela não precisa.

(O resto é o imponderável.)

 

Por: Ricardo Mota

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