Rizicultura é a principal atividade dos projetos de irrigação da Codevasf em Alagoas

Novas variedades de arroz são testadas para cultivo no Baixo São Francisco alagoano

O objetivo é substituir as variedades cultivadas na região há décadas, que têm apresentado baixa resistência a doenças e perda da produtividade
A produção de arroz é a principal atividade econômica de cerca de mil produtores no Baixo São Francisco alagoano. Um experimento realizado no projeto público de irrigação do Itiúba, às margens do rio em Porto Real do Colégio (AL), está testando novos cultivares do cereal, que deverão substituir as atuais variedades cultivadas na região há cerca de uma década. O experimento está sendo realizado por técnicos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), da Embrapa e da Emater/AL, com a participação de irrigantes.
Segundo o coordenador do Programa de Apoio à Produção dos Projetos Públicos de Irrigação (PROAP) na Codevasf em Alagoas, engenheiro agrônomo Pedro Melo, estão sendo testados sete cultivares de arroz. “Os experimentos foram implantados pela Embrapa no Itiúba para se avaliar a adaptação desses cultivares aqui na região. Pretendemos verificar como eles se comportam em relação às doenças, à produção, ao perfilhamento e ao tamanho”, revela.
O engenheiro agrônomo da Codevasf explica que já foi realizada a primeira avaliação das variedades cultivadas de forma experimental. “Com a participação de técnicos da Codevasf, da Embrapa, da Emater/AL, de agricultores irrigantes e representantes do Distrito de Irrigação do Itiúba, fizemos uma avaliação das variedades cultivadas por meio de fichas de avaliação, na qual comparamos algumas características de cada cultivar, como tamanho da planta e resistência a doenças, produção e produtividade. A intenção é dar subsídio para a escolha dos melhores cultivares para a região”, aponta.
O teste com novos cultivares de arroz na região do Baixo São Francisco alagoano ocorre com o objetivo de substituir as atuais variedades que são cultivadas na região há décadas, o que, de acordo com o engenheiro agrônomo da Codevasf, tem resultado em baixa resistência a doenças e em perda da produtividade.
“Qualquer variedade começa seu cultivo com uma grande resistência a doenças ou a determinados insetos que podem prejudicar o cultivo. Ao longo do tempo de cultivo, essa resistência vai sendo quebrada. Não existe uma ‘supervariedade’ que resista por muito tempo a esses ataques. Ou seja, os cultivares possuem um prazo de validade determinado. Se houver uma rotatividade de variedades, elas podem resistir por mais tempo. Por isso, a necessidade de apresentar novos cultivares para que se mantenha a produtividade na região”, defendeu o coordenador do Programa de Apoio à Produção dos Projetos Públicos de Irrigação na Codevasf em Alagoas.
Essa é a primeira vez que se realiza esse tipo de experimento e avaliação com a participação dos técnicos que prestam Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) aos projetos de irrigação da Codevasf em Alagoas e dos agricultores irrigantes na região do Baixo São Francisco alagoano, segundo o analista em transferência de tecnologia da Embrapa, Raimundo Rabelo. “Chamamos de avaliação participativa, quando envolvemos outros segmentos que normalmente não são envolvidos. Nesse caso, envolvemos a área técnica que trabalha com a cultura do arroz e alguns produtores. Acredito que o resultado foi bem interessante e atingimos nosso objetivo”, afirmou.
Raimundo Rabelo também citou alguns aspectos que foram avaliados nos cultivares em experimento. “O primeiro aspecto que normalmente se avalia é o potencial produtivo, no qual se observa a panícula, que se costuma chamar de cacho. Assim, pela quantidade de grãos na panícula, já se tem uma ideia da possibilidade de produção. Também se avalia a questão de doenças, quais cultivares estão mais sadios ou mais doentes. A questão da altura da planta, pois, se a planta for muito alta, a probabilidade de ela tombar quando der um vento mais forte ou chover é muito maior. O ciclo também é avaliado, pois aqueles cultivares que demoram mais a maturar somente são usados pelo produtor se ele for muito bom, senão a tendência é preferir materiais mais precoces, onde ele possa plantar e colher o mais rápido possível”, resumiu o analista em transferência de tecnologia da Embrapa.
Durante a avaliação técnica e prática já realizada, dois cultivares de arroz foram apontados como mais interessantes para substituir os atuais cultivos dos projetos de irrigação da Codevasf em Alagoas. Esses cultivares agora passarão por análises nos laboratórios da Embrapa e, caso o estudo de laboratório vá ao encontro do que foi apontado na avaliação de campo, essas duas variedades estarão habilitadas para substituir as atuais variedades cultivadas no Baixo São Francisco alagoano. A previsão é que em, no máximo, um mês já possa haver uma indicação de quais cultivares serão indicados para a região.

Bruno Santos
Jornalista Mte 759/AL

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