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PENEDO E SUA HISTÓRIA SECULAR

A cidade de Penedo tem características visíveis e harmoniosas, que marcam a sua longa e marcante história secular. Uma cidade cheia de importantes fases históricas, que culminaram com a edificação de um casario magnífico e um povo diferenciado, que vem perdendo à sua trajetória culta, devido ao avanço desenfreado da ausência de uma política pública, capaz de dotá-la de meios eficientes que possam combater essa adversidade, diante dos desencontros das medidas que se tornam infrutíferas e sem destinação, à altura de seu grande passado.

Penedo, muito embora os órgãos federais procurem orientar e preservar a sua importância de cidade patrimônio nacional, não tem sido, ao longo dos anos bem administrada, devido não só a falta de conhecimento de seus governantes, como também a pouca importância que eles dão ao incentivo social e artístico da população, outrora uma comunidade bem educada e considerada como exemplo para as demais cidades brasileiras.

Penedo completará 378 anos de sua elevação à Vila, status que poucos povoados diferenciados tinham, no século XVII. O dia 12 de abril é comemorado com bastante alegria e regozijo pela população esclarecida da secular cidade.

Naquela data histórica de 1636, o povoado foi elevado a essa condição porque já tinha refletida a sua importância, não só estratégica, mas de núcleo de reconhecida influência regional.

Devido ao avanço das investidas holandesas ao território brasileiro, a coroa espanhola deu-lhe o título para assim dotá-la de um forte sentimento de preservação de suas raízes portuguesas e nativas. Mas isso nada adiantou quando as tropas comandadas pelo magnânimo João Maurício de Nassau, chegou em março de 1637.

A história holandesa em Penedo foi de uma magnitude sem igual, apesar da divulgação errônea por parte de historiadores renomados que procuraram esconder, das futuras gerações, o que de fato aconteceu. Não estamos querendo dizer com isso que se fôssemos colonizados pelos holandeses a coisa seria melhor. Naturalmente que isso não procede, porque, apesar de tudo, tivemos uma colonização, questionada evidentemente, mas que deu ao Brasil a sua unidade continental. E os holandeses não queriam colonizar o Brasil. E se João Maurício continuasse no Brasil, forçosamente seria elevado à condição de rei, assim era a vontade popular, notadamente quando se afirmava abertamente que seria um reino com as características vinculadas estritamente a um povo nativo, com a língua própria e objetivos claros de independência.

João Maurício de Nassau sempre afirmava que não havia no mundo um povo tão persistente em seus objetivos, como o brasileiro. Um povo que não queria ser tutelado ou dominado por estrangeiros. Era um povo voltado para a sua independência completa e total. Quando foi embora do Brasil, foi ovacionado durante toda a sua caminha, com a população pedindo e clamando que ficasse para sempre. Essa ternura para o Conde foi geral e abrangente. Poucos homens tiveram tamanha aclamação.

Penedo, durante os períodos colônias espanhol e português, teve importante participação como ativo membro dos movimentos libertários e de apoio à coroa, chegando mesmo a receber o título imperial de “mui leal e fiel cidade”, por sua persistente lealdade à monarquia.

Na revolução do Equador e na revolução pernambucana, iniciou com apoio a esses movimentos, mas sentindo o fracasso retornou ao fiel e obsequioso cumprimento às ordens imperiais.

Na guerra do Paraguai, participou de forma brilhante, enviando inúmeros voluntários ao palco renhido confronto nos charcos guaranis.

Até metade do século XX, teve uma comunidade de elevado espírito cívico e altamente intelectualizada.

Todo mundo em Penedo sabia ler e escrever, tendo um versátil desenvolvimento em diversas áreas onde arte e a formação educacional, era um critério apreciado e incentivado.

Notório também era o conhecimento da intensa atividade musical da cidade, com inúmeros musicistas sendo espalhados pelo Brasil afora.

Oficialmente, a cidade foi fundada em 1535 quando primeiro donatário de Pernambuco, Duarte Coelho, ali chegou expulsando os franceses e fincando a pedra fundamental, depois foi destruída pela ignorância e ausência de critérios preservacionista de alguns administradores não qualificados.

Penedo é uma cidade privilegiada que detém o título de patrimônio nacional, e espera ser dentro de pouco tempo, patrimônio internacional.

É a terra de inúmeros personagens que se fizeram e fazem presentes na história do país.

Hoje, se ressente de uma melhor estrutura educacional, refletindo isso na crescente onda de violência que tanto tem infelicitado a sua população que sofre com o tamanho dessa crueldade.

Nilo Sérgio Belo Pinheiro

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