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MP-AL denuncia policial militar por morte de irmãos no Village Campestre

O cabo da Polícia Militar Johnerson Simões Marcelino foi acusado pelo Ministério Público (MP) por homicídio doloso e duplamente qualificado, que vitimou os irmãos Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo em 2016, na parte alta de Maceió. O PM também é acusado de homicídio culposo contra o pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira.

A decisão, que foi tomada por meio da 49ª Promotoria de Justiça da Capital, foi divulgada nesta quarta-feira (22).

Procurada pela reportagem do G1, a assessoria de comunicação da PM disse que a corporação não vai se pronunciar sobre o caso, e que cabe ao militar acusado se defender perante a Justiça.

O crime ocorreu no dia 25 de março de 2016, na Rua São Pedro, localizada no Conjunto Village Campestre II, no bairro Cidade Universitária.

Segundo a versão dos PMs que participaram da ocorrência, os irmãos reagiram e houve troca de tiros. Ferreira, que passava pelo local, acabou sendo atingido e também morreu. Porém, a promotoria contesta essa versão.

A ação ajuizada pelo promotor José Antônio Malta Marques pediu a condenação de Johnerson Simões Marcelino pelo crime previsto no artigo 121 do Código Penal Brasileiro, que trata do crime de homicídio. A acusação é que o assassinato foi praticado com dois agravantes: motivo torpe e por recurso que tornou impossível a defesa das vítimas.

O PM ainda deve responder, em conjunto com o soldado Jailson Stallaiken Costa Lima, outro militar que participou da ação policial que vitimou os irmãos, por fraude processual, já que ambos teriam implantado armas e munições entre os pertences das vítimas para forjar uma reação armada.

De acordo com a denúncia, no dia do crime o cabo integrava uma guarnição e fazia uma patrulha de rotina nas ruas do conjunto Benedito Bentes, quando recebeu a informação que dois assaltantes estavam agindo no Conjunto Village Campestre II.

Ao chegar no local informado, junto aos outros PMs, o denunciado abordou os dois irmãos e, a partir daí, teria ocorrido “uma série de ações desastrosas que culminaram nos homicídios”.

Na ação, o promotor relata que depoimentos de testemunhas confirmaram que dois militares da guarnição iniciaram agressivamente as revistas, razão pela qual Josenildo, a vítima de maior idade, ao assistir o irmão ser agredido, passou a defender Josivaldo. Teria sido nesse momento que o denunciado, que assitia a abordagem encostado na viatura, realizou os disparos.

“A ação do cabo Johnerson foi tão desmedida que ao realizar os disparos, de modo consciente, em atingindo Josenildo com dois e Josivaldo com três projeteis, pela mesma ação, ainda lesionou, com tiros de raspão, os policiais militares que estavam próximos das vítimas, e terminou por atingir fatalmente Reinaldo da Silva Ferreira, que estava a cerca de 20 metros de distância, no lado oposto da rua”, diz um trecho da denúncia.

Após o fato, de acordo com o MP, o denunciado pediu a poio a uma segunda guarnição, que fez o socorro dos policias feridos. Enquanto isso, outros policiais ficaram no local. Um deles, o soldado Jailson Stallaiken, teria lhe dado apoio para forjar a cena do crime.

“Foi nesse momento que eles implantaram pistola, espingarda e munições entre os pertences das vítimas”, denunciou o promotor de justiça em sua petição.

G1

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