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Bruno Toledo: “Olavo Calheiros tentou um golpe na eleição da Casa. Isnaldo teve o desejo de criar discórdia”

Fiz indagações – em uma postagem deste blog – sobre a postura do deputado estadual Bruno Toledo (PROS) em relação ao processo que resultou na eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e recondução de Luiz Dantas (PMDB) ao comando da Casa. Toledo foi posto como o pivô de um racha e apontado como “traidor” de um grupo, ao lançar sua candidatura e obter, no primeiro turno do sufrágio dos parlamentares, 12 votos. No segundo turno, obteve 11.

Toledo nega ter traído alguém. Disse que avisou da candidatura posta ao grupo com o qual dialogava durante o entendimento para a eleição, avisando isto inclusive a Luiz Dantas. Durante a entrevista acusou Olavo Calheiros (PMDB) e Isnaldo Bulhões (PMDB) de terem tentado um “golpe”. E disse – sem citar nomes – que Dantas se deixa influenciar por parlamentares que se aproveitam “do perfil conciliador do presidente”.

Confira íntegra da conversa.

O senhor foi posto como o pivô de um racha na Casa que quase culmina em uma derrota do presidente Luiz Dantas. Ficou parecendo que havia um acordo firmado em torno do nome de Dantas, mas que sua candidatura de última hora – desrespeitando um acordo firmado com este grupo – causou um racha entre os que apóiam o governador Renan Filho (PMDB). Havia acordo? O senhor traiu alguém?

Eu não traí ninguém. E deixei minha posição clara. Não teve acordo para eu preservar o presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas. O que de fato aconteceu foi o seguinte: um grupo de deputados se juntou para mudar a Mesa Diretora e não a presidência. De fato, inicialmente não existia nenhuma ideia de mudar a presidência. Do primeiro-vice até o segundo suplente nós juntamos um grupo para mudar tudo, menos o presidente, pois não queríamos aquela Mesa que estava. Aí começaram as articulações e composições, até que chegou um momento em que nos juntamos em um hotel no interior do Estado para discutirmos como se dariam os cargos.

Quem eram os deputados que estavam neste hotel?

Reuniram-se os deputados Marcelo Victor, Severino Pessoa, Jairzinho Lira, Davi Davino, Dudu Holanda, Marcos Madeira, Gilvan Barros, Thaíse Guedes, Leo Loureiro (que representou o deputado João Beltrão), Galba Novaes, Francisco Tenório e eu. Durante a noite, chegou o deputado Antonio Albuquerque e Tarcizo Freire. Então, tínhamos um grupo de 14 deputados reunidos prontos para mudar a Mesa. Contávamos com o deputado Ricardo Nezinho que estava em outra atividade, mas que penhorou apoio a este grupo. E além dele, o deputado Sérgio Toledo que não foi por também estar em outra atividade. Eles não estavam no hotel, mas penhoraram apoio. Lá, discutimos da primeira-vice-presidência para baixo. O deputado Antônio Albuquerque não aceitou esta composição porque o deputado Francisco Tenório foi o escolhido deste grupo para ser o vice-presidente. Ele, pela manhã, acordou e foi embora. Não fazia parte, portanto, neste primeiro momento. Então, ficamos lá e depois fomos almoçar – no dia da eleição – em um hotel da capital. Mas, antes disso, em uma das reuniões, eu disse: se o presidente Luiz Dantas não quiser o meu voto, eu não vou votar nele.

Por que o senhor dependeria disto para votar em Luiz Dantas?

Eu disse que se ele continuasse conspirando, usando a máquina, utilizando o governo do Estado, constrangendo e persuadindo os deputados para destruir este grupo, eu não votaria no Luiz Dantas. E disse: “eu espero que este meu posicionamento não destrua o pensamento do resto do grupo, que eu respeito. Agora, vocês avaliem se querem votar em quem não quer o voto de vocês”. É um pensamento meu, eu assumi esse rico e não queria que ninguém me acompanhasse com isto. Eu não pedi solidariedade de ninguém. Agora, se o Dantas visse pedir o meu voto e reconhecesse que a Mesa passada não contemplou e representou os deputados, aí era outra história.

O que ocorreu neste almoço que antecedeu a eleição?

Bem, chegamos ao hotel para almoçar e discutir. Chegamos todos já prontos para irmos à Assembleia. Recebemos o recado que o presidente Luiz Dantas não queria procurar o nosso grupo e apenas agradeceu o fato do grupo não ter presidente. Este foi o recado que nos chegou. Naquele momento eu reafirmei: “então, eu sou candidato”. Chamei um assessor meu, assinei a candidatura e pedi para protocolar na Casa, como foi feito. Isto era por volta de 12 horas mais ou menos. O horário do protocolo é de 12h40. Faltavam vinte minutos para encerrar as inscrições. A partir daquele momento, eu conversei com nove deputados que declararam apoio a mim. Então, eu saberia que teria 10 votos. Tive, no primeiro turno 12 votos. Quem foram os outros dois deputados que votaram em mim eu não sei. Também não sei quem foi que desistiu para que no segundo turno eu tivesse apenas 11 votos. O deputado Ricardo Nezinho – por exemplo – que fez parte deste bloco para mudar o resto da Mesa, não votou em mim e deixou isso claro. Reafirmo seu compromisso com o Luiz Dantas. O deputado Sérgio Toledo teve este mesmo posicionamento. Isto ocorreu em menos de uma hora.

O deputado Luiz Dantas disse que ligou para o senhor e conversou sobre a candidatura dele antes da eleição?

De fato, o deputado Luiz Dantas me ligou quando eu estava indo para a Assembleia. Ele me perguntou o que representava a minha candidatura. Eu disse a ele que era uma candidatura de insatisfação diante do posicionamento dele, da forma como ele conduzia o processo politicamente. E afirmei que eu não esperava mais que 10 votos e que não iria conseguir ganhar. Mas, informei que era candidato. Chegando ao plenário, eu tive 12 votos. Como disse: se você me pergunta quem foram esses dois deputados, eu vou dizer: não sei.

Quem são os deputados que se manifestaram para votar em você?

Não quero polemizar. Agora é hora de recompor. Não quero revelar para evitar perseguições. Minha candidatura nasceu de uma iniciativa minha e alguns deputados me acompanharam, prestaram apoio por afirmarem que tinham o mesmo sentimento que o meu. Eu fui para o plenário e ocorreu o processo. Depois da votação, também não sei quem deixou de votar no segundo turno.

E a questão de ordem do deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB). O que o senhor diz sobre ela?

Eu fui surpreendido por aquela questão de ordem. O deputado inventou que existia um requerimento meu dizendo que eu teria provocado a Mesa Diretora por conta do fracionamento da eleição. Eu não fiz nenhum requerimento neste sentido. Eu fiz requerimento solicitando a resolução. Tanto que eu indaguei qual era o requerimento e lembrei a ele (Olavo Calheiros) que eu poderia retirá-lo a qualquer momento. Se existisse requerimento, eu tinha retirado. Não existia. Ficou mais do que comprovado que ele tentou dar um golpe. De fato, alguns deputados que não aceitam o processo democrático, que não aceitam perder, para ficar mais claro, queriam que a eleição não acontecesse porque iriam perder para pessoas que não eram, naquele momento, do agrado deles. Eu não acredito que isto tenha sido uma represália ao fato de eu ter me apresentado candidato. É algo maior. Acho que isto já estava orquestrado para acontecer.

Fica fragmentada a Assembleia?

O que fragmentou a Assembleia foi esta atitude e não a minha candidatura. Agora, o que eu espero e desejo é que a gente agrupe e siga o caminho. Que possamos, no futuro, evitar este tipo de comportamento. Como podemos ficar reféns do desejo de um só? O fato é que eles não tiveram articulação sequer para montar uma chapa. A base do governo, o núcleo duro do governo, não teve articulação para sequer montar uma chapa. Essa é a verdade. Imagino que este risco que eles correram, de perder o presidente da Assembleia, foi por total desarticulação deles próprios. Não foi uma articulação minha não. Eu nunca fui atrás de compromisso ou quebrei compromisso. Eu não tinha firmado compromisso com ninguém em relação à presidência. Houve uma desarticulação do próprio grupo por atitudes como essa. De querer conduzir a Assembleia por meio de um coronelismo, de tentar suspender um processo convocado por eles em Diário Oficial. Eles quiseram a eleição em bloco e depois vem com uma presepada dessas de querer inventar até requerimento que não existe. São atitudes antidemocráticas que a gente tem visto na Casa, quase que cotidianamente, e que gerou insatisfações.

Agora, o senhor fala isto, faz até uma crítica de que havia uma inércia da antiga Mesa, mas sempre tem poupado o presidente Luiz Dantas dessas críticas. Então, quem são os inertes? Quem são os antidemocráticos da Assembleia?

Na verdade, quanto ao Luiz Dantas, eu não enxergo que ele tenha essa maldade, digamos assim, ou desejo de semear a discórdia na Assembleia. Por isso que eu pondero quando falo nele. Agora, ele fica omisso no processo. Pois, se partisse da vontade e do desejo do presidente, ele não teria passado por um constrangimento daquele. Isto é totalmente ilegal, antidemocrático, pois não existe previsão regimental para, através de uma questão de ordem, se tentar adiar uma eleição prevista regimentalmente para o dia 1º de fevereiro. Eu não acho que o Luiz Dantas tem o desejo de semear discórdia como essa. Então, fica claro – e não precisava nem citar nomes – porque a questão de ordem partiu do deputado Olavo Calheiros. Se eu fui omisso naquela declaração ao não citar nomes, é porque para mim isto estava claro. Estava claro quem queria golpear o processo e semear esta discórdia.

O senhor está dizendo que o Olavo Calheiros tentou dar um golpe?

Sim. O Olavo tentou dar um golpe. Agora, quem promoveu esse golpe que tentou ser executado pelo deputado Olavo, eu não sei. Não posso fazer acusações levianas. Agora posso apontar o deputado Olavo. Então, eu achei óbvio. E destaco aqui uma inabilidade também enorme, vinda do desejo de criar a discórdia, por parte do deputado Isnaldo Bulhões. Ambos tentam promover a discórdia na Casa. Eu omiti nomes porque não é do meu feitio promover esta discórdia. Mas, naquele momento eu achei que isto estivesse claro. Olavo tentou inventar um requerimento que não existe. Nunca existiu. O presidente reconheceu que este requerimento não existia. O que me deixa mais preocupado é que no primeiro momento o presidente deferiu a questão de ordem do Olavo. Mas, e aí graças a Deus, em um momento de extrema lucidez, ele recuou do adiamento da eleição e evitou que essa fatalidade, esse absurdo, acontecesse na Assembleia. É difícil prevê o que ocorreria se o golpe fosse levado adiante.

Fica a sensação de que o Luiz Dantas foi manobrado em alguns momentos no comando da Mesa, sendo apenas uma “Rainha da Inglaterra”. E aqui a expressão Rainha da Inglaterra é uma metáfora usada por mim e não pelo senhor. Deixo isso claro. Mas indago: é isso?

Não diria isso. Não enxergo assim. Eu acho que o Luiz Dantas tem um perfil tão agregador que muitas vezes ele é influenciado. E há pessoas (deputados) que se utilizam de malícias para conduzi-lo, digamos assim. Eu queria ter feito um discurso de agradecimento e parabenizar o Luiz Dantas. Eu acredito que ele tem capacidade de gerir a Casa. Até, naquele momento, mais que eu. Ele é do partido do governador e isto ajuda para se ter harmonia na Casa. Agora, é preciso saber dar o tom de independência necessária. O Dantas tem um bom perfil e não vejo ninguém com o desejo de destituí-lo do cargo. A minha candidatura refletiu uma insatisfação não direta com o presidente atual, mas com o processo que foi criado. Mas, eu não tenho ganância de derrotar Dantas. Mas, muitas vezes ele é influenciado. Ele é levado, conduzido, a caminhos que vão para a discórdia. Isto é algo muito grave. A Assembleia precisa urgentemente de uma liderança. Que seja o próprio Luiz Dantas. Que ele exerça o papel desta liderança, pois ele pode ser. Todavia, neste momento a Casa se encontra sem líder para conduzir e juntar os cacos que ficaram. O que tentaram fazer nesta eleição deixou marcas.

Você disse que os governistas – que é a base de apoio do governador Renan Filho (PMDB) – não conseguiram montar sequer uma chapa. Na sua avaliação qual o reflexo disto em relação ao governador do Estado?

Talvez eu tenha me expressado mal quando falei em governistas. O que eu quis dizer é o núcleo duro do governo na Casa, que são os deputados que se sentem mais Executivo do que Legislativo. Quando eu falo ala do governo, eu falo desta ala. Este grupo, muitas vezes, acaba deixando a Casa até subserviente. Agora, este bloco que ganhou a eleição é todo governista. O governador, a meu ver, não vai ter dificuldade de diálogo com a Casa. Não existe um só secretário, ou vice-presidente que seja oposição. Nem os suplentes são. Eu que sigo independente, pois não tenho cargos no governo e nem quero. Agora, vou disputar espaços nas comissões da Casa, o que é natural. Mas são espaços políticos. Mas veja, quem faz a pauta da Assembleia é a presidência. Ele foi mantido. Cabem aos demais secretários a gerência da Casa. A relação institucional com o governador não está abalada em absolutamente nada. Agora, nas questões administrativas da Casa há sim um racha. Isto precisa ser urgentemente organizado e não vejo obstáculo para que isto aconteça.

Fiz indagações – em uma postagem deste blog – sobre a postura do deputado estadual Bruno Toledo (PROS) em relação ao processo que resultou na eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e recondução de Luiz Dantas (PMDB) ao comando da Casa. Toledo foi posto como o pivô de um racha e apontado como “traidor” de um grupo, ao lançar sua candidatura e obter, no primeiro turno do sufrágio dos parlamentares, 12 votos. No segundo turno, obteve 11.

Toledo nega ter traído alguém. Disse que avisou da candidatura posta ao grupo com o qual dialogava durante o entendimento para a eleição, avisando isto inclusive a Luiz Dantas. Durante a entrevista acusou Olavo Calheiros (PMDB) e Isnaldo Bulhões (PMDB) de terem tentado um “golpe”. E disse – sem citar nomes – que Dantas se deixa influenciar por parlamentares que se aproveitam “do perfil conciliador do presidente”.

Confira íntegra da conversa.

O senhor foi posto como o pivô de um racha na Casa que quase culmina em uma derrota do presidente Luiz Dantas. Ficou parecendo que havia um acordo firmado em torno do nome de Dantas, mas que sua candidatura de última hora – desrespeitando um acordo firmado com este grupo – causou um racha entre os que apóiam o governador Renan Filho (PMDB). Havia acordo? O senhor traiu alguém?

Eu não traí ninguém. E deixei minha posição clara. Não teve acordo para eu preservar o presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas. O que de fato aconteceu foi o seguinte: um grupo de deputados se juntou para mudar a Mesa Diretora e não a presidência. De fato, inicialmente não existia nenhuma ideia de mudar a presidência. Do primeiro-vice até o segundo suplente nós juntamos um grupo para mudar tudo, menos o presidente, pois não queríamos aquela Mesa que estava. Aí começaram as articulações e composições, até que chegou um momento em que nos juntamos em um hotel no interior do Estado para discutirmos como se dariam os cargos.

Quem eram os deputados que estavam neste hotel?

Reuniram-se os deputados Marcelo Victor, Severino Pessoa, Jairzinho Lira, Davi Davino, Dudu Holanda, Marcos Madeira, Gilvan Barros, Thaíse Guedes, Leo Loureiro (que representou o deputado João Beltrão), Galba Novaes, Francisco Tenório e eu. Durante a noite, chegou o deputado Antonio Albuquerque e Tarcizo Freire. Então, tínhamos um grupo de 14 deputados reunidos prontos para mudar a Mesa. Contávamos com o deputado Ricardo Nezinho que estava em outra atividade, mas que penhorou apoio a este grupo. E além dele, o deputado Sérgio Toledo que não foi por também estar em outra atividade. Eles não estavam no hotel, mas penhoraram apoio. Lá, discutimos da primeira-vice-presidência para baixo. O deputado Antônio Albuquerque não aceitou esta composição porque o deputado Francisco Tenório foi o escolhido deste grupo para ser o vice-presidente. Ele, pela manhã, acordou e foi embora. Não fazia parte, portanto, neste primeiro momento. Então, ficamos lá e depois fomos almoçar – no dia da eleição – em um hotel da capital. Mas, antes disso, em uma das reuniões, eu disse: se o presidente Luiz Dantas não quiser o meu voto, eu não vou votar nele.

Por que o senhor dependeria disto para votar em Luiz Dantas?

Eu disse que se ele continuasse conspirando, usando a máquina, utilizando o governo do Estado, constrangendo e persuadindo os deputados para destruir este grupo, eu não votaria no Luiz Dantas. E disse: “eu espero que este meu posicionamento não destrua o pensamento do resto do grupo, que eu respeito. Agora, vocês avaliem se querem votar em quem não quer o voto de vocês”. É um pensamento meu, eu assumi esse rico e não queria que ninguém me acompanhasse com isto. Eu não pedi solidariedade de ninguém. Agora, se o Dantas visse pedir o meu voto e reconhecesse que a Mesa passada não contemplou e representou os deputados, aí era outra história.

O que ocorreu neste almoço que antecedeu a eleição?

Bem, chegamos ao hotel para almoçar e discutir. Chegamos todos já prontos para irmos à Assembleia. Recebemos o recado que o presidente Luiz Dantas não queria procurar o nosso grupo e apenas agradeceu o fato do grupo não ter presidente. Este foi o recado que nos chegou. Naquele momento eu reafirmei: “então, eu sou candidato”. Chamei um assessor meu, assinei a candidatura e pedi para protocolar na Casa, como foi feito. Isto era por volta de 12 horas mais ou menos. O horário do protocolo é de 12h40. Faltavam vinte minutos para encerrar as inscrições. A partir daquele momento, eu conversei com nove deputados que declararam apoio a mim. Então, eu saberia que teria 10 votos. Tive, no primeiro turno 12 votos. Quem foram os outros dois deputados que votaram em mim eu não sei. Também não sei quem foi que desistiu para que no segundo turno eu tivesse apenas 11 votos. O deputado Ricardo Nezinho – por exemplo – que fez parte deste bloco para mudar o resto da Mesa, não votou em mim e deixou isso claro. Reafirmo seu compromisso com o Luiz Dantas. O deputado Sérgio Toledo teve este mesmo posicionamento. Isto ocorreu em menos de uma hora.

O deputado Luiz Dantas disse que ligou para o senhor e conversou sobre a candidatura dele antes da eleição?

De fato, o deputado Luiz Dantas me ligou quando eu estava indo para a Assembleia. Ele me perguntou o que representava a minha candidatura. Eu disse a ele que era uma candidatura de insatisfação diante do posicionamento dele, da forma como ele conduzia o processo politicamente. E afirmei que eu não esperava mais que 10 votos e que não iria conseguir ganhar. Mas, informei que era candidato. Chegando ao plenário, eu tive 12 votos. Como disse: se você me pergunta quem foram esses dois deputados, eu vou dizer: não sei.

Quem são os deputados que se manifestaram para votar em você?

Não quero polemizar. Agora é hora de recompor. Não quero revelar para evitar perseguições. Minha candidatura nasceu de uma iniciativa minha e alguns deputados me acompanharam, prestaram apoio por afirmarem que tinham o mesmo sentimento que o meu. Eu fui para o plenário e ocorreu o processo. Depois da votação, também não sei quem deixou de votar no segundo turno.

E a questão de ordem do deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB). O que o senhor diz sobre ela?

Eu fui surpreendido por aquela questão de ordem. O deputado inventou que existia um requerimento meu dizendo que eu teria provocado a Mesa Diretora por conta do fracionamento da eleição. Eu não fiz nenhum requerimento neste sentido. Eu fiz requerimento solicitando a resolução. Tanto que eu indaguei qual era o requerimento e lembrei a ele (Olavo Calheiros) que eu poderia retirá-lo a qualquer momento. Se existisse requerimento, eu tinha retirado. Não existia. Ficou mais do que comprovado que ele tentou dar um golpe. De fato, alguns deputados que não aceitam o processo democrático, que não aceitam perder, para ficar mais claro, queriam que a eleição não acontecesse porque iriam perder para pessoas que não eram, naquele momento, do agrado deles. Eu não acredito que isto tenha sido uma represália ao fato de eu ter me apresentado candidato. É algo maior. Acho que isto já estava orquestrado para acontecer.

Fica fragmentada a Assembleia?

O que fragmentou a Assembleia foi esta atitude e não a minha candidatura. Agora, o que eu espero e desejo é que a gente agrupe e siga o caminho. Que possamos, no futuro, evitar este tipo de comportamento. Como podemos ficar reféns do desejo de um só? O fato é que eles não tiveram articulação sequer para montar uma chapa. A base do governo, o núcleo duro do governo, não teve articulação para sequer montar uma chapa. Essa é a verdade. Imagino que este risco que eles correram, de perder o presidente da Assembleia, foi por total desarticulação deles próprios. Não foi uma articulação minha não. Eu nunca fui atrás de compromisso ou quebrei compromisso. Eu não tinha firmado compromisso com ninguém em relação à presidência. Houve uma desarticulação do próprio grupo por atitudes como essa. De querer conduzir a Assembleia por meio de um coronelismo, de tentar suspender um processo convocado por eles em Diário Oficial. Eles quiseram a eleição em bloco e depois vem com uma presepada dessas de querer inventar até requerimento que não existe. São atitudes antidemocráticas que a gente tem visto na Casa, quase que cotidianamente, e que gerou insatisfações.

Agora, o senhor fala isto, faz até uma crítica de que havia uma inércia da antiga Mesa, mas sempre tem poupado o presidente Luiz Dantas dessas críticas. Então, quem são os inertes? Quem são os antidemocráticos da Assembleia?

Na verdade, quanto ao Luiz Dantas, eu não enxergo que ele tenha essa maldade, digamos assim, ou desejo de semear a discórdia na Assembleia. Por isso que eu pondero quando falo nele. Agora, ele fica omisso no processo. Pois, se partisse da vontade e do desejo do presidente, ele não teria passado por um constrangimento daquele. Isto é totalmente ilegal, antidemocrático, pois não existe previsão regimental para, através de uma questão de ordem, se tentar adiar uma eleição prevista regimentalmente para o dia 1º de fevereiro. Eu não acho que o Luiz Dantas tem o desejo de semear discórdia como essa. Então, fica claro – e não precisava nem citar nomes – porque a questão de ordem partiu do deputado Olavo Calheiros. Se eu fui omisso naquela declaração ao não citar nomes, é porque para mim isto estava claro. Estava claro quem queria golpear o processo e semear esta discórdia.

O senhor está dizendo que o Olavo Calheiros tentou dar um golpe?

Sim. O Olavo tentou dar um golpe. Agora, quem promoveu esse golpe que tentou ser executado pelo deputado Olavo, eu não sei. Não posso fazer acusações levianas. Agora posso apontar o deputado Olavo. Então, eu achei óbvio. E destaco aqui uma inabilidade também enorme, vinda do desejo de criar a discórdia, por parte do deputado Isnaldo Bulhões. Ambos tentam promover a discórdia na Casa. Eu omiti nomes porque não é do meu feitio promover esta discórdia. Mas, naquele momento eu achei que isto estivesse claro. Olavo tentou inventar um requerimento que não existe. Nunca existiu. O presidente reconheceu que este requerimento não existia. O que me deixa mais preocupado é que no primeiro momento o presidente deferiu a questão de ordem do Olavo. Mas, e aí graças a Deus, em um momento de extrema lucidez, ele recuou do adiamento da eleição e evitou que essa fatalidade, esse absurdo, acontecesse na Assembleia. É difícil prevê o que ocorreria se o golpe fosse levado adiante.

Fica a sensação de que o Luiz Dantas foi manobrado em alguns momentos no comando da Mesa, sendo apenas uma “Rainha da Inglaterra”. E aqui a expressão Rainha da Inglaterra é uma metáfora usada por mim e não pelo senhor. Deixo isso claro. Mas indago: é isso?

Não diria isso. Não enxergo assim. Eu acho que o Luiz Dantas tem um perfil tão agregador que muitas vezes ele é influenciado. E há pessoas (deputados) que se utilizam de malícias para conduzi-lo, digamos assim. Eu queria ter feito um discurso de agradecimento e parabenizar o Luiz Dantas. Eu acredito que ele tem capacidade de gerir a Casa. Até, naquele momento, mais que eu. Ele é do partido do governador e isto ajuda para se ter harmonia na Casa. Agora, é preciso saber dar o tom de independência necessária. O Dantas tem um bom perfil e não vejo ninguém com o desejo de destituí-lo do cargo. A minha candidatura refletiu uma insatisfação não direta com o presidente atual, mas com o processo que foi criado. Mas, eu não tenho ganância de derrotar Dantas. Mas, muitas vezes ele é influenciado. Ele é levado, conduzido, a caminhos que vão para a discórdia. Isto é algo muito grave. A Assembleia precisa urgentemente de uma liderança. Que seja o próprio Luiz Dantas. Que ele exerça o papel desta liderança, pois ele pode ser. Todavia, neste momento a Casa se encontra sem líder para conduzir e juntar os cacos que ficaram. O que tentaram fazer nesta eleição deixou marcas.

Você disse que os governistas – que é a base de apoio do governador Renan Filho (PMDB) – não conseguiram montar sequer uma chapa. Na sua avaliação qual o reflexo disto em relação ao governador do Estado?

Talvez eu tenha me expressado mal quando falei em governistas. O que eu quis dizer é o núcleo duro do governo na Casa, que são os deputados que se sentem mais Executivo do que Legislativo. Quando eu falo ala do governo, eu falo desta ala. Este grupo, muitas vezes, acaba deixando a Casa até subserviente. Agora, este bloco que ganhou a eleição é todo governista. O governador, a meu ver, não vai ter dificuldade de diálogo com a Casa. Não existe um só secretário, ou vice-presidente que seja oposição. Nem os suplentes são. Eu que sigo independente, pois não tenho cargos no governo e nem quero. Agora, vou disputar espaços nas comissões da Casa, o que é natural. Mas são espaços políticos. Mas veja, quem faz a pauta da Assembleia é a presidência. Ele foi mantido. Cabem aos demais secretários a gerência da Casa. A relação institucional com o governador não está abalada em absolutamente nada. Agora, nas questões administrativas da Casa há sim um racha. Isto precisa ser urgentemente organizado e não vejo obstáculo para que isto aconteça.

cadaminuto

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