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Rosinha da Adefal promove, na Câmara dos Deputados, debate sobre múltipla vulnerabilidade da mulher com deficiência

A deputada federal Rosinha da Adefal (PTdoB/AL) presidiu nesta quinta-feira (8) audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara dos Deputados. A reunião tratou sobre a múltipla vulnerabilidade da Mulher com Deficiência diante de situações de abuso e violência doméstica. O encontro foi um dos debates propostos pela parlamentar para celebrar as comemorações do dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comemorado em 3 de dezembro, com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem-estar das pessoas.

“No Brasil, cinco mulheres são violentadas a cada hora. Porém, não existe dado oficial sobre quantas delas são mulheres com deficiência. Estima-se que a taxa de abuso sexual e físico entre mulheres com deficiência chega a ser duas vezes maior que entre as mulheres sem deficiência”, elucidou a deputada Rosinha.

“Essas mulheres enfrentam a grande dificuldade de notificar o abuso sofrido, primeiramente, por, muitas vezes, depender do auxílio e do cuidado de seus agressores. Depois, por enfrentar barreiras físicas, de acessibilidade, financeiras ou até de comunicação”.

Para combater essa realidade, é necessário modificar a visão do poder público e retirar essas mulheres da invisibilidade. Foi essa síntese da fala das participantes da audiência, que contou com a presença da Coordenadora Geral do Sistema de Informação da Pessoa com Deficiência, Carolina Gomes; das dirigentes e fundadoras da ONG Essas Mulheres, Marcia Gori e Adriana Dias; e da secretária adjunta da Secretaria de enfrentamento à violência contra a mulher, Betânia de Assis. “É preciso reconhecer a existência e a recorrência desse tipo de abuso e construir políticas públicas para evitá-los e cessá-los”, defendeu Rosinha da Adefal.

Segundo as palestrantes, diferentemente do que ocorre na violência doméstica e nas agressões às mulheres sem deficiência – em que a dependência financeira e emocional são os principais motivos pelos quais as mulheres desistem de denunciar seus agressores – nas violências contra mulheres com deficiência, a questão da dependência física e do cuidado é o principal motivo da desistência.

“Como a pessoa vai denunciar o próprio cuidador? Se fizer isso, quem vai medicá-la, banhá-la, cuidar dessa mulher depois da denúncia? E para onde ela vai, se for retirada da situação de abuso? Para um abrigo sem acessibilidade, sem um cuidador disponível? ”, indagou a ativista Adriana Dias. Segundo Adriana é necessária uma modificação das políticas públicas, e a criação de uma política nacional de cuidadores, que preveja o atendimento público às mulheres com deficiência em situação de violência.

Para Marcia Gori, a mulher com deficiência, que sofre violência, não possui a rede de cuidados disponíveis que a mulher sem deficiência possui. “Quase a totalidade das mulheres com deficiência intelectual sofrem ou já sofreram abusos em suas vidas, e a sociedade nem sabe desse fato. Precisamos enxergar essas mulheres”, defendeu.

cadaminuto

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