O Governador de São Paulo assinou a PLC 50/125 que institui a diária especial por jornada extraordinária de trabalho da Polícia Civil em evento realizado no salão dos despachos em São Paulo. São Paulo - 13/01/2016 -  Foto: Eduardo Saraiva/A2IMG
O Governador de São Paulo assinou a PLC 50/125 que institui a diária especial por jornada extraordinária de trabalho da Polícia Civil em evento realizado no salão dos despachos em São Paulo. São Paulo - 13/01/2016 - Foto: Eduardo Saraiva/A2IMG

ODEBRECHT DELATA CAIXA 2 EM DINHEIRO VIVO PARA ALCKMIN

Executivos da Odebrecht afirmaram em depoimentos de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato que a empreiteira realizou pagamentos de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014 do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, os executivos mencionam duas pessoas como intermediárias do tucano e dizem não ter discutido o assunto diretamente com Alckmin.

Segundo eles, o irmão da primeira-dama, Lu Alckmin, Adhemar Ribeiro, recebeu R$ 2 milhões para a campanha de 2010, que consagrou Alckmin vitorioso ainda no primeiro turno da disputa ao governo paulista. A entrega do dinheiro aconteceu em seu escritório, na capital.

Já em 2014, o hoje secretário de Planejamento de São Paulo, Marcos Monteiro, chamado de “MM” pelos funcionários da Odebrecht, atuou como um dos operadores do caixa dois para a campanha de reeleição de Alckmin.

O esquema de caixa dois foi delatado pelo ex-diretor da Odebrecht em São Paulo Carlos Armando Paschoal, o CAP. Ele era um dos responsáveis por negociar doações eleitorais para políticos. O ex-diretor também fez afirmações sobre o suposto repasse, revelado também pela Folha, de R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial de 2010 do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB).

Paschoal integra o grupo de 77 funcionários da empreiteira que assinaram um acordo de delação premiada com investigadores da Lava Jato.

De acordo com a reportagem, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que não há doações diretas da Odebrecht à conta de Alckmin em nenhum dos anos citados. O TSE registra apenas uma doação oficial de R$ 100 mil da Braskem à direção do PSDB em São Paulo. Em 2014, foi informada uma doação de R$ 200 mil da mesma empresa ao comitê financeiro da campanha do governador.

O codinome de Alckmin nas listas de propina e caixa dois da empreiteira era “santo”, segundo informação publicada recentemente pela revista “Veja”.

O apelido aparecia associado nas planilhas da Odebrecht apreendidas pela Polícia Federal à duplicação da rodovia Mogi-Dutra, uma obra do governo Alckmin de 2002. A palavra “apóstolo”, escrita originalmente na página, foi rasurada e trocada por “santo”.

O mesmo codinome é citado em e-mail de 2004, enviado por Marcio Pelegrino, executivo da Odebrecht que gerenciou a construção da linha 4-Amarela do Metrô, na capital paulista.

Na mensagem, Pelegrino diz que era preciso fazer um repasse de R$ 500 mil para a campanha “com vistas a nossos interesses locais”. O executivo afirma que o beneficiário do suposto suborno era o “santo”.

Respostas

Geraldo Alckmin afirmou, por meio de sua assessoria, que “é prematura qualquer conclusão com base em informações vazadas de delações não homologadas”.

“Apenas os tesoureiros das campanhas, todos oficiais, foram autorizados pelo governador Geraldo Alckmin a arrecadar fundos dentro do que determina a legislação eleitoral”, diz a nota.

Em nota, a assessoria de Monteiro disse que ele é o tesoureiro do diretório estadual do PSDB há dois anos e “presta contas do fundo partidário à Justiça Eleitoral com regularidade”.

Adhemar Ribeiro, cunhado de Alckmin, não atendeu aos telefonemas da reportagem e nem retornou o contato.

diariodopoder

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