thumbnail_img_3236

“Jamais imaginamos que fosse ter esse alcance”, diz diretor do vídeo 360 mais visto do mundo

Clipe O Farol, de Ivete Sangalo, ultrapassou mais de 18 milhões de visualizações; em entrevista, Pedro Tejada comenta ainda sua participação no evento e diz atingiu objetivo com sua oficina

Texto de Deriky Pereira

Uma plataforma e novas formas de ver o mundo. Esse foi o mote da Oficina Cinema 360 e Captação de Imagem ministrada por Pedro Tejada em três dias da programação do Circuito Penedo de Cinema. Na atividade, ao fazer a união de um pouco da fotografia plana com essa nova plataforma, ele trouxe aos participantes ideias que, da publicidade ao entretenimento e de aplicações médicas e terapêuticas, ajudam a construir esses novos olhares e de se experienciar com as imagens captadas.

Na entrevista abaixo – rápida, pois ele precisava correr para não perder o vôo – Tejada fala sobre o conteúdo ministrado na Oficina e diz que se contentou com a receptividade do público. O diretor também comenta sobre a participação no Circuito, das impressões que teve com relação aos filmes que acompanhou enquanto jurado da Mostra do Festival de Cinema Universitário de Alagoas.

Para fechar, Tejada fala como foi o trabalho desenvolvido com Ivete Sangalo, com quem fez o clipe O Farol, o vídeo em 360 mais visualizado do mundo. “Ela não fazia um clipe há mais de 10 anos, ou seja, veio da película para essa nova plataforma, tudo mudou muito”, explicou. E ele ainda brincou com relação ao clima da cidade: “Muito quente, os paulistas não estão acostumados a isso”, disse, entre risos.

Pedro Tejada durante Oficina Cinema 360 e Captação de Imagem no Circuito Penedo de Cinema (Foto: Paulo Accioly)

Confira abaixo a entrevista completa.

Ascom Circuito: Tejada, fala um pouco sobre o conteúdo ministrado durante a Oficina nesses três dias.

Pedro Tejada: Eu juntei um pouco da fotografia plana, do 360 e desses novos meios de fotografar e registrar as imagens. Na verdade, a fotografia mudou muito rápido da película para o digital, em menos de dois anos ela foi descartada no mercado – principalmente no publicitário. Não só pelo 360, que é essa nova plataforma em si, mas mesmo com outras formas de se capturar imagens planas. Então, na Oficina, eu falei bastante da escolha das câmeras, que a gente tem, várias para tomar como uma decisão criativa, de produção e etc., mas temos que ponderar, pois a produção está no nosso pé. Precisamos nos adequar aos budgets, aos sets mais rápidos ou mais lentos, mas a gente tem muitas ferramentas. Eu gosto de escolher os equipamentos certos para os trabalhos certos e no caso do 360 eu falo dessa nova plataforma quanto da publicidade, entretenimento, aplicações medicas e terapêuticas, ajudam a construir novas formas de se ver o mundo, de se experienciar com as imagens captadas.

Ascom Circuito: Você atingiu o seu objetivo com a Oficina?

Pedro Tejada: Com certeza. A galera foi super receptiva e eu acho que no meio do cinema independente isso pode ajudar aos projetos deles e os feedbacks deles podem ajudar os meus.

Ascom Circuito: O que você achou de participar do Circuito Penedo de Cinema?

Pedro Tejada: Achei genial. A cidade é um máximo, o evento é super bem organizado, tudo bem legal. Penedo é uma cidade muito quente, os paulistas não estão acostumados (diz, aos risos). E aqui eu vi filmes muito bons. Ontem, saí bem deslumbrado com algumas peças e é interessante pra ver, pois eu estou em São Paulo – às vezes muito preso aos circuitos de lá ou das regiões sudeste e sul – e eu vim aqui, percebi que existem algumas diferenças específicas que refletem no filme, por exemplo: Como a educação funciona, em Maceió e no Nordeste, e como isso surtiu efeitos em documentários específicos, no dos rappers, ou no caso da violência e de como as pessoas estão se posicionando em relação a certos problemas que são muito diferentes da forma como nós estamos. Acho muito rico e parece ser uma forma muito intelectualizada e consciente. Isso me impressionou ao extremo e é uma das coisas que vai me fazer voltar aqui. O cinema ele não é melhor ou pior, mas diferente. E toda vez que você vai sugando essas diferenças que resultam de eventos sociais, de coincidências, enfim, a gente sempre acaba absorvendo mais e chegando a resultados mais legais.

Ascom Circuito: Você trabalhou com a Ivete Sangalo, certo? Fala como foi esse projeto, inclusive porque o clipe O Farol, além de ser o primeiro em 360 do Brasil, se tornou o vídeo mais visto do mundo nessa plataforma.

Pedro Tejada: Quando eu fui chamado na O2 Filmes, em São Paulo, a gente já estudava um pouco o 360 em função de alguns projetos multimidiáticos que não necessariamente tinham a ver com a plataforma. Certo dia, me chamaram pra capacitar esse filme e foi uma experiência impressionante, principalmente porque tínhamos um prazo super curto e a Ivete não fazia um clipe há mais de 10 anos – o último que ela fez foi em película – aí, ela volta, faz um clipe, com tudo diferente. Foi a primeira vez que eu pude ver o comportamento de uma pessoa num projeto imersível (VR 360) e, na hora, a gente não pode ver o vídeo, apenas algumas imagens planas totalmente deformadas. Sem contar que é curioso também como uma superstar vai se relacionar com isso, mas ela foi bastante participativa no processo, principalmente em função da coreografia, chegou trazendo uma coisa da mise-en-scène que a gente já tinha uma ideia – as vezes muda um pouco, enfim, – e foi um projeto que se a gente não conversasse não daria certo. Acabou sendo uma troca de todos os lados.

Clipe O Farol, de Ivete Sangalo, tornou-se o mais visualizado do mundo na plataforma 360 (Foto: Reprodução)

Ascom Circuito: E depois da divulgação do vídeo? Como foi a recepção?

Pedro Tejada: A gente tinha uma expectativa grande e o vídeo se tornou o mais visto do mundo. Jamais imaginamos que ele fosse ter o alcance que teve. Tínhamos uma preocupação, por exemplo, se algumas pessoas iriam conseguir ver e tinham até alguns comentários engraçados como “nossa, a gente só consegue ver o chão”, (risos). E isso é bom, eles foram orientando, explicando o que era e tal… Eu sempre fui geek e como o projeto foi feito em sigilo, muita gente não sabia que eu estava envolvido e vinham me dizer: “você viu esse projeto, tá legal pra cacete (sic), é a tua cara” e eu: sim, eu sei, (risos). 

Ascom Circuito: Existiu algum grande desafio, algo que foi mais difícil na hora de fazer o clipe?

Pedro Tejada: A gente tinha um diretor genial, com uma galera de bagagem e que entende de limitações e de recursos. Então, tanto eu do lado mais técnico quanto o fotografo cuidando exclusivamente da luz, era uma coisa pré-definida. Além disso, é novo principalmente nesse lance de ineditismo tecnológico: a peça, em si, é legal, mas a plataforma não é invisível. No cinema ela é, mas no 360 a gente tava num período em que ficava meio impressionado com a tecnologia em si. O desafio é esse: já que o ineditismo foi, como eu vou construir uma narrativa, uma peça de entretenimento, uma peça de publicidade que já não se apoiem no fato de a plataforma ser bem legal, mas do conteúdo ser interessante e bem realizado.

Acompanhe o Circuito Penedo de Cinema nas redes sociais e fique por dentro do que acontece no evento. Estamos no Instagram e também no Facebook.

 
Instituto de Estudos Culturais, Políticos e Sociais do Homem Contemporâneo (IECPS)
Comissão Organizadora do Circuito Penedo de Cinema

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com