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Dólar cai mais de 17% em 2016 e termina o ano cotado a R$ 3,24

O dólar fechou 2016 em queda de 17,69%, na primeira desvalorização da moeda dos Estados Unidos em relação ao real desde 2010.

O dólar terminou o último dia de negócios do ano cotado a 3,2497, em queda de 0,94%. O dia foi marcado por baixo volume de negócios, devido à proximidade das festas de final de ano, e pela formação da Ptax, taxa calculada mensalmente pelo Banco Central. Em dezembro, o dólar caiu 4,06%.

Mais uma vez, o Banco Central não anunciou nenhuma intervenção no mercado de câmbio, mantendo-se ausente desde o dia 13 de dezembro.

Em 2016, o dólar atingiu seu maior valor na história em relação ao real – R$ 4,1655 na venda, no dia 21 de janeiro. No ano, o dólar fechou acima de R$ 4 por 22 vezes – sendo 18 em janeiro e 4 em fevereiro. Já o menor valor de fechamento foi registrado no dia outubro, R$ 3,1065.

Queda no ano

Entre as principais influências nos mercados de câmbio e ações deste ano destacou-se o cenário político, as incertezas em relação ao cenário externo e a trajetória dos preços das commodities, destacaram economistas ouvidos pelo G1.

“A nossa bolsa avançou de maneira substancial, se descolou completamente das outras bolsas do mundo”, aponta. André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. “De um lado, houve uma mudança de governo que era amplamente esperada pelo mercado, mas isso não explica tudo”, analisa o especialista, referindo-se ao impeachment de Dilma Rousseff. “Mais importante que isso foi a apreciação muito forte de algumas commodities que influenciou a gente, notadamente o petróleo. A nossa bolsa e a moeda brasileira são muito próximas de movimentos de mercados de commodities”.

Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, também cita o fator político e seu peso sobre os mercados. “O Brasil iniciou o ano com uma perspectiva bastante adversa do ponto de vista fiscal, com investidores questionando a própria solvência do país”, diz o especialista, referindo-se à fragilidade das contas do governo.

“O que mudou essa trajetória foi a mudança de governo, com a agenda da nova equipe econômica que apontou para um lado oposto”, diz Campos sobre medidas como a limitação do crescimento dos gastos públicos e outras medidas apresentadas para tentar reequilibrar as contas públicas.

Do cenário externo, Campos cita a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia e a eleição de Donald Trump como fatores que adicionaram volatilidade aos mercados. “O cenário externo pesou, sem dúvidas, mas o que deu direção foi o quadro doméstico”, pondera.

Disparada em 2015

O dólar subiu 48% em 2015, a maior alta anual em quase 13 anos. Em 2002, o dólar subiu pouco mais de 50% em relação ao real.

No ano passado, a maior cotação do dólar em relação ao real, considerando valores de fechamento, foi de R$ 4,14. Em 2015, a moeda norte-americana fechou 6 vezes acima de R$ 4.

Estimativas para 2017

Os economistas projetam que o dólar se equilibre entre R$ 3,50 e R$ 3,70 no ano de 2017. Segundo analistas, é difícil prever o comportamento do dólar em 2017, pois o câmbio está muito pressionado pelas incertezas do cenário externo. “Ainda existe uma grande incógnita quanto à tendência do câmbio. Podemos ter algumas surpresas que não sejam tão positivas”, diz Rogério Mori, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EESP). “Acredito que a tendência para 2017 é o dólar se valorizar. Não chegaríamos a R$ 4, mas pode alcançar a faixa de R$ 3,70”.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, diz que “o fator preponderante é o cenário internacional”, embora o cenário interno, como a crise política, também interfira no preço da moeda dos Estados Unidos em relação ao real. “Pelo fator interno, a nossa moeda apanhou mais do que outras emergentes quando houve a pressão cambial”, lembra. “A tendência do dólar é continuar se valorizando, mas algo muito suave, sem grandes correções”.

Já o economista e consultor financeiro Miguel Daoud diz que “o ponto de equilíbrio do dólar é R$ 3,50, o que representa a paridade de troca e beneficia todos os setores da nossa economia”. “Eu vejo o dólar no ano que vem buscando esse ponto de equilíbrio”, aponta.

 gazetaweb.globo.

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