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Marta justifica ausência no Torneio de Manaus: “Questão de necessidade”

Marta esteve presente em todas as edições do Torneio Internacional feminino, mas, desta vez, quando será realizado em Manaus,  a partir de 7 de dezembro, optou por não participar e não integra a lista de convocadas divulgada na segunda-feira. A camisa 10 quer ter o período de férias que não tem há alguns anos e assegurar o retorno em totais condições na pré-temporada com o Rosengard, em 4 de janeiro.  Ela acredita que dessa maneira poderá iniciar uma temporada 2017 em condições de igualdade com as colegas e fisicamente mais descansada até mesmo para servir à seleção. Como ela diz, é uma questão de necessidade.  Já havia negociado com o antigo técnico Vadão e também entrou em contato com a atual treinadora para conversar e acertar o período de descanso. A competição será a de estreia de Emily no comando.
– Eu participo do torneio desde a primeira vez que realizamos no Brasil. Eu achei realmente que esse ano poderia ser um ano que eu poderia descansar depois de fazer uma temporada de janeiro a dezembro. Eu chego no treinamento atrás das minhas companheiras na pré-temporada. Questão mesmo de necessidade e depois de 10 anos ter um período de férias como as outras colegas. Estive conversando sobre isso na gestão anterior (Vadão). Eu também expliquei e conversei com a nova treinadora Emily – afirmou Marta em entrevista exclusiva ao blog Dona do Campinho.

Ter uma comandante mulher, aliás, será uma novidade para a jogadora. Ela diz que em todos os clubes pelos quais passou não teve uma mulher no comando e sim somente homens. Ela acredita ser interessante essa abertura de espaço e lembra que até mesmo o trabalho de atletas como ela é fazer com que isso se torne mais comum.  Ressalta, porém, que Emily precisa de tempo para trabalhar, pois no futebol feminino não se tem uma imensidão de opções como no masculino.
– É difícil falar se muda muita coisa. Na maioria trabalhei com homens, aliás,  acho que nunca tive técnica feminina. Por um lado ficamos muito felizes porque  nosso trabalho é abrir espaço para as mulheres na nossa modalidade. No modo geral a igualdade de gênero deve ser algo constante. Isso sem dúvida é algo que nos deixa feliz. Eu tive sempre uma relação muito boa com a comissão anterior. Conseguimos fazer com que a equipe chegasse bem nas Olimpíadas. Não conseguimos a medalha, mas jogamos com a proposta da pegada. Acho que tem que ter um pouco mais de tempo para trabalhar com o futebol feminino. Espero que a Emily tenha tempo. No masculino, você encontra jogador em qualquer esquina, mas no feminino é difícil. Ela precisa de tempo para que as meninas estejam bem mentalmente e ela possa ter tempo para trabalhar.

Marta, no entanto, acredita que é preciso qualidade acima de tudo e não somente questão de gênero: – É logico que você quer ver mulheres trabalhando, mas é qualidade independente do sexo. Se a pessoa se preparou para isso. Não adianta colocar uma mulher se ela não vai bem. Fica até meio negativo. As mulheres que a gente conhece no futebol e sonham em treinar grandes equipes essas a gente sabe que estão se preparando. É um bom começo (Emily no comando), foi legal, é bastante incentivador. Na Europa, já é algo normal. É seguir essa reta.

Em entrevista ao GloboEsporte.com, Emily chegou a dizer que quer contar com Marta por mais um ciclo de quatro anos até a próxima Olimpíada. A atleta acredita que é necessário “viver um dia de cada vez”. Assegura que manterá seu foco em cuidar do seu corpo e estar sempre apta, mas diz que sua ideia é fazer a diferença e não ser somente mais uma nas convocações. E de sua condição física dependerá sua continuidade até o fim do próximo ciclo.

– Eu acho que eu tenho que viver um dia de cada vez. A gente tem que estar apta. Vou manter meu foco aqui me cuidando para quem sabe eu possa ter essa oportunidade de continuar e servir a seleção para acrescentar  e não só estar lá.

A medalha não veio nas Olimpíadas, mas nem por isso o ano de Marta se encerra sem vitórias. Cinco vezes melhor do mundo, ela foi novamente indicada ao prêmio da Fifa e está entre as 10 finalistas. Mesmo sem a conquista com o Brasil, ela celebra o reconhecimento e o esforço feitos durante todo o ano para que a possibilidade de novamente ser a número um retorne.

– Acho que é um processo que faz parte do que a gente trabalha no dia a dia. Foi um ano de competição, Olimpíada e campeonatos com o clube. Tudo isso é trabalho durante um ano que a gente se dedica. Felicidade é muito grande. Foi um ano bem positivo e poderia ter sido bem melhor se conseguíssemos mais nas Olimpíadas. O que a gente procurou fazer foi mostrar o melhor.

Tem brasileiro na disputa pelo Puskás

Além de estar concorrendo, ela também será jurada em três premiações da Fifa:
Fan Award (prêmio aos torcedores), Puskas (gol mais bonito) e fair play (premiação para o jogo limpo).  Para a escolha de gol mais bonito, ela precisou analisar diversos vídeos para votar e ajudar a eleger os finalistas. Sem revelar nomes, ela garante que há brasileiros concorrendo.

– A gente acaba dando nota entre os gols selecionados  (35). Vota, dá uma nota e pode até dar 10 para todos. Vão prevalecer os gols que tiveram a  melhor média e também com o voto do público. Óbvio que tem brasileiro na lista maior. Espero que avancem.

 

Em ação na Champions League

Nesta quarta-feira, Marta entra em campo com o Rosengard. O time sueco busca confirmar a classificação às quartas depois de ter vencido o primeiro jogo diante do Slavia Praga por 3 a 1. A partida começa às 16h (de Brasília).

gazetaweb

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