DÓLAR SOBE E BOVESPA CAI MAIS DE 3%; MERCADOS PELO MUNDO ESTÃO NEGATIVOS

A vitória do republicano Donald Trump, que será o 45º presidente dos Estados Unidos, traz mau humor aos mercados globais nesta quarta-feira, com investidores refazendo suas posições em meio à incerteza do que irá acontecer no país e no mundo a partir de agora. Logo na abertura do mercado de câmbio no Brasil, o dólar subiu 2,31%, cotado a R$ 3,24, mas desacelerou a alta e por volta das 10h30 avançava 1,59%, a R$ 3,2241. No mercado acionário, o Ibovespa caía 3,20%, a 62.101 pontos.

Parte dos analistas de mercado, no entanto, mantém a expectativa de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) eleve os juros de referência da economia americana na última reunião de política monetária deste ano, marcada para os dias 13 e 14 de dezembro, mesmo após a vitória de Trump.

Internamente, a intensidade do ajuste é difícil de prever, segundo operadores, mas não se descarta nas mesas de operação a possibilidade de a moeda voltar a testar o nível de R$ 3,35 – último pico atingido em setembro. Uma correção de alta é esperada para ajustar os preços internos à valorização generalizada da moeda americana frente a divisas emergentes e ligadas a commodities no exterior. Ontem, a moeda americana caiu para R$ 3,1733 no mercado à vista e aos R$ 3,1880 no dólar futuro de dezembro, em meio a apostas na vitória da democrata Hillary Clinton.

Trump conseguiu os 270 votos necessários, vencendo a democrata Hillary Clinton ao conquistar os eleitores em Estados estratégicos, como Flórida, Carolina do Norte, Iowa, Ohio e Pensilvânia. Em um discurso mais pacificador nesta manhã, Trump pediu que a nação se una e afirmou que será presidente “para todos os americanos”. Sobre a relação com outros países, Trump disse que os EUA vão se relacionar com os países que quiserem se relacionar com eles.

O fato é que Trump no comando da maior economia do mundo traz um novo ambiente geopolítico. A União Europeia anunciou que manterá as relações políticas com Washington. “Os laços entre a UE e os EUA são mais profundos do que qualquer mudança política”, afirmou a alta representante para Relações Exteriores, Federica Mogherini. Mais cedo, o clima foi de maior aversão a risco.

As bolsas asiáticas operaram em forte baixa e futuros de Nova York chegaram a cair ao redor de 5%, mas as perdas em Wall Street haviam diminuído. Nas principais bolsas europeias a queda também é moderada e a Bolsa de Londres ensaia uma melhora.

O dólar perde para o iene nesta manhã, mas avança em relação às moedas ligadas a commodities e as de países emergentes, sendo que a alta ante o peso mexicano chegou a superar 10% mais cedo. Durante a campanha, Trump prometeu um muro entre EUA e México caso fosse eleito. O ouro, considerado um ativo seguro em momentos de turbulência, disparou mais de 4% na madrugada, mas também desacelerou e instantes atrás subia menos de 2%.

Banco Central. Depois de encontro semanal com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, evitou comentar a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Questionado pela imprensa, ele fez apenas uma declaração sobre “mercados”. “Estamos acompanhando os mercados globais e do Brasil e, se necessário, tomaremos as medidas adequadas”, disse.

Mais cedo, o Banco Central cancelou o leilão de swap cambial reverso que estava marcado para ocorrer nesta quarta-feira. Segundo o BC, a instituição cancelou a operação por entender ser “prudente” diante do cenário de maior volatilidade no mercado financeiro hoje. (AE)

Diariodopoder

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