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“Travesti tem que saber que não é mulher de verdade”, diz Rogéria

Nascida no Rio de Janeiro, há 73 anos, Rogéria se autodeclara “o travesti da família brasileira”. Para quem a vê é mesmo difícil acreditar que a loira seja, na verdade, um homem.

A artista que já transitou no teatro, cinema e TV brasileiros guardou muito detalhes, inclusive os picantes, dessa longa jornada nos palcos e bastidores do Brasil. Mas agora entrega todos em sua biografia e não economiza nas declarações polêmicas.

“Um travesti precisa de inteligência e talento para saber que não é mulher de verdade. Só tenho duas preocupações com o visual: não parecer prostituta, nem homem vestido de mulher”, afirma.

Rogéria nunca escondeu sua sexualidade e conta que começou a se vestir como mulher aos 12 anos, segundo reportagem do Correio 24 horas.

Sobre as divas e inspirações, ela declara: “Trago uma Marilyn Monroe até hoje dentro de mim e também algo de Bette Davis. Sempre sonhei grande, nunca quis ser uma a mais”, conta.

Na biografia, é claro, não falta espaço para o amor e sexo. A paixão explosiva de Rogéria foi com o policial-bandido Mariel Mariscot, acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte, assassinado em 1981.

“Ele vivia cercado de mulheres bonitas e me escolheu. Ficamos juntos uns dois anos, ele era muito possessivo e gostava muito de fazer sexo – e eu estava sempre pronta”, lembra.

O namorado, entretanto, que se declarava heterossexual, não queria jamais ver o pênis de Rogéria e ela o escondia como dava. Tudo para manter o encanto.

“A tática usada com Mariel para meu pau nunca aparecer eu tirei da cena de Carroll Baker, da personagem Babydoll Meighan, no filme Boneca de Carne (1956), de Elia Kazan, com roteiro de Tennessee Williams. Na cena de sedução, ela botava uma almofada entre as pernas para ficar sensual e provocar o amante. Passei a fazer isso sempre, uma almofada, um travesseiro, uma garrafa de vinho, qualquer coisa”, diz.

E se orgulha de parecer mulher e até cheirar como uma, como ela mesma diz.

“Me orgulho das pessoas dizerem que até meu perfume é de mulher, que tenho cheiro de mulher (risos). Na hora que meu cabelo cresceu, porque antes eu usava peruca, foi que senti o tchan! A partir daquele momento virei uma estrela, me sentia uma estrela. Mulher diz que tem cidade que é melhor para o cabelo crescer e é verdade. Sinto isso em Paris e Nova York”, revela.

Rogéria conta ainda, que, embora ícone da homossexualidade no Brasil, se orgulha da formação religiosa que teve. Ela vai sempre à missa e tem pensamentos que contrariam o “politicamente correto” do movimento LGBT atual.

“Nasci homossexual, nunca fiquei em armário, não acredito em opção sexual e sempre me posicionei contra qualquer tipo de hipocrisia. Tem gente de movimento gay que não gosta de algumas coisas que digo, mas para esses eu falo que, antes deles chegarem, já existia Rogéria, meu amor”.

O livro ‘Rogéria – Uma mulher e mais um pouco’ foi escrito por Marcio Paschoal e publicado pela Estação Brasil.

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