banner_blog_tnh1_ricardo_mota

A violência volta a crescer em Alagoas, mas não é culpa da polícia

É inegável que há um esforço hercúleo por parte da Secretaria de Segurança Pública para reduzir os índices de violência em Alagoas.

Mas não precisa ser um gênio para saber que a ação das polícias na redução de homicídios, por exemplo, tem um limite.

E, ao que parece, chegamos a ele.

Este ano o número de assassinatos em Alagoas, segundo o Núcleo de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Segurança Pública, já subiu – em comparação com 2015.

De janeiro a setembro, diz o respeitável órgão, já houve vinte e um assassinatos a mais do que em igual período do ano passado: subiu de 1.344 para 1.365 assassinatos.

Há queda em Maceió e aumento no interior, com destaque para Arapiraca.

É lembrar: já vivemos momentos muito piores, como em 2014, mas o resultado do levantamento só vem a comprovar que polícia só não basta! (E, empurrada pela sociedade, pode contribuir ainda mais com estes índices perversos.)

É o “óbvio ululante”, que tão bem conhecemos, mas que teimamos em esquecer.

A polícia tem um papel fundamental na repressão ao crime, ou seja, nas piores consequências da ausência de políticas sérias e eficientes de Estado nas áreas fundamentais: Educação, Cultura, Esportes, Saúde etc.

A concorrência do Estado – e da sociedade – é com o crime organizado, que espalha seus tentáculos e armadilhas, capturando sem dificuldades uma juventude sem sonhos e sem objetivos, ainda que carregue os mesmos desejos dos mais afortunados.

O senso comum há de dizer: “Queremos mais polícia”.

E aí, o que acontece hoje no Rio de Janeiro, depois da exitosa experiência das UPPs, não há de nos ensinar nada, se for este o nosso coro.

A violência, é bem verdade, é parte marcante ainda da nossa cultura, do nosso “jeitinho” de resolver conflitos – de toda ordem, inclusive domésticos.

Mas ao Estado (com E maiúsculo) cabe bem mais do que a repressão ao crime: há de ter um diálogo permanente com a sociedade – e a isso chamamos de democracia -, além de colocar na lista de prioridades políticas ações que vão além do que clama o senso comum.

É tempo, já, de os gestores públicos reassumirem o papel histórico que lhes cabe: o de vanguarda, deixando de lado a demagogia barata explicitada nos conselhos dos gurus da modernidade propagandística.

blog.tnh1.

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com