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RENAN FILHO É ACUSADO DE CAUSAR MORTES DE DOENTES DE ELA

O médico cirurgião cardiovascular Hemerson Casado Gama, que é suplente de deputado federal pelo PMDB de Alagoas, publicou um protesto desesperador em seu perfil do Facebook, em que denuncia a falta de medicamentos para portadores de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Portador da doença desde agosto de 2012, Hemerson Casado acusou o governador Renan Filho (PMDB), seu aliado político, de instituir a pena de morte para ele e os pacientes alagoanos.

Além de afirmar preferir um tiro no peito e de dizer que se tiver de optar prefere tirar a própria vida em praça pública para que saibam que Renan Filho foi o responsável pela sua morte, o apelo emocionado de Hemerson Casado compara familiares de pacientes que peregrinam em busca da esperança constante nos medicamentos aos judeus que entravam nos trens nazistas sem saber que encontrariam o holocausto.

A resposta do Estado foi a promessa do governador de uma visita ao paciente e a publicação de nota da pasta da Saúde, culpando o fabricante do único medicamento para o tratamento da doença e anunciando para um feriadão o início da entrega, a partir de 16 de setembro, uma sexta-feira, feriado de emancipação política de Alagoas.

O médico que obteve mais de 15 mil votos para deputado federal nas eleições de 2014, com o apoio de Renan Filho e do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB), é duro ao falar diretamente ao governador, sobre sua responsabilidade sobre as mortes dos pacientes. E poderia repassar ao governador o endereço dos demais pacientes que precisam do medicamento, na ocasião da prometida, e midiática, visita do chefe do Executivo.

Veja o protesto:

“Basta. Não aguento mais. Se for assim, que me atirem ao peito. Melhor. Tudo se encerra aqui. Não posso mais lutar e ver o governador do estado me encurtando a minha vida e a de tantos outros pacientes. Todos me conhecem por lutar por novos tratamentos, mas enquanto isso o governador vai sabedor que é da situação, negligência nós que estamos condenados à morte mas que queremos viver mais com nossas famílias e amigos. Uma verdadeira pena de morte no pais da liberdade . Uma humilhação os familiares peregrinando em busca da única esperança que se tem, mas ao invés de encontrar a sua salvação encontram sua desgraça. Como os judeus nos trens nazistas que esperavam sua salvação, mas encontraram o holocausto. Pois bem atirem me ao peito, não vou esperar que o governador me negue o direito humanitário de viver. Já cansei de desculpas. Se tiver que optar prefiro eu mesmo tirar minha vida em praça pública para que todos saibam quem foi o responsável por minha morte. Precisamos de nossos remédios. Compre nossos remédios. Se a Defensoria Pública, o Ministério Público não o fazem cumprir a lei, talvez às Mortes que o senhor causar, possam pesar em sua consciência. Não sou eu quem precisa de ajuda e sim centenas de pessoas que precisam de medicamentos de alto custo. Por isso eu peço que vocês compartilhem para o alcance ser grande. Caso contrário eu irei para porta do palácio até o governador me receber”, escreveu Hemerson Casado.

HEMERSON CASADO EM HOMENAGEM (FOTO: TRIBUNA HOJE)

Militância pela vida

Depois de dedicar sua profissão a salvar vidas de pacientes cardíacos, o cirurgião cardiovascular dedica sua vida à luta pelos avanços e democratização do tratamento de doenças raras e em especial da ELA. E poderia assumir uma vaga na Câmara dos Deputados, com a ida frustrada do deputado federal Marx Beltrão (PMDB) para o comando do Ministério do Turismo. No fim de agosto, completou seu 5º ano com a doença, entrando no seleto grupo dos 20% de pacientes que sobrevivem à terrível doença. Segundo Hemerson Casado, a doença assola 1-2 casos a cada 100 mil habitantes.

“Uma doença muito rara, uma minoria e inválida para lutar. Por isso eu falo, eu escrevo, eu peço, eu insisto, eu imploro, eu sou inconveniente, eu encho o saco de vocês para que vocês se juntem a essa minoria e ajudem a esta causa, pois após o quinto ano a percentagem diminuiu e eu não tenho tanta convicção de que estarei aqui por perto. Toda minoria sofre e você ser a minoria da minoria é viver com uma arma na cabeça esperando que puxem o gatilho”, escreveu o portador de ELA, no último domingo (4).

Provocada pelos pedidos de resposta da imprensa para o desabafo do médico Hemerson Casado, a Secretaria de Saúde do Estado de Alagoas (Sesau) publicou nota em que comunica aos pacientes de ELA que o medicamento riluzol, única droga para o tratamento, estará disponível no almoxarifado da Central de Assistência Farmacêutica (Ceaf) a partir da segunda quinzena deste mês de setembro, ou seja, uma sexta-feira, dia 16, início do feriadão de Emancipação Política de Alagoas.

“A Sesau e a Ceaf asseguram, ainda, que a compra e o empenho dos medicamentos foram concluídos no mês de maio deste ano, e que o atraso na entrega ocorreu devido a problemas na fabricação do medicamento pela empresa vencedora da licitação, ocasionando no não cumprimento do prazo de entrega. Como medida emergencial, a Secretaria de Saúde solicitou a troca do fornecedor, para que os usuários possam ser atendidos conforme prevê o compromisso do Governo do Estado de Alagoas com a assistência a saúde da população alagoana”, diz o trecho final da nota da Sesau.

Descaso ilegal

No final de agosto, a 26ª Promotoria de Justiça da Capital solicitou e obteve do juiz de Direito Helestron Silva da Costa, da 17ª Vara Cível da Capital, a decisão que determinou o bloqueio de R$ 8.800.133,62 da conta-corrente do Estado de Alagoas para regularizar o abastecimento do estoque das medicações de fornecimento obrigatório pela Secretaria Estadual de Saúde.

A decisão ainda não cumprida efetivamente é resultado da ação civil pública nº 0711562-09.2015.8.02.0001, em que o Ministério Público Estadual tenta obrigar o Estado a destinar os medicamentos legalmente previstos como de fornecimento obrigatório aos pacientes cadastrados no Componente Especializado de Assistência Farmacêutica (CEAF), da Secretaria Estadual de Saúde.

De acordo com a Comunicação Social do MP de Alagoas, promotora de Justiça Micheline Tenório, informou que faltava ao Juízo fazer a efetivação do bloqueio, ou seja, comunicar aos órgãos competentes que o dinheiro não poderia sair das contas para outra finalidade, que não aquela destinada a compra dos remédios. “Inclusive, desde então, vários requerimentos foram enviados à 17ª Vara Cível da Capital/Fazenda Estadual pedindo essa efetivação. E foram também enviados requerimentos individuais, falando da situação específica de determinados pacientes, com o intuito de mostrar a importância da compra urgente dos medicamentos”, respondeu a Comunicação do MP ao Diário do Poder.

A Comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas informou que o juiz Helestron confirmou o bloqueio dos R$ 8,8 milhões e explicou que o prazo para desbloqueio e consequente utilização do recurso por funcionário responsável pela compra dos medicamentos é de até 15 dias. “Reforçou ainda que o Judiciário cumpriu com seu papel e que a oferta dos medicamentos à população, objetivo da decisão judicial, depende dos prazos de entrega acordados entre o ente público estadual e os fornecedores”, disse a assessoria de imprensa do TJ de Alagoas.

diariodopoder

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